Banco Central cria retenção para transferências de criptoativos
Banco Central estabelece retenção de transferências de criptoativos para análise de risco. Nova regra entra em vigor em janeiro de 2027
O Banco Central (BC) estabeleceu novas regras de segurança para operações com ativos virtuais no Brasil. A partir de 1º de janeiro de 2027, determinadas transferências de criptoativos para o exterior ou para carteiras autocustodiadas deverão passar por um período de retenção antes de serem concluídas.
A mudança está prevista na Resolução BCB nº 584 e amplia os mecanismos de prevenção a fraudes aplicáveis ao mercado de ativos virtuais. O objetivo, segundo o órgão, é dar às instituições mais tempo para avaliar operações consideradas de maior risco antes da liberação dos recursos.
Como funciona a retenção de transferências de criptoativos
A nova regra alcança transferências destinadas a empresas de ativos virtuais sediadas no exterior e a carteiras autocustodiadas, conhecidas como wallets, nas quais o próprio usuário controla seus ativos.
A retenção deverá ser aplicada quando a movimentação superar o limite estabelecido pela regulamentação, seja em uma única operação ou considerando o total transferido pelo cliente no mesmo dia.
Durante esse período, a instituição responsável poderá analisar as características da transação, o perfil do cliente, a contraparte e outros fatores utilizados em seus mecanismos de gerenciamento de riscos.
A retenção tem caráter preventivo e não significa que os recursos serão bloqueados definitivamente. Dependendo do resultado da análise, a operação poderá ser liberada antes do término do prazo previsto, desde que a decisão seja fundamentada e registrada pela instituição.
Quando as novas regras do Banco Central entram em vigor
As novas exigências começam a valer em 1º de janeiro de 2027. Até lá, instituições financeiras, instituições de pagamento e prestadores de serviços de ativos virtuais terão de adaptar seus procedimentos e sistemas de controle às novas determinações.
A regulamentação também permite que operações de valores inferiores sejam submetidas a verificações adicionais quando os mecanismos internos da instituição identificarem fatores de risco.
Na prática, isso significa que o valor da transferência não será o único elemento considerado. O comportamento do cliente e as características da operação também poderão determinar a necessidade de uma análise mais detalhada.

O que muda para quem investe em criptomoedas
Para investidores, uma das principais mudanças será a possibilidade de determinadas transferências deixarem de ser executadas imediatamente.
A medida pode ter impacto principalmente sobre usuários que movimentam recursos entre plataformas brasileiras e estrangeiras ou que enviam ativos para carteiras próprias.
Estratégias que dependem da movimentação rápida dos recursos entre diferentes plataformas também poderão ser afetadas pelo período de análise.
Por outro lado, a regulamentação não proíbe transferências para o exterior nem impede o uso de carteiras autocustodiadas. A mudança estabelece uma etapa adicional de controle para determinadas operações.
Por que o Banco Central aumentou o controle sobre criptoativos
A medida, segundo o órgão, busca ampliar os mecanismos de prevenção a fraudes e irregularidades envolvendo ativos virtuais.
Transferências para carteiras autocustodiadas apresentam características diferentes das movimentações realizadas entre instituições reguladas. Como o usuário controla diretamente as chaves da carteira, não existe necessariamente uma instituição intermediária responsável pela custódia dos ativos no destino.
Operações destinadas a empresas localizadas fora do Brasil também podem envolver diferentes ambientes regulatórios, o que aumenta a importância da avaliação da contraparte e da jurisdição envolvida.
Nesse cenário, o período de retenção cria uma janela adicional para que as instituições identifiquem sinais de operações suspeitas antes da transferência dos ativos.
Stablecoins também entram nas novas regras
As exigências não ficam restritas a criptomoedas como bitcoin e ether. Os serviços relacionados a outros ativos virtuais abrangidos pela regulamentação também devem observar os novos controles.
Isso torna a mudança especialmente relevante para o mercado de stablecoins, ativos digitais desenvolvidos para acompanhar o valor de outros ativos, como moedas fiduciárias.
Esses criptoativos são utilizados em diferentes tipos de operações, incluindo negociações em plataformas digitais e transferências internacionais.
Prestadores de serviços de ativos virtuais terão novas obrigações
A Resolução BCB nº 584 também amplia o alcance das regras de prevenção a fraudes para incluir os prestadores de serviços de ativos virtuais.
Com isso, empresas do setor passam a integrar de forma mais ampla a estrutura regulatória de controles, registros e monitoramento estabelecida pelo Banco Central.
As instituições deverão manter mecanismos capazes de identificar riscos antes da conclusão de determinadas transferências e documentar as decisões relacionadas à liberação antecipada das operações.
Banco Central poderá endurecer regras para criptoativos
A regulamentação ainda permite ao Banco Central adotar exigências adicionais quando identificar descumprimento das normas.
Entre as medidas possíveis estão a determinação de períodos maiores de retenção, a aplicação dos controles a operações de menor valor e limitações à possibilidade de liberação antecipada.
Com a mudança, o BC amplia a supervisão sobre o mercado de ativos virtuais e aproxima os procedimentos de prevenção a fraudes das práticas já utilizadas por instituições do sistema financeiro tradicional.
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