O que esperar dos resultados do primeiro trimestre 2020?
Saiba como a crise e a pandemia impactaram os resultados do primeiro trimestre de 2020 em diferentes setores e o que pode vir pela frente
Com a retomada econômica ainda incerta e os desdobramentos da crise sanitária, o primeiro trimestre de 2020 apresenta-se como um período de transição e adaptação para muitas empresas.
Os resultados devem refletir os primeiros efeitos verdadeiros da pandemia e decisões tomadas no final de 2019. Confira mais a seguir.
O que muda nos resultados do primeiro trimestre de 2020
No contexto atual, o primeiro trimestre não deve trazer uma foto “normal” do desempenho corporativo.
- Por se tratar de um período breve de convívio com os efeitos da crise, muitas empresas ainda estão reagindo e ajustando estratégias.
- Para algumas companhias, o trimestre será pouco representativo — servirá mais como ponto de partida para acompanhar tendências do que um referencial real de lucro.
- Empresas com contratos longos ou receitas recorrentes podem apresentar estabilidade, mas aquelas com ciclo curto estarão mais vulneráveis.
Setores mais e menos impactados
Bancos e instituições financeiras
- Grandes bancos tendem a adotar postura conservadora: provisionar para inadimplência e reduzir lucros no curto prazo.
- Bancos menores — com menor capital e maior risco de crédito — provavelmente sentirão o impacto mais forte da crise.
Varejo e consumo não essencial
- Lojas físicas, principalmente de moda e artigos não essenciais, devem apresentar queda expressiva nas vendas.
- A migração das vendas para o ambiente online determina quem sai melhor da crise: redes com forte presença digital tendem a sofrer menos.
Incorporadoras e imobiliárias
- Para incorporadoras, o resultado depende da continuidade das obras. Se mantidas, o impacto pode ser reduzido, mas novas vendas e lançamentos provavelmente vão atrasar.
- A demora na contabilização dos resultados faz com que o desempenho real só se revele em trimestres futuros.
Saúde, hospitais e planos médicos
- Empresas de saúde verticalizadas (hospital + plano de saúde + laboratórios) podem enfrentar desafios de curto prazo: menos novos contratos, menor adesão empresarial, desemprego elevado.
- Crescimento via aquisições — estratégia comum nesse setor — deve ser impactado se os preços sobem e os vendedores têm pressa por liquidez.
Como o mercado de ações reage — e o que observar
- A volatilidade permanece alta: o mercado precifica sob expectativa de risco e incerteza, não apenas com base nos resultados.
- Investidores de valor tendem a selecionar empresas com bom histórico, caixa robusto e resiliência, independentemente da crise.
- Já investidores mais arrojados (traders) podem aproveitar picos de volatilidade, desde que estejam atentos ao perfil de risco e à liquidez.
- Rebalancear carteira e ajustar exposição a setores sensíveis (como petróleo e consumo cíclico) pode ser prudente neste momento.
Estratégias para investidores em 2020
- Priorize empresas com balanço sólido, pouca dívida e histórico consistente.
- Diversifique
- Avalie o ciclo de cada empresa — resultados de curto prazo são apenas um retrato parcial.
- Acompanhe provisões, inadimplência e evolução da economia real mais do que apenas lucro nominal.
- Pense no médio e longo prazo: crises abrem oportunidades de preço — mas exigem paciência.
Este é o melhor momento para ajustar sua carteira. Conte com análises exclusivas e independentes.

