Banco Master mostra que o FGC não garante tudo
A novela do Banco Master expõe um risco ignorado por muitos investidores: o tempo. Descubra por que o FGC não basta para proteger seu dinheiro
Janeiro começou com um velho conhecido dos investidores brasileiros: o risco real de ver o dinheiro travado. No caso do Banco Master, milhões de reais seguem congelados, sem render, enquanto o pagamento do FGC se arrasta, com uma lentidão que já marca recordes históricos.
O que está acontecendo com o Banco Master?
Em novembro de 2025, o Banco Central (BC) decretou a liquidação do Banco Master por falta de garantias de solvência. A decisão revelou fraudes de R$ 12 bilhões em "empréstimos fantasmas".
O caso tomou um rumo dramático quando o ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, sinalizou a reversão da liquidação. Ele determinou uma inspeção presencial no BC para investigar os fundamentos da medida.
O ministro alegou que a nota técnica do Banco Central não apresentava provas documentais suficientes das fraudes relatadas. Ele defendia que era preciso avaliar se a desagregação dos ativos poderia evitar a destruição de valor.
Após pressão pública, o TCU suspendeu a inspeção determinada por ele para apurar os procedimentos adotados pelo Banco Central na liquidação extrajudicial do Banco Master.
Investidores aguardam reembolso há +45 dias
No caso do Banco Master, milhões de reais seguem congelados à espera do FGC — e o dado objetivo chama atenção: esse já é o pagamento mais lento do Fundo em mais de uma década, superando praticamente todos os casos recentes.
Desde o BVA, lá em 2012, o mercado não via algo parecido.

O print acima ajuda a deixar isso claro. O sistema pode funcionar. Mas ele não funciona no tempo do investidor.
Enquanto isso, o que deveria ser um processo técnico se tornou um labirinto institucional:
- intervenção do TCU;
- influenciadores pagos para defender o banco;
- questionamentos à decisão do Banco Central;
- judicialização de uma liquidação que, em tese, deveria seguir rito claro e previsível.

A dor de cabeça que o FGC pode trazer
O caso do Banco Master expõe o custo do tempo no FGC. Esse é um ponto que muitos ignoram.
No Brasil, confiar cegamente em regras, garantias e órgãos é assumir que tudo será rápido e organizado. Mas a realidade é outra. As normas existem, só que o caminho até sua execução costuma ser lento, confuso e desgastante.
É preciso ser direto: o problema não é só o Banco Master. O problema é a ilusão recorrente de que “está garantido” significa “está resolvido”.
E é justamente essa diferença que o caso escancara logo no começo do ano.
FGC vai pagar aos investidores do Banco Master?
O pagamento do FGC deve acontecer, mas o risco está no caminho. É importante tomar cuidado com discursos alarmistas. O cenário mais provável continua sendo o pagamento aos credores do Banco Master.
Uma não execução seria um choque grande demais para o sistema financeiro e criaria um precedente extremamente perigoso.
Dito isso, o risco real não está no se paga ou não paga. Está no caminho até o pagamento.
Hoje, o processo depende da entrega da lista definitiva de credores por parte do banco. É justamente aí que surgem os ruídos: questionamentos sobre números do banco, qualidade das informações e possíveis inconsistências. Qualquer dúvida nesse ponto pode virar atraso. E o atraso, aqui, custa caro.
Por que a reversão é improvável
Quando olhamos para o barulho envolvendo TCU, STF e pressões políticas, a leitura é relativamente clara: isso não parece caminhar para uma reversão da liquidação.
Funciona muito mais como tentativa de ganhar tempo, pressionar o regulador e criar ruído institucional.
Uma reversão da liquidação seria um problemão. Abriria um precedente perigoso, enfraqueceria a segurança jurídica e colocaria em xeque a autonomia do Banco Central. O custo disso para o sistema seria muito maior do que o de concluir o processo atual.
Por isso, a mensagem central aqui é simples: o risco não é binário. Não é “paga ou não paga”. É processual, político e, principalmente, temporal.
Banco Master expõe o custo do tempo no FGC
Aqui está o ponto que mais machuca e que quase ninguém explica direito. Enquanto o dinheiro está parado aguardando o FGC, ele não rende nada.Não acompanha o CDI. Não corrige a inflação. Não gera juros compostos.
Na prática, cada 30 dias de atraso equivalem a algo próximo de 10% do CDI, ou cerca de 1,2% de retorno perdido ao mês, dependendo da aplicação que você fez.
Coloque isso na conta.
Dois meses de espera já são suficientes para comer todo o “retorno extra” que foi vendido naquele CDB supostamente maravilhoso, com taxa acima da média do mercado.
Muitos investidores entraram nessas emissões atraídos por taxas agressivas, com o discurso de que “vale a pena porque tem FGC”. O problema é que tempo também é risco — e esse risco raramente é precificado na hora da venda.
Gestão de risco exige análise além da taxa
Na Nord, a análise segue outra lógica. Ela não começa no FGC — termina nele. Antes disso, existe um processo estruturado de avaliação, que cobre mais de 60 bancos, com classificação por diferentes níveis de risco, e decisões tomadas de forma independente de comissões e campanhas comerciais.
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Temos uma visão simples e tradicional sobre risco bancário: quebra de banco quase nunca é acidente.
Normalmente, ela vem junto de problemas conhecidos — governança fraca, crescimento acelerado demais, captação agressiva e pouca transparência.
Por isso, é importante ser claro: nunca alocamos recursos de clientes em emissões do Banco Master.
Não por tentar adivinhar o futuro, mas por seguir um processo de análise e gestão de risco.
Gestão de risco no Brasil exige muito mais do que olhar uma planilha de taxa e confiar no carimbo do FGC.
Isso é algo que, infelizmente, boa parte dos assessores e gerentes médios simplesmente ignora — até o dia em que o risco deixa de ser teoria e vira um problema de verdade.
Considerações finais
Os desdobramentos políticos, jurídicos e institucionais continuam em andamento, e é razoável esperar que novos capítulos ainda apareçam. Esse tipo de história raramente se resolve de forma rápida ou limpa no Brasil.
Mas é importante ampliar o olhar.
Nada disso é exatamente novidade. Casos parecidos já aconteceram no passado — e vão acontecer de novo. O sistema muda, os nomes mudam, mas a dinâmica se repete.
Existe um conflito estrutural no mercado que precisa ser dito de forma clara: os produtos mais arriscados tendem a pagar taxas mais altas ao investidor, mas também comissões mais gordas para quem vende. E é aí que o alinhamento começa a se perder.
Por isso, vale a mensagem dura e honesta: conflito de interesse e boa gestão de risco caminham em direções opostas.
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