Bolsa brasileira sobe com crise no STF: entenda a aposta do mercado na eleição de 2026

Mensagens entre Vorcaro e Moraes mudaram as apostas eleitorais. Entenda por que a Bolsa reagiu bem e quem está comprando essa alta

Marilia Fontes 03/09/2026 08:40 4 min
Bolsa brasileira sobe com crise no STF: entenda a aposta do mercado na eleição de 2026

Nas últimas semanas, vieram à tona mensagens atribuídas a uma conversa entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e um número associado ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. Some a isso contratos que somariam R$ 131 milhões ao longo de 36 meses, envolvendo o próprio Moraes, e outros R$ 129 milhões em pagamentos recebidos pela mulher dele. 

O caso ganhou pressão internacional e reacendeu o debate sobre o papel do STF a poucas semanas da eleição presidencial.

Escândalo Moraes-Vorcaro muda as chances de Lula e Flávio Bolsonaro na eleição 

O mercado, como sempre faz, olhou para o caso e perguntou uma coisa só: isso muda o resultado da eleição? A resposta que vem sendo precificada é, sim, ainda que aos poucos. 

As casas de aposta, que funcionam como termômetro de expectativa, mostravam Lula com 61% de chance de vitória e Flávio Bolsonaro com 23% em julho. 

Agora, Lula aparece com 62% e Flávio já em 35%, um avanço relevante do senador em termos relativos. 

A pesquisa Quaest reforçou esse movimento ao mostrar a vantagem de Lula sobre Flávio em um eventual segundo turno, caindo de três pontos percentuais para apenas um, com ambos tecnicamente empatados.

Gráfico do Polymarket mostrando evolução das probabilidades de vitória na eleição presidencial de 2026 no Brasil, com Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos e Augusto Cury
 Evolução das probabilidades de vitória na eleição presidencial de 2026, segundo o mercado de apostas Polymarket. Fonte: Polymarket.com

Como o mercado financeiro está reagindo à crise no STF

Faria Lima recebeu bem essa notícia. Um cenário mais competitivo reduz a chance de continuidade do atual arranjo fiscal, e a Bolsa historicamente reage bem a qualquer sinal de que o desenho de política econômica pode mudar. 

Teve um dia de ruído nessa história: uma reportagem específica ligando o próprio Flávio a conversas com Vorcaro derrubou o Ibovespa e levou o dólar de volta para cima de R$ 5. Foi um soluço pontual, não a tendência da semana. 

O movimento dominante segue sendo de alta, puxado pelo enfraquecimento relativo de Lula nas apostas do mercado.

Investidor local volta à Bolsa brasileira: entenda o movimento

O que chama atenção nesse rali é quem está comprando. 

O fluxo estrangeiro tinha entrado na Bolsa no começo do ano e saído de parte da compra logo depois. Mas agora quem voltou para a Bolsa com mais convicção foi o investidor local, que vinha represado em renda fixa com o juro real na casa de 8% e começou a se sentir mais confortável em assumir risco agora que o cenário eleitoral ficou mais embolado. 

Isso muda o tipo de ação que sobe. Gringo historicamente concentra seus investimentos em Petrobras, bancos e exportadoras, os nomes grandes e líquidos. Local, quando volta com apetite, costuma garimpar empresas menores, mais domésticas, mais dependentes do consumo e do crédito interno.

Ações que ganham com a volta do investidor local à Bolsa 

Lavvi, Petz, Movida e Inter subiram mais de 5% nesta última semana.

Tem catalisadores específicos em alguns casos, como a Lavvi, que concluiu uma fase importante de distribuição de dividendos; e a Movida, que anunciou uma recompra de ações, mas o pano de fundo comum é o mesmo: são empresas com receita e operação quase inteiramente brasileiras, que sofrem mais com juro alto e ganham mais quando o investidor local volta a se sentir dono do próprio mercado. 

Vale registrar que essa recuperação ainda é pontual, não um movimento generalizado de todas as small caps. O índice de small caps, como um todo, segue rodando bem atrás do Ibovespa neste ano, a maior diferença em duas décadas, porque o rali até aqui foi concentrado nos nomes grandes que o estrangeiro escolheu.

O que realmente move a Bolsa em momentos de crise política 

Fica o aprendizado de sempre nesse tipo de episódio. Notícia política pesada não se traduz automaticamente em Bolsa caindo; o que importa é se ela muda a probabilidade de continuidade ou de mudança da política econômica. 

Um escândalo que fragiliza quem está no poder, mesmo vindo do Judiciário e não do Planalto, acaba sendo lido pelo mercado como um ativo de risco melhorando, não piorando. 

Nessa reta final de eleições, a Bolsa vai ficar bem volátil e ao sabor das pesquisas eleitorais. Eu, como investidora, evito ações caras ou posições já bem precificadas em momentos binários como esse. Prefiro nomes que ficaram para trás em momentos de grande assimetria, como o atual.

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