Super Bowl: R$ 1,17 milhão por segundo

NFL: anunciantes do Super Bowl podem marcar um Touchdown na sua carteira?

Victor Bueno 11/02/2024 07:00 7 min Atualizado em: 11/02/2024 16:06
Super Bowl: R$ 1,17 milhão por segundo

Neste domingo, dia 11, acontece um dos maiores eventos esportivos do mundo: o Super Bowl.

Neste ano, a final da liga de futebol americano deverá alcançar o recorde de mais de 200 milhões de espectadores somente nos EUA — ou seja, 60% da população americana. 

Muitos desses, inclusive, acompanham o Super Bowl apenas pelos comerciais, que sempre são compostos por temáticas inusitadas e divertidas, além, obviamente, do famoso show do intervalo, que já contou com nomes como Madonna, Prince e Michael Jackson.

Quanto custa uma propaganda no intervalo do Super Bowl?

Para aparecerem por 30 segundos no horário mais nobre e disputado da TV americana, as empresas terão que desembolsar, em 2024, US$ 7 milhões (~R$ 35 milhões), ou seja, cerca de US$ 233 mil por segundo (~R$ 1,17 milhão por segundo).

Sim, esse é o preço do Super Bowl. O retorno, porém, é praticamente certo.

Atraindo a atenção do público americano (e mundial), os comerciais possuem um grande poder de despertar o interesse por uma marca, fidelizar clientes e até mesmo aumentar as vendas dos anunciantes.

Mas por que o evento, em si, possui tanto apelo?

O “fator Taylor Swift”

II Taylor Swift em setembro de 2022. Foto: Terry Wyatt/Getty Images

Primeiro de tudo, o futebol americano é o esporte mais popular nos EUA.

Criada em 1920, a NFL (principal liga do país) atrai uma audiência média de 15 milhões de espectadores por jogo em sua temporada regular. 

Além do apelo televisivo, praticamente todos os jogos contam com lotação máxima nos estádios dos 32 times integrantes da liga. O Super Bowl de 2024, inclusive, contará com o ingresso mais caro da história, chegando até a US$ 9,8 mil (~R$ 49 mil).

Estimativas dão conta de que apenas a final de hoje movimente cerca de US$ 17,3 bilhões na economia americana, entre gastos com alimentos, bebidas, vestuário, decoração de festas e outras categorias relacionadas ao evento. 

II Fonte: Exame

Esse é o tamanho da NFL. Esse é o tamanho de um Super Bowl. 

A temporada deste ano, inclusive, possui um “elemento extra”, que justifica ainda mais os valores envolvidos: a Taylor Swift. 

A popstar americana assumiu um namoro com um dos principais astros da liga, Travis Kelce, que disputará a final pelo Kansas City Chiefs contra o San Francisco 49ers. 

Marcando presença em todos os jogos de seu amado, Taylor Swift levou sua legião de fãs a acompanharem os jogos do time e a se aproximarem do esporte. A procura por ingressos dos jogos do Chiefs subiu +175%, enquanto a venda de camisas do atleta cresceu +400%.

Segundo pesquisa da ESPN, a presença da cantora gerou um aumento de mais de US$ 330 milhões (~R$ 1,65 bilhão) nas marcas relacionadas ao time.

Isso tudo fora os ganhos que a própria NFL capturou nesse mesmo período.

II Fonte: Sky Sports

Com quase o dobro de potenciais espectadores em relação ao ano passado, este deverá ser, definitivamente, o maior Super Bowl da história, justificando o alto valor pedido pelas emissoras americanas em seus comerciais.

Mas será que as empresas anunciantes realmente possuem dinheiro para isso?

Dinheiro de sobra

Mesmo antes de começar o evento, já é possível saber quais empresas desembolsaram os US$ 7 milhões (ou mais) para estarem no Super Bowl.

Um detalhe para quem não conhece o esporte: um jogo de futebol americano possui diversas interrupções entre as jogadas, o que permite que existam diversos intervalos durante a transmissão. Sendo assim, diversas empresas marcam presença ao longo do evento.

Confira agora algumas dessas companhias que possuem ações listadas na bolsa de valores.

Observação: os comentários das empresas NÃO configuram recomendações de compra. Para as melhores recomendações de companhias internacionais, conheça o Nord Global

Anunciantes do Super Bowl na bolsa dos EUA

1. Microsoft (MSFT)

A gigante de tecnologia Microsoft voltará a marcar presença no Super Bowl após 4 anos longe. A empresa anunciará sua ferramenta alimentada por inteligência artificial Copilot, mostrando sua usabilidade por “pessoas comuns”.

