Aumento do imposto de importação para melhorar contas externas. Entenda
Governo eleva imposto de importação, com alíquotas que podem chegar a 25%. Entenda os impactos na economia e nos investimentos
O aumento do imposto de importação anunciado pelo governo busca reforçar o caixa e ajudar no cumprimento da meta de superávit primário.
Se você investe, empreende ou simplesmente acompanha o custo de vida no Brasil, sabe que esse tipo de notícia nunca é isolado. Ela quase sempre faz parte de algo maior.
Mais uma vez, diante de desequilíbrios fiscais, a solução escolhida foi aumentar a tributação.
Não se trata de um ajuste pontual. A medida atinge uma lista ampla de bens, de insumos industriais a itens de consumo, em um movimento relevante de política comercial e fiscal, com impacto potencial sobre cadeias produtivas inteiras.
Como ficou o aumento do imposto de importação em 2026?
No início de fevereiro, o governo publicou a Resolução 852, de 2026, que elevava a taxação de cerca de mil produtos, incluindo smartphones, em até 25%.
No entanto, após repercussão negativa no Congresso Nacional e no setor produtivo, parte do aumento foi revista. Na sexta-feira, 27 de fevereiro, o Comitê Executivo da Câmara de Comércio Exterior zerou a tarifa de 105 bens. Outros 15 itens de informática retornaram à taxação anterior.
Governo espera arrecadar R$ 14 bilhões com a medida
O Ministério da Fazenda estima arrecadar R$ 14 bilhões adicionais neste ano com o aumento do imposto de importação incidente sobre mais de mil produtos.
A justificativa oficial para a medida adotada segue o roteiro conhecido: proteger a indústria nacional, melhorar as contas externas e, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, “não haverá impacto relevante sobre os preços”.

É justamente aqui que precisamos olhar com mais serenidade e profundidade.

Quem paga a conta do aumento da tarifa?
Dizer que não haverá impacto relevante ignora um princípio básico da economia: imposto é custo; e o custo não evapora.
Se a tarifa sobe, alguém paga a conta. Pode ser o consumidor final; pode ser a empresa, com margem menor; pode ser o investidor, com retorno reduzido; pode ser o trabalhador, com menos expansão e menos emprego.
Mas alguém paga.
Tecnologia mais cara e impacto na produtividade
A ideia de neutralidade de preços parte do pressuposto de que existe oferta doméstica suficiente, competitiva e com escala para substituir essas importações sem distorções. Mas basta olhar alguns dos itens afetados para perceber a fragilidade dessa tese.
O Brasil não é produtor relevante de semicondutores avançados, GPUs ou CPUs, nem domina a cadeia global de chips. Ainda assim, alíquotas que eram próximas de zero passaram para dois dígitos, como mostra o caso de placas de vídeo, processadores e memórias no quadro abaixo.

Encarecer tecnologia em um país que já tem déficit de produtividade dificilmente é uma medida neutra.
O pano de fundo fiscal que não pode ser ignorado
Além disso, o contexto fiscal não pode ser ignorado. O Brasil opera com dívida elevada, rigidez orçamentária crônica e despesa estrutural crescente. Só em juros, o desembolso anual se aproxima de R$ 1 trilhão. Quando o gasto não é enfrentado, a alternativa recorrente tem sido aumentar a arrecadação.
O sinal transmitido ao setor produtivo é claro: diante de pressões fiscais, a variável de ajuste continua sendo o aumento de tributos.
O problema não é a tarifa. É o modelo
O aumento da tarifa é apenas o sintoma de um problema estrutural e muito mais complexo.
O Brasil opera há décadas com a mesma lógica: amplia gasto, expande benefícios e, quando a conta aperta, aumenta imposto. O ajuste raramente vem pelo corte — vem pela arrecadação.
Distribuímos subsídios, ampliamos programas sociais, discutimos novos auxílios e mantemos uma máquina pública pesada, incluindo um dos sistemas judiciais mais caros do mundo em proporção ao PIB.

Quando os benefícios se expandem de forma contínua, parte crescente da renda da sociedade passa a vir mais da transferência do que da produção. Ao mesmo tempo, o retorno de quem empreende, investe e assume risco é comprimido por impostos mais altos e maior incerteza.
O resultado é previsível: menos estímulo à geração de valor. E o ciclo se retroalimenta.
Mais benefícios exigem mais arrecadação. Mais arrecadação exige mais imposto. Mais imposto desestimula o investimento. Menos investimento reduz o crescimento.
Curva de Laffer: existe limite para aumentar impostos?
A Curva de Laffer é um conceito econômico que demonstra que existe um limite para o aumento de impostos e a tributação onde a arrecadação do governo é máxima
A ilustração abaixo mostra esse nível de tributação que maximiza a arrecadação. Abaixo dele, elevar impostos aumenta a receita. Acima dele, o efeito se inverte, a atividade desacelera, a base tributável encolhe e a própria arrecadação começa a sofrer.

Hoje, já se sugere que a elevada carga tributária do Brasil pode estar se aproximando da zona de rendimentos decrescentes, em que aumentos adicionais geram menos receita do que o esperado.
Quando empresários percebem que o retorno do capital está cada vez mais comprimido por impostos e incerteza regulatória, o investimento desacelera, projetos são adiados e expansões são revistas. O capital exige um prêmio maior para permanecer ou simplesmente busca alternativas fora do país.
Para o investidor, o risco deixa de ser teórico
Para o investidor, essa discussão deixa de ser teórica. Se o modelo fiscal depende de aumentos recorrentes de tributos para fechar a conta, o risco estrutural do país aumenta.
O custo de capital sobe, a previsibilidade diminui e os retornos locais passam a carregar volatilidade adicional. Concentrar patrimônio exclusivamente nesse ambiente é assumir um risco que pode, e deve, ser gerenciado.
Diversificação internacional como estratégia de proteção
É nesse contexto que a diversificação internacional ganha relevância estratégica. Não como discurso alarmista, mas como ferramenta de proteção patrimonial.
Alocar parte relevante do patrimônio em economias com regras mais estáveis, maior previsibilidade institucional e ambiente mais favorável ao investimento é reduzir a dependência de um único ciclo doméstico.
Proteger o patrimônio é tão importante quanto rentabilizar
O Brasil tem qualidade e boas empresas, mas também convive com dívida alta, crescimento baixo e mudanças frequentes de regras.
Na Nord Wealth, mantemos mais de 15% do patrimônio dos clientes investido no exterior, e essa parcela vem aumentando ao longo do tempo. Não por pessimismo, mas por prudência. Diversificar geograficamente é proteger a liberdade financeira contra riscos desnecessários.
Com mais de R$ 10 bilhões sob gestão, estruturamos carteiras para atravessar ciclos sem comprometer o patrimônio construído ao longo de anos.
Se sua carteira ainda está muito exposta ao risco local, talvez seja o momento de reavaliar com calma e método.
Se fizer sentido para você, vamos conversar.
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Em um cenário de recorrente aumento do imposto de importação e pressão fiscal estrutural, diversificar deixou de ser uma escolha opcional — passou a ser uma estratégia de proteção.

