Celsius (CELH) supera expectativas no 1T26, mas margens preocupam mercado
Apesar do forte crescimento, a dinâmica de margens após as novas aquisições fez o mercado reagir negativamente aos resultados da Celsius. Veja os destaques
A Celsius (CELH) divulgou resultados do 1T26 significativamente acima das expectativas e, mais importante, com sinais de que a companhia está começando a capturar os benefícios estratégicos da construção de um portfólio mais amplo dentro da categoria de energéticos.
A receita atingiu US$ 782,6 milhões, crescimento de +138% na comparação anual e acima do consenso de aproximadamente US$ 763 milhões. O lucro por ação ajustado foi de US$ 0,41, também acima dos US$ 0,30 esperados pelo mercado, enquanto o Ebitda ajustado chegou a US$ 195,5 milhões, crescimento de +181% frente ao 1T25.
Resultados da Celsius superam expectativas no 1T26

O 1T26 trouxe pontos positivos e negativos. O principal destaque positivo foi o forte crescimento entregue pela empresa, impulsionado pela integração das marcas Alani Nu e Rockstar à estrutura da companhia. O lado negativo foi a desaceleração do crescimento da marca Celsius e a queda na margem bruta em função das novas marcas.
Apesar do resultado misto, nossa visão segue construtiva para Celsius. Enxergamos a empresa em um estágio mais maduro, agora com um portfólio de marcas e produtos muito mais amplo e completo.

Aquisições impulsionam crescimento da companhia

A receita na América do Norte foi de US$ 747,3 milhões, crescimento de +144% na comparação anual, refletindo principalmente a consolidação da Alani Nu, adquirida em abril de 2025, e da Rockstar Energy, adquirida em agosto de 2025.
A receita internacional foi de US$ 35,3 milhões, crescimento de +55%, impulsionada pelo avanço nos países nórdicos e pela continuidade da expansão em mercados como Reino Unido, Irlanda, França, Austrália, Nova Zelândia e Benelux.
Expansão internacional segue como avenida relevante
A operação internacional ainda é pequena dentro da receita consolidada, mas segue sendo uma das principais avenidas de crescimento no longo prazo. Hoje, as receitas internacionais representam apenas 4,5% do faturamento total da empresa. Em pares como Monster e Red Bull, essa participação é muito maior, próxima de 40% da receita.

Por marca, a Alani Nu foi o principal destaque do trimestre, com vendas de aproximadamente US$ 368,1 milhões. A companhia destacou a forte demanda pelos produtos da marca e também o aumento dos pedidos do maior distribuidor, associado à transição da marca para o sistema de distribuição da PepsiCo.
A Rockstar Energy contribuiu com US$ 66,6 milhões de receita no trimestre, enquanto a marca Celsius cresceu cerca de +6% na comparação anual. Essa combinação ajuda a explicar o forte salto do resultado consolidado, mas também por que o mercado não gostou tanto dos números. Apesar do forte crescimento inorgânico, a marca Celsius teve um trimestre abaixo do esperado em termos de crescimento.
A margem bruta foi de 48,3%, queda de 400 pontos-base frente ao 1T25. À primeira vista, esse foi o principal ponto negativo do resultado. Mas a explicação é relativamente clara: Alani Nu e Rockstar entraram no consolidado com perfil de margem mais baixo no momento da aquisição.
O que esperar da Celsius nos próximos trimestres
A companhia não trouxe um guidance financeiro formal detalhado para o ano, mas a mensagem qualitativa foi bastante construtiva. A administração descreveu o trimestre como um período “definidor” para a Celsius, destacando a força das marcas, a integração do portfólio e o papel da empresa como category captain da PepsiCo em energia nos EUA.
Na prática, isso significa que a companhia está muito melhor posicionada para influenciar sortimento, espaço em prateleira e execução comercial dentro de uma categoria que continua crescendo.
Nossa visão sobre a tese
Para os próximos trimestres, os principais pontos a acompanhar serão três. O primeiro é a recuperação da margem bruta, especialmente conforme Alani Nu e Rockstar forem incorporadas à estrutura de compras, frete e distribuição da Celsius.
O segundo é a sustentabilidade do crescimento da marca Celsius standalone, que cresceu apenas +6% no trimestre e precisa mostrar que ainda consegue ganhar relevância mesmo dentro de um portfólio mais amplo.
O terceiro é a execução em Rockstar, que ainda apresenta queda no varejo e depende de reposicionamento, melhor sortimento e integração para voltar a contribuir de forma mais clara.
O lado positivo é que a Alani Nu parece estar entregando exatamente o que se esperava dela: crescimento forte, público complementar e alto potencial de expansão de espaço.
A empresa também mostrou que a parceria com a PepsiCo finalmente parece mais alinhada, depois de um período em que a relação entre sell-in, sell-out e estoques gerou bastante frustração entre investidores.
A conclusão é que a tese ficou menos dependente de uma única marca e mais apoiada em um portfólio com escala.

