Auren (AURE3) reverte lucro e reporta prejuízo de R$ 602 milhões no 1T26

Os resultados foram impactados por maiores custos com compra de energia e efeitos de marcação a mercado. Veja os destaque do trimestre

Hugo Cabral 08/05/2026 09:37 3 min
Auren (AURE3) reverte lucro e reporta prejuízo de R$ 602 milhões no 1T26

A Auren (AURE3) registrou uma receita líquida de R$ 3,1 bilhões no 1T26, alta de +4% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado foi de R$ 926 milhões, -23% menor. Já o prejuízo foi de R$ -602 milhões, revertendo o lucro líquido de R$ 54 milhões no 1T25.

 Destaques financeiros no 1T26. Fonte: Auren RI

Destaques operacionais e financeiros

No 1T26, a receita líquida da Auren atingiu R$ 3,1 bilhões, um crescimento de +4%, impulsionada principalmente pelo maior volume de energia comercializada (+13%), além da alta de +7% em geração. 

Com os custos com compra de energia (+33%) e as despesas operacionais (+4%) subindo, o Ebitda ajustado (desconsidera a marcação a mercado dos contratos futuros de energia e outros efeitos) foi de R$ 926 milhões, uma queda de -23% na comparação anual. 

Apesar da melhora de -19% no resultado financeiro (negativo), os efeitos de marcação a mercado dos contratos futuros de energia impactaram a Auren, que registrou um prejuízo de R$ -602 milhões, revertendo o lucro líquido de R$ 54 milhões no 1T25.

 Alavancagem 4T25. Fonte: Auren

Por fim, devido em grande parte à aquisição da AES Brasil, a dívida líquida segue alta, em R$ 19,1 bilhões, fazendo com que a sua alavancagem financeira (dívida líquida/Ebitda) permanecesse elevada em 5,2x (vs. 5x no 1T25).

Perspectivas futuras da Auren (AURE3)

Todas as atenções continuam voltadas para a incorporação da AES Brasil (AESB3), que elevou de forma significativa a alavancagem financeira da companhia, prejudicando seus resultados e, consequentemente, a distribuição de proventos, atualmente zerada.

Além disso, o ambiente operacional e regulatório segue desafiador, com menor geração nas usinas hidrelétricas e impactos decorrentes do curtailment (cortes de geração).

Dessa forma, vemos a companhia enfrentando dificuldades no curto e médio prazo, especialmente diante do elevado patamar de juros no país, que aumenta o montante destinado ao pagamento de despesas financeiras.

A expectativa é que a combinação dos ativos e o equilíbrio entre as fontes do novo portfólio da Auren contribuam para um possível processo de desalavancagem em um período mais de longo prazo.

Vale a pena investir na Auren (AURE3)?

Além da alavancagem financeira de mais de 5x, a Auren negocia a um múltiplo EV/Ebitda de 12x, bem acima da média histórica da Bolsa brasileira, de 8,5x. 

A expectativa pode até ser positiva quanto ao aumento da capacidade operacional, mas negativa em relação ao seu lucro líquido, fluxo de caixa e, consequentemente, aos pagamentos de dividendos daqui para frente.

Sendo assim, não temos recomendação de compra para AURE3 no momento.

Quem é a Auren (AURE3)?

Após fusão com a AES Brasil (que saiu da Bolsa), a Auren, controlada pela Votorantim, se tornou a 3° maior geradora de energia do país, com capacidade instalada de 8,8 GW provenientes de um portfólio de fontes 100% renováveis. 

Atualmente, cerca de 54% da energia gerada provém dos ativos hidrelétricos, seguido por 36% dos eólicos, e o restante (cerca de 10%) dos solares. A combinação das duas empresas criou a maior comercializadora de energia no Ambiente de Contratação Livre (ACL), com mais de 1.500 clientes divididos entre atacado e varejo.

Qual o dividend yield da Auren (AURE3)?

Considerando os últimos 12 meses, o dividend yield atual da Auren encontra-se zerado.

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