Vendas no varejo crescem 0,5% no 1T26, mostra IBGE
As vendas no varejo subiram 0,5% em março, acima das projeções do mercado. Entenda os impactos para inflação, consumo e juros
As vendas no varejo avançaram 0,5% em março em relação a fevereiro. O resultado veio acima das apostas do mercado, que apontavam estabilidade (0,0%). Vale destacar que o resultado de fevereiro foi revisado levemente para cima, de 0,6% para 0,7%.
Principais destaques do varejo
O desempenho foi impulsionado pelo crescimento em cinco das oito atividades pesquisadas frente ao mês anterior. Entre os destaques positivos, estão Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com alta de 5,7%, Combustíveis e lubrificantes e Outros artigos de uso pessoal e doméstico, ambos com avanço de 2,9%. Também contribuíram positivamente Livros, jornais, revistas e papelaria (+0,7%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (+0,1%).
Do lado negativo, houve retração em Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,4%) e Móveis e eletrodomésticos (-0,9%), enquanto Tecidos, vestuário e calçados ficou estável.
Na leitura anual, comparando com março de 2025, o volume de vendas cresceu 4,0%, superando as expectativas (+2,8%) e mostrando forte aceleração frente aos 0,3% observados em fevereiro (revisados marginalmente de +0,2%).
Vale destacar que todas as oito atividades pesquisadas registraram alta na base de comparação anual. Os principais impulsos vieram de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (+22,5%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (+11,1%), Livros, jornais, revistas e papelaria (+10,2%), Combustíveis e lubrificantes (+7,6%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (+7,1%).
Por outro lado, os menores avanços ficaram com Tecidos, vestuário e calçados (+2,9%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+0,9%).
Varejo ampliado também decepciona
No varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, os dados também vieram acima do esperado. Na leitura mensal, foi registrada alta de 0,3%, ante +0,1% esperado pelo mercado. Em 12 meses, a expansão foi de 6,5%, também acima dos +5,9% projetados.
O que os dados indicam sobre a economia?
O resultado indica um crescimento acima do esperado, sinalizando uma resiliência maior do consumo do que a precificada pelo mercado. A força foi generalizada, com alta em todas as oito atividades pesquisadas na comparação anual e em cinco das oito na leitura mensal. Isso reforça a percepção de uma demanda doméstica ainda aquecida no fechamento de março de 2026.
Esse resultado faz paralelo, inclusive, com o IPCA de abril divulgado ontem, em que os núcleos e os serviços subjacentes voltaram a acelerar, sugerindo que esse vigor do varejo segue contribuindo para a pressão inflacionária pelo lado da demanda. O quadro, portanto, fortalece a visão de incerteza sobre a magnitude e a extensão do ciclo de cortes de juros.
Qual a participação do varejo no PIB brasileiro?
O setor de varejo é fundamental para a economia brasileira por várias razões, entre elas: geração de empregos, contribuição para o PIB, distribuição de produtos e estímulo ao consumo.
Qual o índice do varejo?
O índice que acompanha o resultado do varejo no Brasil é a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada mensalmente pelo IBGE.
O que é PMC IBGE?
A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) é um indicador econômico que acompanha o comportamento do comércio varejista no Brasil.
Ele investiga a receita bruta de revenda das empresas formalmente constituídas (detentoras de CNPJ), que possuam 20 ou mais pessoas ocupadas e cuja receita bruta provenha predominantemente da atividade de comércio varejista.
Como é calculada a PMC IBGE?
A PMC é calculada utilizando a metodologia de amostragem probabilística. Para isso, são coletadas amostras de onze setores do varejo e de todas as Unidades da Federação.
Com a amostra, obtida por meio de entrevistas e questionários eletrônicos, são calculados os pesos adequados para a estimação do índice.

