Como funcionam os leilões do Tesouro e para que servem
Entenda o que são os leilões do Tesouro, como funcionam, quem participa e o impacto no mercado de renda fixa
Os leilões do Tesouro Nacional são uma peça central do funcionamento da dívida pública brasileira e exercem influência direta sobre as taxas de juros e o mercado de renda fixa. Embora aconteçam regularmente, esses leilões ainda geram dúvidas sobre sua dinâmica e seus efeitos sobre o sistema financeiro.
Entender como funcionam essas operações ajuda a interpretar movimentos do mercado e decisões de política econômica.
Sumário
- O que são leilões do Tesouro
- Por que o Tesouro realiza leilões
- Tipos de leilões realizados
- Como os títulos são ofertados
- Quando os leilões acontecem (versão ajustada)
- Quem participa dos leilões?
- O que é o Plano Anual de Financiamento (PAF)
- Qual o nível necessário de emissão de títulos pelo Tesouro?
- Impacto dos leilões no mercado financeiro
- Perguntas frequentes sobre os leilões do Tesouro
O que são leilões do Tesouro
Os leilões do Tesouro são ofertas públicas de títulos públicos federais realizadas regularmente pelo Tesouro Nacional. Nesses leilões, instituições financeiras compram os títulos diretamente do governo, que se compromete a devolver o valor investido acrescido de juros em uma data futura.
A emissão dos títulos ocorre no mercado primário. Depois disso, esses papéis passam a ser negociados no mercado secundário, onde investidores podem comprá-los e vendê-los entre si.
Por que o Tesouro realiza leilões
O principal objetivo dos leilões é financiar a dívida pública brasileira. Por meio dessas operações, o Tesouro consegue:
- captar recursos para cumprir despesas orçamentárias;
- refinanciar títulos que estão vencendo;
- dar previsibilidade ao fluxo de caixa da União;
- influenciar o nível das taxas de juros praticadas no mercado.
Os leilões também são instrumentos importantes de política econômica, pois afetam a percepção de risco e a confiança dos investidores.
Tipos de leilões realizados
Existem três tipos de leilões. Conheça a diferença entre eles a seguir.
Leilão de venda
É o formato mais comum. O Tesouro vende títulos em volumes e datas previamente definidos no calendário oficial.
Leilão de troca
Permite a substituição de títulos com vencimento próximo por papéis de prazo mais longo, com o objetivo de alongar o perfil da dívida pública.
Leilão de compra
Usado em momentos de instabilidade, quando o Tesouro recompra títulos para oferecer liquidez ao mercado. Esse tipo de operação foi utilizado, por exemplo, no início da pandemia, em 2020.
Como os títulos são ofertados
O Tesouro utiliza dois formatos principais de oferta nos leilões:
Tradicional
Cada título é divulgado individualmente, com vencimento e volume específicos. Esse formato é utilizado para LTNs, NTN-Fs e NTN-Bs.
Híbrido
Um único lote reúne vários vencimentos, com um volume total máximo. Esse modelo é aplicado nas LFTs.
Quando os leilões acontecem (versão ajustada)
Os leilões do Tesouro seguem um calendário regular ao longo da semana. Cada dia é destinado a tipos específicos de títulos públicos, conforme suas características de prazo e indexação:
- terças-feiras: são realizados leilões de títulos atrelados à inflação (NTN-B) e de títulos pós-fixados, indexados à taxa Selic (LFT). Esses papéis costumam ser mais utilizados para proteger o investidor contra a inflação ou acompanhar a taxa básica de juros;
- quintas-feiras: ocorrem os leilões de títulos prefixados, como as LTNs, e de títulos com cupom de juros semestral, como as NTN-Fs. Nesse caso, a taxa de retorno é definida no momento da compra.
O calendário completo, além dos editais e dos resultados de cada leilão, é divulgado no site oficial do Tesouro Nacional.
Quem participa dos leilões?
Os leilões do Tesouro são acessíveis apenas a instituições financeiras credenciadas no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), sistema operado pelo Banco Central do Brasil. Essas instituições, conhecidas como dealers, exercem papel central no funcionamento do mercado de títulos públicos.
