O que a Bolsa está precificando antes da eleição de 2026

Small caps, bancos e varejo dispararam na Bolsa brasileira. Entenda o que esse movimento revela sobre a leitura do mercado para a eleição de 2026

Marilia Fontes 01/10/2026 08:50 3 min
O que a Bolsa está precificando antes da eleição de 2026

No último pregão de setembro, o Ibovespa subiu 1,37% e fechou a 186.340 pontos. Com isso, o mês terminou com alta de 5%, o melhor desempenho do índice desde janeiro.

No entanto, o movimento mais interessante não estava nas grandes empresas, e sim nas pequenas. 

O índice de small caps (SMLL) subiu 1,93%, e nomes muito ligados à economia doméstica e aos juros que gostamos também valorizaram: Lavvi +5,7%, Movida +7% e Inter +3%. Entre os grandes, os bancos foram à festa: Itaú subiu 4,68%, Banco do Brasil 4,67% e Bradesco 4,11%.

O juro longo também caiu. O Tesouro IPCA+ 2050 fechou a IPCA + 6,93%, a primeira vez abaixo de 7% desde maio. O dólar recuou 0,81% e terminou a R$ 5,17.

O exterior ajudou: a inflação americana (PCE) veio abaixo do esperado e reduziu o medo de uma nova alta de juros pelo Fed. Mas isso não explica por que small caps, bancos e varejo doméstico subiram tanto mais que o resto. Essa parte do movimento tem nome: trade eleitoral.

O que o mercado está precificando

As pesquisas da semana mostram Lula e Flávio Bolsonaro empatados tecnicamente. A Meio/Ideia trouxe Lula com 39,4% e Flávio com 38,4% no primeiro turno, e a Atlas/Bloomberg aponta empate no segundo turno. 

Para o mercado, empate com tendência de alta da oposição é um sinal. E ele está apostando nesse sinal.

A lógica é conhecida: uma vitória da oposição seria lida como uma chance de ajuste fiscal. Isso derrubaria o prêmio de risco, abriria espaço para juros menores por mais tempo e beneficiaria exatamente as empresas que mais sofreram com a Selic alta, como incorporadoras, locadoras, bancos médios e varejo. Não por acaso, foram elas que subiram.

Em outras palavras, o mercado está se preparando para uma vitória de Flávio.

Isso vai acontecer?

Não sabemos. E ninguém sabe.

As pesquisas estão dentro da margem de erro. O primeiro turno é neste domingo, 4 de outubro, e o segundo turno ainda tem quatro semanas de campanha pela frente. Muita coisa pode mudar. 

Quando o mercado antecipa um resultado que ainda não aconteceu, o risco fica assimétrico: se o cenário se confirmar, boa parte da alta já está no preço. Se não se confirmar, a correção tende a ser rápida e forte.

O que eu estou fazendo?

Estou reduzindo risco, como vocês já sabem. Trabalhando mais nas vendas. 

Não é porque eu esteja pessimista. Aliás, estava muito bem posicionada na Bolsa antes de tudo isso. Entrei em small caps e peguei essa tendência de melhora. 

Mas não faz sentido fazer uma aposta binária com o dinheiro de longo prazo. Após um mês de 5% na Bolsa e com o juro real longo abaixo de 7%, parte do ganho já foi capturada, e parece prudente embolsar uma fatia antes de uma decisão importante.

Aqui vai o ponto que não podemos esquecer: se o cenário final for positivo, dá tempo de voltar. Uma mudança de rumo na política econômica não se precifica em um dia nem em uma semana. Seria um ciclo longo de reprecificação de ativos, e eu acredito que essa alta teria fôlego para seguir por um bom tempo, principalmente nas small caps, que continuam muito baratas mesmo depois do rali de ontem. Quem entrar depois da eleição ainda pegaria boa parte do movimento.

Por isso, não vejo motivo para ansiedade. Quem reduz risco agora não perde o trem. Só escolhe embarcar com mais informação.

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