Bull market no Brasil: Ibovespa voltou a subir em 2020?
Com a bolsa em alta em 2020 após a forte queda, o mercado discute se o Ibovespa já entrou em bull market e o que isso muda para investidores
A sequência de altas na Bolsa, em 2020, reacendeu uma pergunta que costuma aparecer depois de períodos turbulentos: o bull market está de volta? No debate, a ideia central é que o mercado pode estar antecipando a saída de uma crise, mesmo com notícias ainda ruins no curto prazo.
O que é bull market e como ele é definido?
Bull market é o termo usado para descrever um período de alta do mercado. No critério mais comum citado no mercado americano, ele começa quando um índice sobe 20% a partir de uma mínima recente. Pelo mesmo raciocínio, bear market ocorre quando o mercado cai 20% a partir de uma máxima.
Bull market no Brasil já começou pelo critério dos 20%?
Pela lógica apresentada na conversa, se o Ibovespa fez uma mínima forte e depois avançou 20% a partir desse ponto, isso já caracterizaria bull market, independentemente de “parecer cedo” ou de o noticiário continuar pesado. A discussão também mostra como, na prática, o rótulo importa menos do que entender o motivo da alta e o quanto ela pode oscilar.
Por que a Bolsa pode subir mesmo com resultados fracos em 2020?
Uma tese recorrente é que parte da queda veio de “pânico”, além do impacto econômico real. Depois disso, quando os preços ficam muito comprimidos, começa uma recomposição: investidores voltam a comprar empresas que, na visão deles, continuam sólidas no longo prazo.
Em outras palavras, o preço cai rápido, e a recuperação pode vir antes dos dados melhorarem.
A Bolsa antecipa a economia? O “seis meses à frente”
Durante a live da Nord Investimentos, foi mencionado que, em média, a Bolsa tende a olhar alguns meses adiante, com a referência de cerca de seis meses. Isso ajuda a explicar por que o mercado pode começar a subir enquanto o investidor ainda está preocupado com desemprego, lucros menores e números fracos no trimestre seguinte: a precificação já estaria mirando um cenário pós-crise.
Risco político continua sendo o principal ruído
Mesmo com a alta, o risco político aparece como o maior fator capaz de atrapalhar uma recuperação, especialmente se virar “pauta-bomba” no congresso ou piorar o quadro fiscal. Ao mesmo tempo, foi destacado que, quando o medo político gera excesso de pessimismo, isso pode abrir oportunidades pontuais, porque muitas empresas seguem operando, vendendo e gerando caixa.
Selic baixa, CDI perto de zero e a migração de recursos
Com juros muito baixos, a renda fixa pós-fixada tende a render pouco e, dependendo de taxas e impostos, pode perder para a inflação. Isso empurra parte do dinheiro para alternativas como bolsa, fundos e outros ativos.
A mensagem principal é que o investidor brasileiro, acostumado a “viver de CDI”, pode ter que aprender a lidar mais com risco e com alocação de longo prazo.
Dólar: o que pode mexer com o câmbio além dos juros
O câmbio foi tratado como mais complexo do que “cortou juros, o dólar sobe”. Entram fatores como fluxo (entrada e saída de recursos), comércio exterior e movimentos pontuais de mercado.
A visão colocada foi de que o dólar poderia ficar mais “de lado” em uma faixa ampla, sem uma aposta única e fácil, porque o câmbio reage a muitos vetores ao mesmo tempo.
Bancos ficaram para trás: por que isso acontece e o que observar
O setor bancário apareceu como um caso de divergência: enquanto parte do mercado foca a competição com fintechs, impostos e risco de crédito, outra parte enxerga bancos como empresas resilientes, com capacidade de ajustar custos e atravessar crises.
A leitura destacada é que preço no curto prazo não define o valor do negócio, e que o investidor precisa entender o motivo do desconto antes de decidir.
Como investir sem transformar investimento em aposta
A recomendação de postura foi direta: priorizar empresas resilientes, com fundamentos, e evitar a lógica do “ou fico rico ou quebro”.
Também ficou o alerta de gestão de risco: Bolsa pode cair forte, então a parcela investida precisa ser compatível com o que a pessoa aguenta ver oscilar, sem entrar em desespero e tomar decisão no impulso.
O bull market está de volta em 2020? O que fica de conclusão
Pelo critério técnico citado, a volta do bull market pode acontecer antes de o noticiário melhorar. Ainda assim, a alta não elimina riscos: política, fiscal, lucros e câmbio seguem no radar.
Para o investidor, o ponto prático é menos acertar o “nome do ciclo” e mais manter disciplina, ter caixa para oportunidades e escolher ativos com fôlego para atravessar crises.
Este é o momento ideal para quem quer ajustar a carteira de forma inteligente e estratégica — e a Nord pode te ajudar com isso.

