A Vale (VALE3) divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) e deixou o mercado dividido. De um lado, um prejuízo líquido bilionário de US$ -3,8 bilhões. Do outro, um lucro líquido proforma de US$ 1,5 bilhão e forte geração de caixa.

Afinal, o resultado da Vale (VALE3) no 4T25 foi prejuízo ou lucro?

Neste artigo, vamos destrinchar os números, explicar o impacto dos impairments no balanço e mostrar o que realmente importa para o investidor, especialmente se ainda faz sentido manter as ações da companhia neste momento.

Produção recorde e números operacionais do 4T25

Em 2025, além de alcançar o marco de não possuir nenhuma barragem em nível 3 de emergência (risco iminente de ruptura), a Vale superou seu guidance (projeções) e atingiu o maior nível de produção de minério de ferro desde 2018.

A mineradora fechou o período anual com uma produção de 336 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro, acima das projeções de 325 a 335 Mt.

No 4T25, a produção de minério de ferro alcançou 90,4 milhões de toneladas (+6% vs. 4T24). As vendas avançaram +5% no trimestre, enquanto os preços realizados de finos registraram alta de +3%, acompanhando o movimento da commodity no período.

Assim, com maiores vendas e preços, a receita líquida da Vale alcançou US$ 11,1 bilhões, alta de +9%.

Tendo em vista alguns custos e despesas crescendo abaixo da receita, o Ebitda proforma (exclui os efeitos relacionados a Brumadinho e itens não recorrentes) avançou +17%, totalizando US$ 4,8 bilhões. 

Prejuízo contábil ou lucro proforma: o que explica a diferença?

Mesmo com menores impactos dos juros da dívida, o prejuízo líquido foi de US$ -3,8 bilhões, frente a US$ -694 milhões no 4T24. Esse resultado foi fortemente impactado por um impairment (valor recuperável de um ativo) de US$ 3,5 bilhões, além de imposto diferido (será pago no futuro) de US$ 2,8 bilhões. 

Dessa forma, como parte desses valores não possui efeito caixa (são apenas ajustes no balanço), o lucro proforma ajuda na visualização de um resultado menos “poluído”.

Ou seja, excluindo itens não recorrentes, como impairments e respectivos efeitos de imposto de renda, o lucro líquido proforma da Vale foi de US$ 1,5 bilhão, alta de +68%.

Geração de caixa e redução da dívida

Outro ponto positivo foi a geração de caixa livre, que subiu +107% no trimestre. Além disso, a Vale reduziu em -5% sua dívida líquida expandida, totalizando US$ 15,6 bilhões, ficando no ponto médio de sua meta de US$ 10 a 20 bilhões.

O que esperar da Vale até 2030

A Vale segue focada no aumento da produção e na redução de custos. Até 2030, a mineradora brasileira projeta uma produção de minério de ferro superior a 360 milhões de toneladas por ano, um crescimento de aproximadamente +10% em relação ao guidance de 2025. 

Grande parte desses ganhos deverá vir de Carajás, que produz um minério premium com teor de ferro de 65%, enquanto a média global varia entre 58% e 62%.

Mesmo em um cenário mundial de estabilidade no consumo de seu principal produto, destacamos a proatividade da companhia em atuar sobre os fatores que estão ao seu alcance, como a redução do custo C1 (que abrange as operações da mina até o porto). 

Esse indicador (C1) registrou diversas quedas consecutivas na comparação anual e deverá ficar abaixo de US$ 20 por tonelada em 2026, no consolidado do ano.

VALE3 está cara? Análise de valuation e múltiplos

Ainda que a companhia se encontre em um momento mais favorável, com o preço da commodity aumentando sua capacidade de geração de caixa, a alta de seus papéis tornou seu valuation menos atrativo no momento.

Ao analisarmos seus principais indicadores de valuation projetados para os próximos 12 meses, é possível enxergar números (bem) acima das médias históricas. Seu EV/Ebitda projetado se encontra em 5,2x (+44% acima da média, que é de 3,6x), enquanto seu Preço/Lucro projetado está em 8,2x (+52% vs. média de 5,4x).

Como comentado acima, para os próximos anos, não existe uma grande expectativa de valorização para o preço do minério de ferro. A própria Vale não projeta crescimento da demanda até 2030, com a demanda transoceânica permanecendo estável em torno de 1,55 bilhão de toneladas.

Além disso, considerando um preço médio do minério de ferro de US$ 90 por tonelada (acima disso, a oferta pode ser maior), a expectativa é de apenas uma leve redução da oferta global até 2030, resultando em um mercado relativamente equilibrado (e aumentando a probabilidade de o minério de ferro permanecer nos níveis atuais de preço).

Comprar, vender ou manter VALE3 agora?

Após a melhor precificação de suas ações, além da menor margem de segurança e do menor upside (potencial de valorização), com dividend yield (dividendo/preço) projetado reduzido para 6%, consideramos que o momento não seja um bom ponto de entrada no papel. Ou seja, temos recomendação de MANTER para VALE3.