CDI venceu todos os ativos desde 2021: o que esperar dos próximos cinco anos

Desde 2021, nenhuma das principais classes de ativos bateu o CDI. Em 2015-2021 foi o oposto. Entenda o que esperar dos próximos cinco anos

Guilherme Abreu 06/10/2026 08:00 6 min
CDI venceu todos os ativos desde 2021: o que esperar dos próximos cinco anos

No dia seguinte ao primeiro turno das eleições de 2026, com a Bolsa em forte alta, o dólar abaixo de R$ 5 e os juros longos despencando, a conversa nas reuniões mudou de tom. É fácil olhar para um dia assim e achar que a pergunta importante é o que fazer agora. Não é. Depois de cinco anos em que o CDI ganhou de todas as principais classes de ativos, a pergunta que importa é outra: o que esperar dos próximos cinco?

Para responder, vale olhar para trás: para pouco mais de uma década de mercado, dividida em duas metades que quase não se parecem. Na primeira, entre 2015 e 2021, todas as principais classes de ativos bateram o CDI. Na segunda, de 2021 até agora, nenhuma bateu. 

Entender por que isso aconteceu ajuda a se posicionar para o que vem, sem pressa e sem apostas. 

Por que o CDI ganhou de todos os ativos desde 2021

Gráfico do retorno acumulado por classe de ativo de julho de 2021 a agosto de 2026.
 Fonte: painel interno de retorno acumulado da Nord Wealth, de jul./2021 a ago./2026. IPCA como referência

Em pouco mais de cinco anos, a Bolsa americana viveu um dos melhores ciclos da sua história e, mesmo assim, ficou atrás. Os prefixados, os multimercados e o Ibovespa também. As small caps, que deveriam ser o motor de crescimento de uma carteira de longo prazo, terminaram no negativo.

Repare na linha da inflação. O CDI não só ganhou de tudo, como ganhou com muita folga do IPCA. Quem passou esses cinco anos 100% alocado em renda fixa pós-fixada, sem tomar nenhuma decisão, terminou na frente de quem montou uma carteira diversificada com todo o critério do mundo.

É natural que a pergunta apareça: se o ativo de menor risco entregou o maior retorno, para que correr risco? Eu deveria ter vendido tudo e ficado no CDI?

Ouvi essa pergunta dezenas de vezes nos últimos dois anos.

CDI entre 2015 e 2021: o último colocado de um ciclo diferente

A resposta honesta começa olhando um pouco mais para trás. Pegue os seis anos e meio anteriores, de janeiro de 2015 a julho de 2021. A história foi exatamente a oposta: o CDI ficou em último lugar. Até o dólar, que muita gente compra só como proteção, rendeu mais.

Dois gráficos lado a lado, na mesma escala, comparando o retorno acumulado por classe de ativo em duas janelas.
 Fonte: painel interno de retorno acumulado da Nord Wealth, jan./2015 a jul./2021 e jan./2015 a ago./2026

E essa janela começou mal. Em 2015 e no começo de 2016, o país estava em recessão e as small caps chegaram a cair perto de 30%. Quem olhasse aquele momento teria todos os motivos para vender tudo e ir para o CDI. E teria vendido na porta do melhor período da década.

O que mudou de uma janela para a outra não foi a qualidade das empresas brasileiras. Foi, em grande parte, o preço do dinheiro. 

Entre 2016 e 2019, o país aprovou o teto de gastos, a reforma trabalhista e a da Previdência. A percepção de risco fiscal caiu, o juro real caiu junto, e a Selic chegou a 2% em 2020. 

De 2021 para cá, o caminho foi o inverso: o risco fiscal voltou ao centro da conversa e a Selic subiu até 15%. Com o CDI pagando isso, qualquer outro ativo precisa de um motivo muito forte para valer a troca.

Não estou fazendo juízo político, e não é papel deste texto torcer por candidato. Estou descrevendo um mecanismo: disciplina fiscal costuma virar juro mais baixo, e juro mais baixo costuma virar preço mais alto para bolsa, imóveis e títulos longos. Foi isso que o mercado tentou antecipar no dia seguinte ao primeiro turno.

Junte as duas janelas e a fotografia muda de novo. Desde 2015, o CDI cai para o sexto lugar entre nove classes. Cinco anos vencendo não apagaram o que ele deixou na mesa antes.

O que esperar dos próximos cinco anos

Não sei se a segunda-feira foi o começo de um novo ciclo ou só um dia bom. O segundo turno é no dia 25 e, mesmo depois dele, o que vai importar é o que for feito com as contas públicas. Pode ser que o CDI siga na frente por mais um tempo, pode ser que não.

Mas a primeira janela ensina uma coisa que vale para qualquer cenário: quando o ambiente econômico melhora de verdade, o retorno não vem em uma onda só. 

Entre 2016 e 2019, o Ibovespa subiu em todos os quatro anos, algo perto de 39%, 27%, 15% e 32%. A virada não foi um dia de euforia. Foi uma sequência de anos em que juro mais baixo, lucro maior e confiança foram se reforçando.

Isso tem uma consequência prática. Quem chegou atrasado, só no começo de 2018, quase dois anos depois do início da virada, ainda viu o Ibovespa acumular mais de 50% nos dois anos seguintes. O passado não garante nada sobre o futuro, mas mostra como esses ciclos costumam se comportar.

Então, se você está lendo isto com a sensação de que perdeu o bonde na segunda-feira, a minha mensagem é simples: não precisa ter pressa. 

Ninguém precisa tomar uma decisão grande nesta semana, com o segundo turno pela frente e os preços mudando a cada pesquisa. Se o ambiente realmente mudar, vai haver tempo para ajustar a carteira com calma, em etapas e no tamanho certo para o seu perfil.

O que não faz sentido é o outro extremo: ficar 100% no CDI esperando uma certeza que nunca vai chegar; isso raramente é recomendado por nós.

O que cinco anos de CDI não provam

O CDI ter ganhado de tudo por cinco anos não prova que ele é o melhor investimento. Mostra que vivemos um período fora do normal, em que o país pagou um dos juros reais mais altos do mundo por tempo demais. E isso não se sustenta para sempre.

Ninguém precisava ter adivinhado a manhã de segunda-feira. E ninguém precisa correr atrás dela agora. Se o ciclo for real, ele vai durar muito mais do que uma manhã.

Como saber se sua carteira está posicionada para os próximos cinco anos

Se a sua carteira passou os últimos anos migrando para o CDI e você quer entender como ela está posicionada para os próximos cinco, fale com a gente. 

Em uma conversa com o nosso time, fazemos avaliação completa: onde você está hoje e o que faz sentido ajustar, sem pressa e sempre com olhar de longo prazo.

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