IPCA-15 cai 0,40%, mas inflação ainda preocupa
IPCA-15 caiu 0,40% em agosto, mas inflação de serviços segue pressionada e exige cautela com Selic, renda fixa e marcação a mercado
O IPCA-15 registrou queda de 0,40% em agosto, resultado melhor do que a retração de 0,30% esperada pelo mercado. Apesar do número positivo, uma análise dos componentes do índice mostra que ainda existem pressões inflacionárias importantes.
A queda foi influenciada por itens específicos e mais voláteis. Por isso, o resultado não significa necessariamente que o Brasil tenha entrado em um processo consistente de redução da inflação.
Por que o IPCA-15 caiu 0,40%?
Para entender o resultado do IPCA-15, é preciso analisar os componentes que formam o índice. Alguns preços apresentam grande volatilidade e podem subir ou cair significativamente de um mês para outro.
É o caso de passagens aéreas e determinados alimentos, por exemplo. Movimentos pontuais nesses preços podem alterar o resultado geral sem representar uma mudança estrutural no comportamento da inflação.
Em agosto, um dos fatores importantes para a queda foi a energia elétrica, influenciada pelo bônus de Itaipu. Como esse efeito é temporário, parte dessa redução pode não permanecer nos meses seguintes.
Gasolina e passagens aéreas também contribuíram para o resultado. Apesar do arrefecimento recente, as passagens aéreas acumulavam alta de aproximadamente 27% em 12 meses, enquanto a gasolina registrava avanço próximo de 5%.
A energia elétrica, por sua vez, ainda acumulava alta de aproximadamente 7,4% em 12 meses.
Inflação de serviços ainda preocupa
Um dos principais pontos de atenção está na inflação de serviços. Embora o avanço em agosto tenha sido de apenas 0,07%, o acumulado em 12 meses estava em aproximadamente 5,5%.
Esse comportamento merece atenção porque a inflação de serviços tende a apresentar maior persistência. Diferentemente de componentes mais voláteis, seus preços normalmente demoram mais para desacelerar.
Além disso, os serviços possuem forte relação com o mercado de trabalho. Com o desemprego em níveis baixos, empresas podem enfrentar maior pressão sobre os salários para contratar e manter funcionários.
Os serviços subjacentes, que retiram componentes mais voláteis da análise, apresentavam inflação próxima de 5%.
Já os serviços intensivos em trabalho registravam aproximadamente 7,2%, mostrando uma pressão ainda mais significativa.
Mesmo retirando itens como restaurantes, empregado doméstico, passagens aéreas e cursos, a inflação ficava próxima de 4,3%, ainda acima da meta de inflação de 3%.
Produtos comercializáveis e serviços mostram cenários diferentes
Outra maneira de analisar a inflação é separar produtos comercializáveis dos não comercializáveis.
Os comercializáveis são produtos que podem ser negociados em diferentes mercados e possuem maior concorrência. Nesse grupo, a inflação acumulada estava próxima de 2,2%, abaixo da meta.
A situação é diferente entre os não comercializáveis, grupo mais relacionado aos serviços.
Serviços como cabeleireiro, por exemplo, dependem da localização e não podem ser facilmente substituídos por fornecedores de outros países. Por isso, possuem uma dinâmica de preços diferente daquela observada em produtos comercializáveis.
Nesse grupo, a inflação permanecia próxima de 5,5%.
Essa diferença mostra que parte importante e mais persistente da inflação continua pressionada, mesmo diante da melhora do índice cheio.
Queda do IPCA-15 pode acelerar os cortes da Selic?
A queda do IPCA-15, isoladamente, não significa que exista espaço para um longo ciclo de redução da taxa Selic.
A inflação de serviços continua elevada, enquanto parte importante da melhora recente veio de componentes mais voláteis ou de efeitos temporários.
Caso esses preços voltem a subir enquanto a inflação de serviços permanece pressionada, o índice geral pode retornar a patamares mais elevados.
Por isso, o cenário apresentado não indica necessariamente condições semelhantes às observadas em períodos anteriores, quando a inflação caiu de forma mais ampla e abriu espaço para reduções expressivas dos juros.
Caso o Banco Central continue reduzindo a Selic, a tendência apresentada na análise é de movimentos mais graduais.
IPCA-15 muda o cenário para a renda fixa?
A melhora recente dos índices de inflação pode aumentar as expectativas de redução dos juros. No entanto, isso não significa necessariamente que seja o momento de assumir grandes posições em títulos prefixados buscando ganhos com marcação a mercado.
O cenário ainda exige atenção porque a inflação persistente continua elevada.
Nesse contexto, uma estratégia de renda fixa pode priorizar dois fatores: proteção e carrego.
A proteção pode ocorrer por meio de títulos atrelados ao IPCA, que oferecem remuneração vinculada à inflação acrescida de uma taxa de juros.
Já o carrego consiste em aproveitar as taxas oferecidas pelos títulos ao longo do tempo, sem depender necessariamente de grandes ganhos provocados pela marcação a mercado.
Ainda é preciso cautela com a inflação
Os últimos dados de inflação apresentaram resultados melhores do que as expectativas do mercado, mas parte dessa melhora veio de componentes voláteis, como gasolina, passagens aéreas e energia elétrica.
Ao mesmo tempo, a inflação de serviços permanece elevada e acima da meta.
Por isso, a queda de 0,40% do IPCA-15 é positiva, mas ainda não representa, por si só, uma mudança estrutural suficiente para eliminar as preocupações com a inflação.
Para o investidor de renda fixa, o cenário continua favorecendo uma análise cuidadosa da carteira, com atenção à proteção contra a inflação e às taxas disponíveis para carregamento dos títulos.
Quer saber se a sua carteira está preparada para esse cenário?
A Nord Wealth, que é hoje a wealth mais premiada do Brasil, com mais de R$ 13 bilhões sob custódia e a única Top Performer nos rankings XP e BTG, oferece uma análise gratuita da sua carteira de investimentos.
O modelo da nossa consultoria é fee-based, o que significa que o diagnóstico não muda conforme o que rende mais para quem está do outro lado da mesa, como bancos, corretoras ou gestoras de fundos.
Com a avaliação da Nord Wealth é possível entender sua exposição à renda fixa, o equilíbrio entre proteção e carrego, e se o restante da carteira está alinhado a esse cenário. A partir disso, você recebe ajustes necessários para o momento atual do mercado.

