Crise bancária à vista: por que o colapso do Master e do Will pode ser só o começo
Banco Master e Will Bank quebraram. BRB é o próximo? Veja os riscos para investidores e os impactos no FGC
Nas últimas semanas, o mercado financeiro brasileiro foi marcado por eventos de grande impacto que merecem a atenção dos investidores, especialmente daqueles com aplicações em instituições menores ou com produtos de crédito de retorno elevado.
Banco Master: liquidação e escândalo de R$ 12 bilhões
No dia 18 de novembro de 2025, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, depois de uma crise de liquidez associada a graves violações regulatórias e indícios de fraude financeira. A medida encerrou negociações em curso para a venda do banco, que vinha sendo alvo de uma investigação policial denominada Operação Compliance Zero.
Segundo as autoridades, o banco emitiu e negociou carteiras de crédito sem lastro real, com o valor aproximado de R$ 12 bilhões, além de transações suspeitas com outras instituições, o que culminou na paralisação das operações e em uma investigação que ainda segue em andamento.

Will Bank segue o mesmo caminho do Master
Mais recentemente, ontem, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A., também conhecida como Will Bank. Essa instituição fazia parte do mesmo grupo econômico controlado pelo Banco Master e vinha operando sob Regime de Administração Especial Temporária (RAET) pelo BC antes da liquidação.
A medida decorre do comprometimento econômico-financeiro da Will Bank, de sua insolvência e do forte vínculo de interesse com o Master, além do descumprimento de obrigações com arranjos de pagamento, como o da Mastercard, que já havia suspendido o uso de cartões da instituição por falta de liquidação de valores.
O papel (e os limites) do FGC
Com a liquidação do Master e, agora, do Will Bank, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) entrou em ação para ressarcir depositantes e investidores com produtos elegíveis à cobertura — isto é, até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por conglomerado financeiro.
Quem tinha CDBs de ambos os bancos pode ficar sem cobertura caso o valor total ultrapasse R$ 250 mil e se a compra dos papéis do Will ocorreu após a aquisição do Master (em agosto de 2024).
Os valores estimados de desembolso total pelo FGC são elevados:
- Banco Master: cerca de R$ 40–41 bilhões para clientes elegíveis;
- Will Bank: estimativa adicional da ordem de ~R$ 6,3 bilhões, dependendo dos pedidos de ressarcimento;
Somados, esses eventos representam a maior operação de cobertura da história do FGC.
Isso reduz substancialmente o caixa disponível no fundo, que era de aproximadamente R$ 120 bilhões, deixando-o mais sensível a um novo evento de estresse financeiro — ou seja, o mesmo mecanismo de proteção que resgata hoje pode ter menos folga se outro caso inesperado surgir nos próximos meses.
BRB no radar: exposição e riscos após tentativa de compra
O Banco de Brasília (BRB) passou a ganhar destaque nas discussões de mercado. Antes mesmo da liquidação do Master, o BRB havia se envolvido em negociações para adquirir parte da instituição — um processo que acabou bloqueado pelo Banco Central em 2025, por riscos à sucessão de ativos.
Posteriormente, a instituição admitiu ter feito registros contábeis questionados pelas autoridades, relacionados à compra de carteiras de crédito do Master no valor de R$ 12 bilhões. Isso levou a auditorias internas, mudanças na governança e substituição de executivos.
Nas últimas semanas, o banco afirmou ter capacidade de recompor capital, negou exigência de aporte imediato e estuda vender ativos recuperados no processo para fortalecer sua posição financeira — embora os desdobramentos e a completa extensão do impacto ainda estejam sob avaliação.
O colapso de bancos menores e o alerta para investidores
- Análise de risco não pode ser superficial. Produtos que oferecem retorno aparentemente atraente (como CDBs de alto rendimento) podem esconder riscos de crédito e de liquidez que não são imediatamente evidentes.
- Garantias não são absolutas. O FGC protege até certos limites e já está comprometendo uma grande parte de sua capacidade com os casos Master e Will — o que adiciona um elemento de risco sistêmico e prudencial a ser monitorado.
- Conflitos de interesse e ganância do investidor amplificaram o problema. Quebras pontuais já aconteceram sem gerar o barulho que o Master e Will estão gerando. Por conta de estímulos de corretoras e do comportamento ganancioso de investidores, o conglomerado passou de lanterninha ao 11º maior banco do Brasil em depósitos a prazo.
Como proteger seu patrimônio em momentos de incerteza
Em momentos como este, a diferença não está em promessas ou slogans, mas em entender exatamente onde o risco está escondido. Quando um banco entra em liquidação, muitos investidores descobrem — tarde demais — que aquilo que parecia simples e seguro carregava fragilidades que não apareciam na superfície.
Nem todos conseguem identificar essas exposições com facilidade. Muitas vezes, o problema não é o produto em si, mas o conjunto da carteira, a concentração em um mesmo emissor, em um mesmo grupo econômico ou em riscos que só ficam claros quando o cenário piora.
Ajustar posições com base em critérios de risco e liquidez, e não apenas em retornos passados ou taxas atrativas, é o que separa a preservação de capital de arrependimento.
Na nossa Research e no Wealth Management, trabalhamos com total independência de bancos e instituições financeiras justamente para evitar esse tipo de surpresa. Nosso papel não é vender produtos, mas enxergar riscos antes que eles se materializem, fazer as perguntas difíceis e proteger o patrimônio dos nossos clientes quando o mercado deixa de ser complacente.
Se esses acontecimentos levantaram dúvidas sobre sua carteira, este é o momento certo para olhar com mais cuidado.
Se você está inseguro com seus investimentos ou com o dinheiro que mantém em instituições financeiras, fale com a nossa equipe.
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