Cenário internacional e gestão ativa de renda fixa explicados por especialista da Pimco
Entenda o cenário econômico global, atuação da Pimco na renda fixa e impactos da crise e das políticas monetárias pelo mundo com explicações claras e atuais
Nesta live com especialistas da Pimco, um dos maiores gestores globais de renda fixa, foram analisados os principais fatores que moldam o cenário internacional e a gestão ativa de renda fixa.
A conversa abordou desde a diferença entre crises econômicas, o papel dos bancos centrais e riscos corporativos, até a visão sobre recuperação econômica mundial, impactos setoriais e o comportamento de mercados como o dos Estados Unidos e emergentes como o Brasil.
O que é a Pimco
A Pimco é uma gestora de investimentos com quase 50 anos de história, sediada na Califórnia (EUA), com forte foco em fundos de renda fixa global.
A empresa prioriza a gestão ativa de ativos, com estratégias ajustadas ao cenário macroeconômico e análises de crédito profundas, tanto de emissores corporativos quanto soberanos.
A Pimco possui presença no Brasil desde 2012 e atua no desenvolvimento de soluções de investimento global.
Análise do cenário macroeconômico global
Diferenças entre a crise de 2008 e a crise de 2020
Segundo a especialista, a crise de 2020 — desencadeada pela pandemia de Covid-19 — tem características diferentes da de 2008.
Nos EUA, por exemplo, as famílias entraram nessa crise com menos alavancagem e mais saúde financeira. Os bancos também estão mais bem capitalizados e menos expostos ao risco sistêmico do que em 2008, graças a regulações mais rígidas implementadas após a última grande recessão.
Crédito corporativo e preocupações do mercado
Alavancagem e setores mais afetados
A alavancagem crescente de empresas nos EUA antes da crise é um ponto de atenção. Muitas empresas tomaram dívida elevada em um ambiente de juros baixos, e agora enfrentam impacto de receitas em queda. Setores como energia (petróleo) e turismo/aviação foram identificados como particularmente fragilizados.
Intervenção do Federal Reserve (Fed)
Ações do banco central americano
O Fed agiu de forma rápida e expressiva para fornecer liquidez ao mercado e evitar a transformação de um choque temporário em uma crise de solvência generalizada. Entre as medidas estão cortes das taxas de juros para níveis próximos de zero, compra de títulos governamentais e corporativos, inclusive de crédito corporativo, algo sem precedentes históricos.
Objetivo da intervenção
O objetivo principal não foi “salvar todas as empresas”, mas evitar que disfuncionalidades de mercado se transformassem em problemas econômicos duradouros, como desemprego em massa e falências permanentes.
Impactos da política fiscal e monetária
Pacotes fiscais e limites das ações
A política fiscal complementou as ações monetárias, com pacotes de estímulo de dimensões históricas. No entanto, há limites para o que pode ser feito — você pode injetar liquidez e crédito, mas isso não substitui uma vacina ou a retomada imediata da atividade econômica.
Efeitos sobre inflação e dívida pública
A expansão monetária e fiscal pode influenciar pressões de inflação no médio e longo prazo, embora não se espere uma inflação descontrolada. O desafio será equilibrar a recuperação econômica com um potencial aumento da dívida governamental.
Riscos e incertezas eleitorais
Visão sobre eleições nos EUA
Com a pandemia alterando as expectativas econômicas, a probabilidade de reeleição do presidente em exercício ficou mais incerta. A crise econômica profunda pode influenciar a avaliação do eleitorado e impactar mercados, embora não se espere políticas radicais caso um democrata moderado vença.
Comparação entre mercados: ações vs. crédito
Mercados acionários e de crédito reagem de formas diferentes às políticas de estímulo. A ação de mitigação de riscos do Fed tende a favorecer ativos de alta qualidade, e o crédito — por permitir maior visibilidade de fluxos de caixa futuros — pode ser mais atrativo que ações em determinados cenários.
Investimentos no Brasil e no exterior
Desafios para o investidor brasileiro
No Brasil, o acesso a produtos globais ainda é limitado e existem restrições regulatórias. A diversificação internacional pode ser uma ferramenta importante para reduzir riscos locais e ampliar as oportunidades da carteira.
Percepção estrangeira sobre o Brasil
Investidores internacionais veem o Brasil como um mercado emergente, com características e riscos parecidos com outros emergentes. Reformas recentes e o controle de inflação melhoraram a percepção de longo prazo, mas incertezas políticas e econômicas persistem.
Conclusão: cenários futuros e recomendações
O cenário econômico global pós‑crise tende a ser de recuperação gradual e heterogênea entre países e setores. A gestão ativa e a análise macroeconômica profunda permanecem ferramentas essenciais para navegar riscos e identificar oportunidades, especialmente em renda fixa global.
Este é o momento de ajustar sua carteira de forma inteligente.

