A Seleção Internacional da Nord para Buscar o Hexa nos Investimentos

Veja como montar uma carteira internacional equilibrada com ETFs, renda fixa, ouro e ações globais usando uma seleção inspirada no futebol

Henrique Vasconcellos 31/05/2026 09:00 9 min
A Seleção Internacional da Nord para Buscar o Hexa nos Investimentos

Se você não gosta de futebol, Copa do Mundo ou de investimentos, este artigo não é para você. Mas, se gosta de ganhar dinheiro com investimentos e de futebol, então… vem comigo. 

Como todo bom time de futebol, uma carteira precisa de jogadores com funções diferentes. Infelizmente, uma equipe composta apenas por atacantes não ganha jogos, e muito menos campeonatos. 

Ou seja, não vamos ter apenas ações nessa escalação; elas são ofensivas, arrojadas e criativas — essas vamos guardar para o nosso ataque. 

Antes disso, precisamos de equilíbrio entre renda fixa, ativos de proteção, posições mais estáveis, criatividade no meio-campo e, claro, alguns nomes capazes de decidir o jogo e que hoje estão em boa fase. 

Vamos à escalação:

O goleiro da seleção: VOO e o S&P 500

 Linha de defesa e goleiro da nossa seleção. Fonte: Nord

Você sabia que, em média, um goleiro participa de cerca de 40 ações durante uma partida de futebol? Dessas 40, a minoria acontece com as mãos. 

Um goleiro faz, em média, algo próximo de seis ações com as mãos, incluindo defesas e interceptações de cruzamentos. As outras participações vêm com os pés, seja em tiros de meta, reposições ou na construção das jogadas. Por isso, no futebol moderno, saber jogar também virou uma exigência para a posição.

Na nossa seleção não será diferente. Por essa razão, nosso goleiro é o VOO, ETF que replica o S&P 500.

Investir no S&P 500 não é o investimento mais seguro do mundo. Mas, talvez, seja o mais essencial em uma carteira internacional. 

O papel do VOO em uma carteira global

O nosso goleiro (VOO) não entra apenas para trazer segurança. Ele também participa da construção do jogo e do patrimônio. Em uma carteira global, a bola provavelmente vai passar pelos pés dele mais vezes do que pelos pés do atacante.

O S&P 500 é um investimento quase atemporal. Representa a principal bolsa do mundo, reúne boa parte das empresas mais importantes da economia americana e segue sendo uma das formas mais simples de se expor ao crescimento dos Estados Unidos. 

Historicamente, o índice entrega algo próximo de 10% ao ano em dólar, mas esse retorno vem com sustos pelo caminho.

Como todo bom goleiro, ele também falha. Em média, o S&P 500 costuma passar por quedas relevantes ao longo dos anos. Correções de 10% são comuns. Recuos de 20% aparecem de tempos em tempos. Já oportunidades de comprar após uma desvalorização próxima de 50% são raras. Ainda assim, o índice segue se reinventando. 

Empresas saem, empresas entram, novas vencedoras ganham peso e puxam o índice para cima ao longo do tempo.

A defesa da carteira internacional

Se o goleiro é a base da construção, a zaga é onde a carteira precisa mostrar seriedade. 

É a parte do time que não vai aparecer no compilado de melhores momentos, mas que impede uma carteira ofensiva demais de tomar três gols no primeiro contra-ataque. Aqui entram ativos que não têm a função de encantar, mas de dar sustentação.

BOXX: proteção e preservação de capital

O primeiro zagueiro é o BOXX, um ETF que busca entregar um retorno parecido com títulos de curtíssimo prazo do Tesouro americano, mas usando uma estratégia com opções chamada box spread. 

Na prática, é uma alternativa para a parcela mais conservadora da carteira, com baixa duração e foco na preservação de capital — uma excelente alternativa para o caixa. É o zagueiro técnico. 

Não dá carrinho toda hora, não precisa sair jogando bonito, mas está lá para diminuir risco, segurar o placar e deixar a carteira respirar.

HYG: renda fixa com maior retorno potencial

O segundo zagueiro é o HYG, ETF de títulos corporativos high yield em dólar. Aqui já existe mais risco. 

High yield é dívida de empresas com menor qualidade de crédito, então não estamos falando de um ativo defensivo no mesmo sentido do BOXX. Mas ele também não é um atacante. 

O papel do HYG é trazer carrego e retorno potencial maior dentro da renda fixa, aceitando mais volatilidade e risco de crédito. É o nosso zagueiro mais bruto: aquele que entra mais forte na dividida, que pode tomar amarelo, mas ajuda a ganhar jogo quando o time precisa de presença física.

Nas laterais, a função é suporte. O futebol mudou, e as carteiras também. Lateral hoje precisa recompor, fechar por dentro, dar opção de passe e aparecer no ataque só quando o jogo permite. 

No nosso time, os laterais não estão aqui para serem protagonistas. Eles entram para dar equilíbrio em cenários diferentes de mercado.

JAAA: geração de renda com menor sensibilidade aos juros

Na lateral direita, escalamos o JAAA, um ETF focado em CLOs com rating AAA, buscando preservação de capital e renda corrente com exposição de taxa flutuante. 

É uma peça de renda fixa mais sofisticada, mas a função é simples: entregar carrego com qualidade de crédito elevada e menor sensibilidade a juros do que títulos longos tradicionais. É o lateral confiável. 

Apoia quando dá, recompõe rápido e raramente compromete o sistema. Tem características parecidas com o BOXX, mas entrega um retorno maior, com um risco um pouco maior também. 

