Azzas 2154 (AZZA3): conflito entre Birman e Jatahy derruba ações da companhia
Entenda o conflito entre os controladores da Azzas 2154 (AZZA3), os impactos nas ações e o que esperar da companhia
Os holofotes do mercado estão voltados à governança da Azzas 2154 (AZZA3), holding criada pela fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma. O conglomerado de moda contratou o Itaú BBA para ajudar a resolver um conflito entre os principais sócios da empresa, Alexandre Birman, presidente da Azzas 2154, e Roberto Jatahy, um dos fundadores do grupo Soma.
Birman x Jatahy: entenda o conflito na Azzas 2154
Após a saída de Ruy Kameyama (9º executivo a sair desde a conclusão da fusão entre a Arezzo e o Soma), Jatahy havia assumido como CEO da unidade de Fashion & Lifestyle (Women + Men).
Recentemente, Jatahy ingressou com uma ação cautelar para impedir uma possível desintegração da marca Reserva da unidade de negócios sob seu comando, o que poderia desmontar parte das potenciais sinergias a serem criadas na transação (uma perda estimada de R$ 116 milhões em Ebitda).
As notícias recentes dão conta de que o Azzas 2154 teria contratado o Itaú para assessorar as conversas sobre uma possível separação entre as partes, tendo em vista que a relação entre Birman e Jatahy teria, de fato, chegado a um fim.
A ideia é que o Itaú atue como assessor da empresa em eventuais negociações, enquanto os acionistas tendem a levar consultores próprios para defender seus próprios interesses.

O que acontece com as ações da AZZA3?
Nessa disputa, quem perde são os investidores minoritários, que confiaram na gestão da varejista (apesar dos pesares) e no potencial das marcas (de forma individual e através de sinergias entre elas).
Os novos capítulos da novela Birman-Jatahy vêm gerando novas quedas para os papéis do Azzas, que já acumulam baixa de -55% desde a fusão, em agosto de 2024.
O que era barato ficou ainda mais barato
Atualmente, o Azzas 2154 possui um valor de mercado de apenas R$ 4 bilhões — valor inferior ao que a Arezzo&Co e o Grupo Soma valiam antes da fusão de forma individual (R$ 5,3 bi e R$ 4,7 bi, respectivamente), e até ao que foi pago pelo Soma para a comprar a Hering, em 2021 (cerca de R$ 5,1 bi) — ou seja, mesmo que concordemos que exista uma elevação de risco na tese, há também uma elevada irracionalidade na precificação de AZZA3 (que, além do baixo valor de mercado, ainda negocia a menos de 5x lucros no momento).
Vale a pena manter posição em AZZA3?
Mesmo sem clareza sobre os próximos desdobramentos da disputa entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy, seguimos vendo valor nos ativos da Azzas 2154. Seja com a manutenção da fusão ou até em um cenário de separação entre as partes, entendemos que o mercado já precifica um nível bastante elevado de pessimismo para AZZA3 neste momento.
Por isso, nossa visão segue sendo “manter” AZZA3, sem novas compras, até que exista maior visibilidade sobre os rumos da governança e da estrutura da companhia.
Publicamos análises todos os dias para te ajudar a investir melhor — marcar como favorita aumenta as chances dos nossos conteúdos chegarem até você.