Entre suas principais funções estão:
- comprar títulos diretamente do Tesouro no mercado primário;
- revender esses papéis a investidores e instituições no mercado secundário;
- contribuir para a formação de preços e para a liquidez do mercado.
Atualmente, entre as instituições credenciadas, estão grandes bancos e corretoras, como Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander Brasil, além de corretoras, como XP Investimentos, Renascença Distribuidora e BGC Liquidez.
Essas instituições também participam da chamada segunda volta dos leilões, podendo adquirir uma parcela adicional dos títulos conforme seu desempenho nas operações anteriores.
O que é o Plano Anual de Financiamento (PAF)
O Plano Anual de Financiamento (PAF) é o documento publicado anualmente pelo Tesouro Nacional que define as diretrizes para a gestão da dívida pública federal ao longo do ano.
O plano estabelece:
- a composição desejada da dívida entre títulos prefixados, pós-fixados, atrelados à inflação e ao câmbio;
- os prazos médios pretendidos para cada tipo de título;
- as estratégias de emissão, rolagem da dívida e manutenção da reserva de liquidez;
- limites e bandas de variação para cada componente da dívida.
É com base nesse planejamento que o Tesouro define o ritmo e o perfil das emissões realizadas nos leilões.
Qual o nível necessário de emissão de títulos pelo Tesouro?
A necessidade líquida de financiamento (NLF) indica quanto o governo precisa captar por meio dos leilões ao longo do ano. Esse valor é calculado com base nas diretrizes do Plano Anual de Financiamento.
Em 2025, a NLF foi estimada em R$ 1.460,9 bilhões. Esse montante considera os vencimentos da dívida interna e externa, encargos do Banco Central e outras despesas orçamentárias.
No mesmo período, os vencimentos da dívida pública federal somam aproximadamente R$ 1.453,7 bilhões, o que explica a intensidade das emissões no ano.
Impacto dos leilões no mercado financeiro
Os leilões do Tesouro têm impacto direto sobre o mercado financeiro e a renda fixa. Entre os principais efeitos estão:
- formação de referências de taxa para outros ativos, como debêntures e CRIs;
- influência na marcação a mercado dos títulos negociados no Tesouro Direto;
- alteração do nível de liquidez e do apetite dos investidores;
- reflexos na confiança do mercado em relação à política fiscal.
Quando os resultados são desfavoráveis, com lances exigindo taxas mais altas, o Tesouro pode reduzir a oferta ou até cancelar o leilão para evitar o aumento dos prêmios de risco.
Por fim, vale ressaltar que os leilões do Tesouro Nacional são o principal canal de emissão da dívida pública brasileira e desempenham papel estratégico na política econômica. Ao influenciar as taxas de juros, a liquidez do mercado e a precificação dos ativos de renda fixa, essas operações se tornam essenciais para quem busca entender o funcionamento das finanças públicas e do mercado financeiro.
Perguntas frequentes sobre os leilões do Tesouro
O que acontece quando um leilão do Tesouro tem resultado ruim?
Quando um leilão do Tesouro apresenta resultado ruim — com pouca demanda ou taxas exigidas muito elevadas — o Tesouro Nacional pode reduzir o volume ofertado ou até recusar as propostas. O objetivo é evitar a elevação excessiva dos prêmios de risco e preservar a estabilidade do mercado de renda fixa.
Pessoa física participa dos leilões do Tesouro?
Não. Pessoas físicas não participam diretamente dos leilões do Tesouro. As operações são restritas a instituições financeiras credenciadas. O investidor pessoa física acessa esses títulos indiretamente, por meio do Tesouro Direto ou do mercado secundário, após a emissão inicial.
O Tesouro pode cancelar um leilão?
Sim. O Tesouro pode cancelar total ou parcialmente um leilão caso as condições de mercado sejam desfavoráveis, como em momentos de alta volatilidade ou exigência de taxas muito elevadas. Essa decisão faz parte da estratégia de gestão da dívida pública e busca evitar distorções na curva de juros.

