A alta da dívida pública, as incertezas do cenário macroeconômico e a proximidade das eleições têm levado muitos brasileiros a buscar formas de proteger o patrimônio. Uma das estratégias mais procuradas é investir em dólar, seja pela própria Bolsa brasileira, seja com o envio de recursos para uma conta no exterior. Cada caminho tem custos, vantagens e exigências diferentes.

A seguir, confira as principais opções, quanto se paga de IOF e imposto de renda e como escolher a corretora certa.

Dá para investir em dólar sem tirar dinheiro do Brasil?

Sim. Não é preciso enviar recursos para fora do país para ter exposição à moeda americana. Pela B3, é possível comprar ETFs e BDRs que acompanham ativos cotados em dólar.

Um ETF que replica o S&P 500, por exemplo, converte o dinheiro aplicado em dólar e investe no índice americano. Na prática, o investidor recebe a variação cambial somada ao desempenho da Bolsa dos Estados Unidos.

Já os BDRs são certificados de ações estrangeiras negociados na Bolsa brasileira. Estão disponíveis papéis de grandes empresas, como Apple, Meta, Microsoft e TSMC. As companhias menores, em geral, não têm BDRs com liquidez suficiente.

ETFs, BDRs e renda fixa americana na B3

Além de ações, a Bolsa brasileira oferece ETFs de Bitcoin e de renda fixa americana, incluindo fundos que investem em títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries). Tudo pode ser comprado pelo home broker, sem remessa ao exterior.

A vantagem é a simplicidade. Quem envia dinheiro para fora paga IOF na remessa e passa a ter a obrigação de informar esses investimentos à Receita Federal todos os anos, o que torna a declaração do imposto de renda mais trabalhosa. Para quem está começando e não quer essa complexidade, investir em dólar pela B3 é uma boa porta de entrada.

Vale a pena mandar dinheiro para o exterior?

Depende do objetivo. O principal argumento a favor da remessa é a mudança de jurisdição. Parte dos investidores teme uma medida semelhante ao confisco do Plano Collor, que bloqueou recursos da população em 1990.

Investir via Bolsa brasileira não protege contra um cenário como esse, já que os ativos continuam sob as regras do país.

Com o dinheiro fora, o governo brasileiro não consegue bloquear os recursos por decisão administrativa. Isso só ocorre em casos específicos, como investigações de lavagem de dinheiro ou corrupção. Por isso, a remessa reduz o chamado risco regulatório, mesmo que esse tipo de medida seja considerado improvável.

Quanto custa o IOF para investir em dólar

O custo começa pelo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que varia conforme a finalidade da remessa:

  • Conta de investimento no exterior: 1,1%. É o caso de corretoras como a Avenue, em que o dinheiro é enviado exclusivamente para aplicação.
  • Conta corrente ou cartão de débito para gastos: 3,5%, a mesma alíquota cobrada nas compras com cartão de crédito internacional.
  • Retorno do dinheiro ao Brasil: 0,38% na repatriação.

Qual corretora usar para investir no exterior

A escolha depende do valor a ser investido e do tipo de operação. A Avenue é a opção mais indicada para quem tem até US$ 1 milhão fora do país: é simples de usar, preparada para o público brasileiro e mais barata nessa faixa de patrimônio.

Acima de US$ 1 milhão, o Morgan Stanley é a indicação, pois oferece estruturas mais sofisticadas e acesso a uma gama maior de produtos. Para quem quer operar opções, recomendo a Interactive Brokers, pela liquidez e pela variedade de acesso. Já quem pretende montar uma holding no exterior precisa de um planejamento patrimonial específico.

Onde aplicar o dinheiro depois de enviar

Comprar dólar e deixar o dinheiro parado não é o ideal. Assim como no Brasil, os Estados Unidos têm inflação, e o dinheiro perde poder de compra com o tempo.

A boa notícia é que o leque de investimentos lá fora é bem maior do que o disponível na B3. Enquanto aqui só existem BDRs das ações mais negociadas, no exterior é possível comprar qualquer ação americana, inclusive small caps. Também há uma oferta enorme de ETFs, o produto preferido do investidor americano, que costuma investir de forma passiva em índices amplos, como o S&P 500, ou em índices setoriais, como tecnologia e semicondutores.

Na renda fixa, dá para escolher títulos pós-fixados, que funcionam como um "floating", ou pré-fixados. Quem aposta num longo ciclo de queda de juros pode comprar um Treasury pré-fixado de 10 anos e ganhar com a marcação a mercado. A carteira pode seguir a mesma lógica usada no Brasil, com metade em renda fixa e metade em ações, ou 70% e 30%, por exemplo.

Como funciona o imposto de renda sobre investimentos no exterior

Em geral, o investidor paga 15% de imposto de renda sobre a valorização dos ativos e precisa declarar os investimentos à Receita Federal todos os anos.

Há exceções. Em produtos de renda fixa de curta duração, como fundos de Treasuries pós-fixados, o imposto de renda é de 30% na venda dos títulos ou no recebimento de dividendos. Uma forma de voltar aos 15% é usar ETFs irlandeses de renda fixa, como o IB01, que funciona como uma aplicação pós-fixada.

A variação cambial também entra na conta: quando o real se desvaloriza, o imposto incide sobre esse ganho uma vez por ano. Se o dólar sobe para R$ 8 e depois volta para R$ 6, o imposto pago não é devolvido. A cotação mais alta passa a funcionar como uma "linha d'água": se o dólar voltar a R$ 8 no futuro, não haverá nova cobrança sobre essa faixa.

Como cada família tem uma estrutura patrimonial e sucessória própria, a recomendação é sempre consultar um contador antes de investir.

Quanto dinheiro é preciso para começar

Não há valor mínimo relevante. Na Avenue, é possível enviar pequenas quantias e investir de forma fracionada, comprando partes de ações e ETFs. Ou seja, dá para começar a diversificar o patrimônio com qualquer valor.

Em resumo, o caminho mais simples é começar pela B3, com ETFs e BDRs. Quem quer reduzir o risco regulatório pode enviar recursos para fora: a Avenue atende bem quem tem até US$ 1 milhão, e estruturas como a do Morgan Stanley são mais indicadas para patrimônios maiores.

Quer ajuda para investir em dólar?

Cada investidor tem uma situação diferente, e a melhor forma de investir em dólar depende do tamanho do patrimônio, dos objetivos e da estrutura familiar.

Se você quer saber qual caminho faz mais sentido para o seu caso, entender as diferenças entre as instituições ou já tem uma estrutura offshore, a Nord Wealth pode ajudar. A primeira reunião é gratuita.