Vale a pena trocar títulos no Tesouro Direto?
Entenda quando vale a pena trocar títulos no Tesouro Direto e quais custos podem reduzir sua rentabilidade nos investimentos
Trocar títulos no Tesouro Direto pode parecer uma estratégia interessante para buscar maior rentabilidade, mas essa decisão exige atenção. Em muitos casos, os custos envolvidos na troca podem reduzir boa parte do ganho esperado, principalmente em títulos indexados à inflação, como os IPCA+.
Antes de vender um título para comprar outro, o investidor precisa entender como funcionam os spreads, os impostos e as taxas cobradas nas operações antecipadas.
Sumário
- O que é spread de compra e venda no Tesouro Direto
- Por que o Tesouro Direto cobra spread?
- Quais custos existem ao trocar títulos públicos?
- Quando vale a pena trocar um título por outro
- Simulação mostra impacto dos custos na rentabilidade
- Vale a pena vender títulos que saíram do Tesouro Direto?
- Trocas frequentes podem prejudicar os juros compostos
- Quer investir melhor em renda fixa?
O que é spread de compra e venda no Tesouro Direto
No Tesouro Direto, existe diferença entre a taxa utilizada para comprar um título e a taxa utilizada para vender esse mesmo papel antes do vencimento.
Por exemplo, um título IPCA+ 2040 pode estar disponível para compra pagando IPCA + 7,03%, enquanto na venda antecipada o mesmo título pode aparecer com taxa de IPCA + 7,15%.
Como os títulos públicos funcionam de maneira inversa à taxa de juros, quanto maior for a taxa, menor será o preço unitário do papel. Isso significa que o investidor pode perder dinheiro ao comprar e vender o título em um curto intervalo de tempo.
Esse diferencial entre compra e venda é chamado de spread.
Por que o Tesouro Direto cobra spread?
O spread existe para desestimular operações de curto prazo dentro da plataforma.
O objetivo do Tesouro Direto é incentivar o investidor a carregar os títulos até o vencimento, e não utilizar os papéis para operações rápidas de compra e venda.
Esse custo está presente nos títulos IPCA+, nos prefixados e também no Tesouro Selic, embora neste último o spread normalmente seja menor.
Quais custos existem ao trocar títulos públicos?
Ao vender um título antes do vencimento, o investidor pode enfrentar três custos principais:
- spread de compra e venda;
- imposto de renda sobre o lucro;
- taxa de custódia da B3.
O imposto de renda na renda fixa segue uma tabela regressiva:
- 22,5% até 180 dias;
- 20% entre 181 e 360 dias;
- 17,5% entre 361 e 720 dias;
- 15% acima de 720 dias.
Além disso, existe a taxa de custódia da B3, atualmente em 0,20% ao ano sobre os títulos.
Quando vale a pena trocar um título por outro
A troca de títulos pode fazer sentido quando existe uma diferença muito relevante de rentabilidade entre os papéis.
No caso de um IPCA+ 2035 para um IPCA+ 2040, a diferença costuma ser pequena, já que os vencimentos estão relativamente próximos. Assim, os custos da troca podem consumir praticamente todo o ganho adicional esperado.
Já em uma troca entre um IPCA+ 2029 e um IPCA+ 2040, o potencial de valorização do título mais longo tende a ser significativamente maior, o que pode justificar os custos envolvidos na operação.
Simulação mostra impacto dos custos na rentabilidade
Em uma simulação considerando queda da taxa de juros de 7% para 6,5%, o IPCA+ 2040 apresentou potencial de valorização próximo de 6,87%.
No entanto, ao considerar:
- imposto de renda;
- spread de compra e venda;
- taxa da B3.
Grande parte desse ganho adicional seria consumida pelos custos da operação.
Na prática, isso significa que o investidor poderia trocar de título sem obter vantagem relevante de rentabilidade.
Vale a pena vender títulos que saíram do Tesouro Direto?
Muitos investidores ficam em dúvida quando determinado título deixa de ser ofertado pelo Tesouro Direto, como ocorreu com alguns IPCA+ 2035.
Porém, isso não significa que o investidor precise vender o papel. Mesmo sem novas emissões para compra, o título continua com liquidez normal para venda antecipada.
A estratégia mais eficiente costuma ser manter o título antigo na carteira e direcionar os novos aportes para os títulos mais recentes disponíveis.
Trocas frequentes podem prejudicar os juros compostos
Trocar títulos públicos constantemente pode reduzir o efeito dos juros compostos ao longo do tempo.
Isso acontece porque o investidor antecipa pagamentos de imposto de renda e outros custos que poderiam continuar rendendo dentro da aplicação.
Por isso, na maioria dos casos, manter o título até o vencimento tende a ser a estratégia mais eficiente, principalmente quando a diferença entre os papéis não é tão significativa.
Quer investir melhor em renda fixa?
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