IAU: o ouro como proteção patrimonial

Na lateral esquerda, entra o IAU, ETF de ouro. O ouro é um jogador estranho. Passa longos períodos sem parecer essencial, mas, em certos jogos, vira peça decisiva. Não gera lucro, não paga dividendo e não tem fluxo de caixa. 

Mesmo assim, historicamente, funciona como proteção em momentos de estresse, perda de confiança em moedas, inflação persistente ou choques geopolíticos. É o lateral que talvez não seja o mais bonito de assistir, mas que pode salvar o time em uma noite ruim.

 Desempenho de VOO, BOXX, HYG, JAAA, IAU nos últimos quatro anos. Fonte: Bloomberg

Essa defesa não existe para ganhar o campeonato sozinha. BOXX, HYG, JAAA e IAU têm funções diferentes, riscos diferentes e comportamentos diferentes. No entanto, juntos, ajudam a criar uma carteira menos dependente de um único cenário. 

O meio-campo da carteira global

 Desempenho de VT, BN, Nord Global e TSMC nos últimos quatro anos. Fonte: Bloomberg

O meio-campo existe para fazer o time jogar. É ali que a bola circula, o ritmo é controlado e as melhores jogadas começam a nascer. 

Um bom meio-campo não precisa ser composto apenas por craques ofensivos. Precisa ter equilíbrio, leitura de jogo, capacidade de recompor e, principalmente, qualidade para transformar posse de bola em chance real.

VT: diversificação internacional 

O nosso primeiro volante é o VT, ETF global da Vanguard. Se o VOO é a nossa exposição essencial aos Estados Unidos, o VT é a peça que lembra que o mundo não acaba em Nova York. 

O VT investe em milhares de empresas ao redor do mundo, incluindo Estados Unidos, Europa, Japão, emergentes e outras geografias. É o volante que cobre o campo. Não é o jogador mais criativo do time, mas aparece em todos os lados, fecha espaços e evita que a carteira fique dependente demais de um único país.

Brookfield: exposição a ativos reais

Ao lado dele, escalamos a Brookfield (BN). Aqui, a ideia é diferente. Brookfield é uma companhia diversificada, com presença em gestão de ativos, infraestrutura, energia renovável, real estate, crédito, seguros e ativos reais. 

É o jogador polivalente do meio-campo. Pode atuar como primeiro volante, segundo volante, meia de ligação e até aparecer na área quando o jogo permite. Talvez não seja o nome mais midiático da escalação, mas é uma empresa que entende de alocação de capital, ciclos longos e ativos difíceis de replicar.

Nord Global: a estratégia de stock picking

Mais à frente, vestindo a camisa 10, entra o Nord Global. Pode parecer estranho colocar uma carteira recomendada no meio do time, mas faz sentido. É aqui que entra o stock picking. O ETF resolve a exposição ampla. 

A renda fixa dá sustentação. O ouro protege em momentos estranhos. Mas a camisa 10 existe para tentar criar algo acima da média. É onde tentamos escolher empresas, ajustar pesos, mudar a formação quando necessário e buscar alpha contra o benchmark.

TSMC: a empresa no centro da revolução da IA

Para completar a criação, escalamos a TSMC. Para mim, ela é uma das peças mais importantes dessa equipe. A TSMC talvez não seja o atacante que aparece fazendo três gols no Fantástico, mas é o jogador que faz o time inteiro funcionar melhor. 

Ela está no centro da cadeia global de semicondutores, fabrica os chips mais importantes do mundo e viabiliza boa parte da revolução de inteligência artificial. Nvidia, Apple, AMD, Broadcom e várias outras dependem da capacidade industrial da empresa para transformar design em produto real.

Esse é o tipo de meia que não precisa driblar cinco jogadores para ser decisivo. Ele organiza o jogo por trás, dá o passe antes da assistência e sustenta o ritmo do time.

Em uma carteira internacional, a TSMC cumpre uma função parecida: ela conecta tecnologia, indústria, escassez de oferta, crescimento estrutural e uma posição competitiva muito difícil de replicar.

O ataque da seleção internacional da Nord

Precisamos de gols, assistências e também daquela estrela improvável — quase que uma aposta para buscar o hexa. E nisso, combinamos no nosso ataque o momento de um e a aposta no outro. 

Alphabet: uma das líderes globais em tecnologia

O primeiro atacante é a Alphabet (GOOGL). Talvez seja o jogador mais completo do nosso ataque e que passa pela melhor fase. A empresa tem Search, YouTube, Android, Cloud, Gemini, chips próprios (TPUs), Waymo e uma das maiores distribuições de usuários do planeta. Dentro de IA, ela aparece em praticamente todos os lugares. Tem modelo, produto, infraestrutura, dados e distribuição. É aquele atacante que faz gol de falta, de cabeça, de pênalti e também em jogada trabalhada.

QQQU: uma aposta para buscar retornos maiores

O segundo atacante é o QQQU, ETF alavancado das Magnificent 7. Esse é o nosso jogador de Copa. Ele oferece exposição alavancada a algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo, o que aumenta o potencial de retorno, mas também eleva muito a volatilidade.

Por isso, o QQQU precisa ser tratado como aposta ofensiva, não como peça estrutural. Ele não é VOO, não é VT e muito menos BOXX. É o atacante de explosão. Entra para buscar assimetria, sabendo que o tamanho da posição precisa respeitar o risco. É aquela nossa aposta. O Endrick do nosso time. 

Como ficou a seleção internacional da Nord

 Elenco completo para a Copa. Fonte: Nord

Com isso, fechamos a nossa seleção. 

Uma mistura de renda fixa, ativos reais e ativos de risco. Temos o equilíbrio entre posições essenciais na carteira de todos e uma pitada de apostas que possam nos trazer o hexa.

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