Ibovespa ainda vale a pena? O que dizem gestores no evento do Bradesco BBI
O que ouvi de gestores sobre Bolsa, juros e guerra — e como isso impacta suas decisões de investimento
Nesta semana, estive na 12ª edição do Brazil Investment Forum (BIF), um dos principais encontros do mercado, realizado pelo Bradesco BBI.
É sempre curioso observar esse tipo de evento: gestores, economistas e executivos no mesmo palco discutindo os rumos do Brasil e do mundo.
Saí de lá com alguns insights importantes. Reuni aqui os principais pontos e como estou posicionando meus investimentos diante desse cenário.
O que os gestores estão dizendo sobre Bolsa e economia
Em um painel sobre ações, os gestores brasileiros diziam que, mesmo com a alta do Ibovespa e a instabilidade geopolítica, a Bolsa brasileira estava muito barata. Eu nem sei por que ainda fazem esse tipo de painel. Nunca vi um gestor de bolsa dizer o contrário.
No painel dos fundos multimercado, os gestores estavam bem mais humildes. Diziam que o cenário estava difícil e que, a depender da duração da guerra, poderíamos ter um desfecho ou outro.
Se a guerra acabasse, como parecia que ia acontecer ontem com a trégua de duas semanas anunciada por Donald Trump, a inflação poderia ceder, os juros cair e a bolsa subir.
Se a guerra durasse mais, o preço do petróleo subiria nos prazos mais longos, pressionando a inflação e mantendo os juros elevados, o que prejudicaria os ativos de risco.
Os diretores de empresas falavam muito bem de seus setores, destacando inúmeras oportunidades de crescimento, mesmo que isso ainda não tenha se traduzido em crescimento de lucros na linha final.

O investidor pessoa física tem uma vantagem
Quando vejo a elite do mercado financeiro tendo que adivinhar o que vai acontecer em um cenário binário, lembro da minha mãe e da sua frase clássica: “filha, você não é todo mundo”.
E nós, eu e você, não somos mesmo.
Não somos CFOs, tampouco gestores de ações e multimercado. E, em um cenário como esse, isso é um grande triunfo.
Não precisamos nos obrigar a comprar ações sem ter clareza se os juros vão a 20% ou cair para abaixo de 10%, como muitos gestores fazem.
Não precisamos assumir risco direcional porque há um cronômetro de 2% de administração rodando todo santo dia e exigindo performance. Nem precisamos reduzir o risco ou zerar as posições boas porque elas caíram, tirando a chance de recuperação.
Também não precisamos permanecer investidos na mesma empresa apenas por fazer parte da gestão, como muitos CEOs.
Percebe o privilégio?
Não fazer nada também é estratégia
Às vezes, parece que ser sofisticado é diversificar em vários ativos (que acabam indo todos para o mesmo lado em uma crise), investir via opções e fazer proteções. Mas nem sempre é esse o caso.
Não fazer nada pode ser a decisão mais sofisticada da sua carteira neste momento.
Se o cenário é binário e fora do nosso controle, para que se obrigar a tomar determinados riscos?
Podemos nos dar esse luxo que muitos investidores profissionais não têm. Esse, aliás, é um dos grandes benefícios de investir diretamente nos ativos.
Por um lado, você não tem a “elite” gerindo seu dinheiro em um fundo. Por outro, você também não tem obrigação de “stop”, nem viés de posição, nem necessidade de tomar risco.
Não estou dizendo para você nunca investir em fundos. Mas, em momentos como o atual, é bom lembrar: ser pessoa física também tem suas vantagens.
Tesouro Selic: o ativo para tempos incertos
Trump anuncia trégua, o mercado melhora. Logo depois, o Irã diz que as condições não foram cumpridas, Israel afirma que vai continuar atacando — e voltamos ao ponto inicial. Um vai e volta sem fim, acompanhado daquele clássico “tô rico, tô pobre” do mercado financeiro.
Mas há um investimento que está te pagando muito bem para esperar sentado, ou deitado se for o caso: o pós-fixado.
A nossa querida tartaruga, o Tesouro Selic, segue avançando enquanto as lebres dormem no ponto.
Eu estou abraçando a tartaruga, convidando para entrar, tomando um chá e dançando, enquanto na janela vemos uma tempestade.
Minha estratégia atual de investimentos
Tenho um ou outro ativo de risco? Tenho. Mas eles não dominam mais a minha carteira. Estou focando em aumentar aportes e seguir meu plano de vôo de acumulação para a aposentadoria.
É assim que, no longo prazo, se constrói patrimônio. E você? Já tem seu plano de aposentadoria?
Se ainda não tem, a tartaruga já saiu na sua frente e você sabe como essa história termina. [Clique aqui para elaborar o seu]

