BTG Pactual (BPAC11) no 2T26: lucro sobe 23% no 2T26 e ROE fica em 26,7%
O BTG lucrou R$ 4,9 bilhões no 2T26, com ROE de 26,7%, mesmo com queda de 46% no banco de investimento. Confira a análise e as perspectivas para BPAC11
O BTG Pactual (BPAC11) fechou o 2T26 com lucro líquido ajustado de R$ 5,1 bilhões, alta de 23%, e ROE de 26,7%, demonstrando a resiliência do modelo de negócios do banco mesmo em um cenário adverso.
Confira mais detalhes a seguir.

No segundo trimestre de 2026 (2T26), o BTG captou R$ 59 bilhões líquidos. Desse total, R$ 29,4 bilhões vieram da Asset, que alcançou R$ 1,4 trilhão em ativos sob gestão e administração (+25%), mesmo em um período marcado por resgates líquidos na indústria de fundos brasileira. Já a Wealth captou R$ 29,1 bilhões, elevando os ativos sob gestão para R$ 1,3 trilhão (+24%).
A carteira de crédito para empresas cresceu +21% e alcançou R$ 288,5 bilhões, sendo R$ 262 bilhões em grandes empresas (+25%) e R$ 27 bilhões em PMEs (-7%, em função dos spreads menos atrativos no momento).
Já a carteira de Consumer Finance (Pan + participação proporcional no MeuTudo) cresceu +35%, alcançando R$ 78 bilhões, impulsionada pela originação no consignado privado e no financiamento de veículos.
As receitas no Banco de Investimento caíram -46%, refletindo uma base de comparação muito forte — 2T25 do BTG foi recorde para a divisão — e um ambiente de mercado menos aquecido no momento. Na Mesa de Operações (S&T), a queda foi de -3%, impactada pela menor atividade dos clientes e por uma postura mais conservadora na alocação de risco com capital próprio.
Já as receitas no Crédito para Empresas cresceram em linha com a carteira (+19%), apesar da menor contribuição da área de special situations, responsável pela aquisição de ativos e créditos em dificuldade.
Em Consumer Finance, as receitas avançaram fortes 73%, acima do crescimento da carteira, beneficiadas pela consolidação dos 20% remanescentes do Banco Pan, pelo reconhecimento das receitas do MeuTudo — com todo o 1S26 consolidado neste trimestre; a partir do 3T26, a consolidação passa a refletir apenas o resultado trimestral — e pela contribuição da Too Seguros.
Na Asset, a receita aumentou em linha com AuM/AuA (ativos sob gestão e administração), avançando +27%, com retorno sobre ativos estável. Já na Wealth, o crescimento foi um pouco menor do que o do WuM (ativos sob gestão de clientes de alta renda), somando +17%, impactado por um ambiente de mercado menos favorável, que afetou o mix de produtos e a monetização da base.
Com um crescimento de +29% na remuneração do patrimônio do banco (em linha com o crescimento do PL, dada a Selic estável a.a.), as receitas totais cresceram +16% no 2T26, demonstrando a resiliência do modelo de negócios do banco, mesmo em um cenário adverso.
No lado das despesas, o avanço foi de apenas +13%, mesmo com as incorporações do Pan e MeuTudo elevando os gastos administrativos, de pessoal e com amortização de ágio, o que levou o índice de eficiência (despesas sobre receitas) a 37% (-1,4 p.p., quanto menor, melhor).
Com a alavancagem operacional e uma alíquota efetiva de impostos um pouco menor (devido ao mix de receitas), o lucro do BTG cresceu +23% e seu ROE se manteve em elevados 26,7% (-0,5 p.p.).

Perspectivas para o BTG Pactual (BPAC11)
Mesmo com cenário macro desfavorável, o BTG segue entregando uma forte expansão de receita, impulsionada pela Asset, Wealth e suas áreas de Crédito.
O lucro, por sua vez, avança em ritmo ainda mais acelerado, refletindo a alavancagem operacional do modelo de negócios e a maturação dos investimentos orgânicos e inorgânicos realizados para diversificar seus negócios ao longo dos últimos anos.

Postura mais conservadora diante do cenário
A postura da empresa tem sido mais conservadora recentemente, tendo em vista as preocupações com o alto endividamento das famílias e do governo em um cenário de juros ainda elevados.
Na visão do banco, a economia segue aquecida por conta dos elevados gastos do governo, mas a partir de 2027 pode haver uma desaceleração e um ciclo mais desafiador.
Mudança no perfil de risco e meta de crescimento
A empresa alterou o perfil de risco na concessão, focando nas grandes empresas, ampliando a exposição internacional e priorizando produtos colateralizados (com garantia) no crédito para pessoa física.
Ainda assim, segue entregando um forte crescimento em suas carteiras de crédito, diante do amplo espaço para ampliação de seu market share em diversos produtos e geografias (perspectiva de continuar crescendo pelo menos 15 a 20% a.a.).
Banco Pan e MeuTudo: integração adiantada
A integração do Banco Pan tem ocorrido de forma mais acelerada do que o esperado e o BTG acredita que a meta de convergir o ROE do Pan para o ROE do BTG (hoje ainda um pouco abaixo de 20%) poderá até ser alcançada um ou dois trimestres antes da meta (final de 2028).
O BTG também já declarou que tem a intenção de adquirir o controle da MeuTudo, caso a parceria continue evoluindo bem.
BPAC11 vale a pena no preço atual?
A Nord segue confiante na capacidade de entrega do BTG, que já mais do que provou que consegue entregar um forte crescimento e ser altamente rentável mesmo em um cenário desfavorável.
Negociando a menos de 11x lucros e mantendo excelentes perspectivas, continuamos enxergando BPAC11 como uma boa oportunidade.
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