O Copilot é um dos produtos de maior potencial da Microsoft, em um cenário em que a inteligência artificial já é uma realidade no mundo atual. Assim, a companhia espera continuar apresentando ótimos resultados nos próximos anos.

II Fonte: Bloomberg

Com seu lucro sendo multiplicado por mais de 4x desde 2019 e atingindo US$ 82 bilhões nos últimos 12 meses, suas ações seguiram o mesmo caminho. A Microsoft é a prova viva de que as cotações seguem os resultados.

Dinheiro, de fato, não é um problema para a companhia. Logo, o valor desembolsado no Super Bowl não fará tanta (ou nenhuma) falta.

2. Anheuser-Busch InBev (BUD)

Assim como nas últimas finais da NFL, a Budweiser estará novamente em seus comerciais. A marca, que pertence à Anheuser-Busch Inbev (controladora da brasileira AMBEV), deverá trazer mais um anúncio nostálgico para seus consumidores.

Com um consumo “estável” em todo o mundo, os resultados (assim como as ações) da cervejeira estão andando de lado desde 2015.

Ainda assim, os US$ 7 milhões por 30 segundos também não deverão trazer impactos negativos para a companhia, que lucrou US$ 6,3 bilhões nos últimos 12 meses. 

II Fonte: Bloomberg

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3. BMW (BMW)

Não satisfeita com apenas 30 segundos, a montadora alemã BMW pagou US$ 14 milhões (cerca de R$ 70 milhões) em um anúncio de 60 segundos no Super Bowl deste ano. Estrelando o renomado ator Christopher Walken, a BMW anunciará seu novo carro elétrico, o i5.

As vendas de carros elétricos da empresa mais do que dobraram no último ano, porém sua receita permaneceu praticamente estável. Já seu lucro foi cortado praticamente pela metade, em função de um resultado “inflado” pela valorização de uma de suas joint-ventures em 2022. 

Ainda assim, a BMW (listada apenas na bolsa da Alemanha), que detém outras marcas como Mini e Rolls-Royce, segue com um lucro bilionário e suas ações se mantiveram em alta nos últimos anos. 

II Fonte: Bloomberg

4. Booking.com (BKNG)

Outra empresa listada a marcar presença no Super Bowl será o site de reserva de viagens Booking.com, que, com diversas estrelas hollywoodianas, seguirá buscando apresentar as facilidades na contratação de seus serviços. 

Após ser severamente impactada ao longo da pandemia, com seu lucro sendo dizimado, a companhia voltou a ser lucrativa, com forte expansão de seus resultados desde 2022.

Com isso, suas ações já sobem mais de +100% no mesmo período e se encontram em suas máximas históricas. Quem sabe o novo anúncio não impulsione ainda mais os resultados e os papéis da empresa? É a maior torcida dos acionistas nesta final.

II Fonte: Bloomberg

5. T-Mobile (TMUS)

Por último, mas não menos importante, a T-Mobile foi mais uma a comprar a cota milionária dos comerciais para a grande final do futebol americano. 

A companhia, uma das maiores operadoras de telefonia e internet dos Estados Unidos, quer manter sua posição de liderança, apresentando a importância de ter uma boa rede doméstica para assistir aos jogos, entre outras atividades.

A T-Mobile vem apresentando resultados sólidos e crescentes nos últimos anos, o que também impulsionou suas ações para os maiores patamares de sua história. Assim como outras empresas da lista, o dinheiro dos comerciais não deverá fazer falta.

II Fonte: Bloomberg

Brasil, o país dos “futebóis”

Engana-se quem pensa que o futebol americano é popular apenas nos Estados Unidos.

No Brasil, o esporte vem ganhando cada vez mais adeptos. Se nos EUA existe o “fator Taylor Swift”, por aqui existe o “fator Gisele Bündchen”.

A modelo é a ex-esposa de Tom Brady, o maior vencedor da história do Super Bowl (7 vezes), e contribuiu para a popularização do atleta, seu time e o esporte no país, que já conta com cerca de 38 milhões de torcedores declarados.

A corretora brasileira XP, inclusive, anunciou uma parceria com a NFL em seu evento “Expert XP” no último ano (que contou com Tom Brady) e está contribuindo para a realização do primeiro jogo da liga em solo brasileiro, já em 2024. 

O jogo acontecerá na Arena Corinthians, em São Paulo, no mês de setembro.

Dado o crescimento interno, quem sabe no futuro não poderemos ver uma companhia listada na bolsa brasileira no horário mais nobre da TV americana?

E aí, qual empresa brasileira teria condição de pagar R$ 35 milhões por 30 segundos?

Para os amantes do futebol americano (assim como eu), desejo um ótimo jogo hoje à noite! 

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