Lucro do Banco do Brasil (BBAS3) despenca -40% no 4T25
Apesar do resultado negativo, o lucro líquido veio acima das expectativas do mercado. Saiba o que fazer com BBAS3
O Banco do Brasil (BBAS3) apresentou um resultado ruim no 4T25, mas acima das expectativas do mercado.
Seguindo dinâmica semelhante à dos trimestres anteriores, o banco registrou forte queda em seu lucro líquido.
Saiba, abaixo, o que está acontecendo com os resultados do BB, o que esperar daqui para frente e o que fazer com as ações de BBAS3 neste momento.

Carteira de crédito avança, mas inadimplência preocupa
No 4T25, o destaque levemente positivo foi a carteira de crédito expandida do Banco do Brasil, que atingiu R$ 1,3 trilhão, alta de +2,5% na comparação anual.
Na subdivisão da carteira expandida, o destaque ficou por conta da carteira PF, que avançou +8%, enquanto PJ e Agro tiveram um crescimento tímido, de +1% e +2%, respectivamente.
Já a margem financeira bruta (receita de juros) cresceu +4%, com melhora nas operações de crédito, enquanto a receita de prestação de serviços teve queda de -4%, com piora na conta corrente e outros segmentos menores, que foi parcialmente compensada pelo desempenho em administração de fundos.
Em meio ao cenário desafiador no agronegócio brasileiro, com produtores rurais pressionados por dívidas acumuladas de safras anteriores e preços reduzidos de grãos, a inadimplência (acima de 90 dias) no setor saltou para 6,09% (vs. 2,23% no 4T24).
Enquanto isso, a inadimplência PF saltou de 4,66% (4T24) para 6,56%, levando a consolidada de 3,16% para 5,17%. Desconsiderando um caso específico de uma empresa do segmento PJ no valor de R$ 3,6 bilhões, esse indicador cairia para 4,88%.

Dessa forma, o custo de crédito (basicamente, provisões para devedores duvidosos) subiu +94%, com forte contribuição do agronegócio, mas também com o agravamento de alguns casos específicos de grandes empresas na carteira PJ.
Com uma margem financeira praticamente estável e um custo de crédito muito maior (além de uma alta de +4% nas despesas administrativas), o lucro líquido ajustado do BB foi de R$ 5,7 bi, representando uma baixa de -40% em relação ao 4T24. Vale lembrar que se não fosse a linha positiva de imposto de renda, a queda seria ainda maior.
Por fim, com a queda de seu lucro, o ROE (ou “RSPL” = Retorno Sobre Patrimônio Líquido) caiu para 12,4%, ante 20,8% no mesmo período do ano passado. No consolidado de 2025, o ROE foi de 11,4% (-10 p.p. versus 2024).

Guidance (revisado) alcançado
Após diversas revisões negativas, o BB cumpriu todas as linhas de seu guidance (projeções) para 2025. Por exemplo, o lucro líquido do ano foi de R$ 20,7 bi, ficando dentro do intervalo esperado de R$ 18 bi a R$ 21 bi, mas muito abaixo das projeções originais, de R$ 37 bi a R$ 41 bi.

Para 2026, o ambiente permanece desafiador, com lucro líquido esperado entre R$ 22 bi e R$ 26 bi (um pouco mais que a metade do guidance original de 2025).

Conforme expectativas do CFO do BB, Giovanne Tobias, o 4T25 foi melhor que o apresentado no 3T25, mas ainda abaixo do 1T25.
Vale a pena comprar BBAS3 após o 4T25?
Com o Banco do Brasil negociando a cerca de R$ 143 bilhões na Bolsa e considerando o ponto médio do seu guidance, BBAS3 estaria negociando a um múltiplo Preço/Lucro de 6x para 2026.
Ainda que pareça baixo, o valor está acima da média histórica do BB, que gira em torno de 5x.
Sim, seu lucro pode se recuperar e, consequentemente, reduzir seu P/L (aumentando, assim, sua atratividade). Porém, como já comentamos, o “quando” ainda é incerto.
Além de um múltiplo maior, seu dividend yield deverá seguir pressionado no curto prazo.
Considerando o mesmo lucro e um payout de 30% (o mesmo praticado em 2025), o rendimento de seus dividendos ficaria em torno de 5% — abaixo da média histórica da Bolsa (6%) e bem pior do que temos buscado na carteira do Nord Dividendos (8%).
Dessa forma, vemos indicadores pouco atrativos no presente e um futuro ainda incerto.
Ou seja, temos recomendação neutra para BBAS3 no momento.

