A TSMC (TSM) apresentou mais um resultado muito forte no 3T26, reforçando sua posição como a empresa mais importante da cadeia global de semicondutores. A receita foi de US$ 46,7 bilhões, alta de 41,2%, com lucro líquido de US$ 23,9 bilhões e margem líquida acima de 51%.

Gráfico de receita, EBIT e lucro líquido da TSMC por trimestre, do 3T24 ao 3T26, com receita chegando a US$ 46,7 bilhões 
Receita, EBIT e lucro líquido da TSMC por trimestre, em US$ milhões, do 3T24 ao 3T26. Fonte: TSMC; elaboração Nord 

Praticamente todos os principais números vieram acima das expectativas. A única exceção foi a margem bruta, que ficou praticamente em linha com o consenso. Ainda assim, o nível de rentabilidade segue impressionante.

A companhia reportou receitas de US$ 46,7 bilhões, crescimento de +41,2% na comparação anual e acima da expectativa de aproximadamente US$ 45 bilhões. O lucro operacional chegou a US$ 27,4 bilhões, avanço de +63,7%, enquanto o lucro líquido foi de US$ 23,9 bilhões, crescimento de +58,0%.

A margem bruta ficou em 66,4%, a margem operacional próxima de 59% e a margem líquida acima de 51%. Traduzindo: a cada US$ 1 de receita, aproximadamente US$ 0,51 viraram lucro líquido.

Continua sendo um número impressionante para qualquer empresa. Para uma fábrica de semicondutores, mesmo uma de altíssima tecnologia, é excepcional.

Resultados da TSMC no 3T26

Tabela de resultados da TSMC no 3T26: receita de US$ 46,7 bilhões, margem bruta de 66,4%, lucro líquido de US$ 23,9 bilhões e EPS de US$ 4,60
esultados da TSMC no 3T26, em US$ bilhões, com a receita aberta por nó tecnológico e comparativos anual e trimestral. Fonte: TSMC; elaboração Nord

O trimestre reforçou novamente o momento muito forte da maior fabricante de semicondutores do mundo. A demanda por chips avançados continua elevada, puxada principalmente por inteligência artificial, data centers e pela necessidade crescente de capacidade computacional.

As receitas foram de US$ 46,7 bilhões, crescimento de +41,2% na comparação anual e acima da expectativa do mercado. A margem bruta ficou em 66,4%, praticamente em linha com o consenso de 66,3%. O lucro operacional chegou a US$ 27,4 bilhões, contra expectativa próxima de US$ 27 bilhões, enquanto o lucro líquido foi de US$ 23,9 bilhões, também acima dos US$ 23,1 bilhões esperados.

O EPS chegou a US$ 4,60, crescimento de +58% na comparação anual e acima da expectativa de US$ 4,44.

Mais uma vez, o resultado mostra que a TSMC consegue combinar crescimento muito elevado com níveis de rentabilidade que poucas empresas industriais conseguem entregar.

2 nm acelera rapidamente

Receita da TSMC por nó tecnológico no 3T26: 3 nm com 33%, 5 nm com 28%, 7 nm com 10% e 2 nm com 8% das vendas de wafers
Participação de cada nó tecnológico na receita de wafers no 3T26 e evolução das vendas de 7 nm e abaixo. Fonte: TSMC

Um dos principais destaques operacionais do trimestre foi o ramp-up dos chips de 2 nm.

A tecnologia começou a gerar receita apenas no trimestre passado, quando representou 3% das vendas de wafers. No 3T26, essa participação já subiu para 7%. Em apenas um trimestre, o peso do 2 nm mais do que dobrou.

Esse movimento é importante porque mostra a velocidade de adoção da nova geração tecnológica. Como ocorre em todo novo nó, o início da produção tende a carregar custos mais altos, menor utilização e ajustes de yield, o que normalmente pressiona margens no começo do ciclo.

Mesmo com esse efeito, a TSMC manteve margem bruta acima de 66%.

O 3 nm também continua crescendo muito forte. As vendas avançaram +92% na comparação anual e +23% contra o trimestre anterior. Já o 5 nm começou a mostrar alguma desaceleração, com crescimento de apenas +1,2% a.a. e queda sequencial.

Essa dinâmica é natural. À medida que os clientes migram para tecnologias mais avançadas, parte da demanda começa a sair dos nós anteriores e entrar em 3 nm e, agora, 2 nm.

Para a TSMC, isso é exatamente o que queremos ver: a nova tecnologia crescendo rapidamente e puxando o mix para produtos de maior valor agregado.

HPC continua no centro da tese

Receita da TSMC por plataforma no 3T26: HPC com 68%, smartphone com 21%, IoT e automotivo com 4% cada, e o crescimento trimestral de cada segmento
Participação de cada plataforma na receita do 3T26 e crescimento trimestral por segmento, com automotivo em +23% e HPC em +22%. Fonte: TSMC

A grande força estrutural continua sendo HPC, principalmente inteligência artificial e data centers.

A transformação da TSMC nos últimos anos foi bastante relevante. Smartphones continuam sendo um mercado enorme e importante para a companhia, especialmente pela relação com a Apple, mas o centro de gravidade do crescimento mudou para chips voltados à computação de alta performance.

A demanda por IA continua maior do que a capacidade disponível, e a administração voltou a reforçar durante a conferência que não observa sinais de desaceleração.

Esse comentário é especialmente importante diante do tamanho dos investimentos feitos pela companhia. A TSMC segue adicionando capacidade porque enxerga clientes dispostos a absorvê-la.

A tese que defendemos desde 2023 continua praticamente a mesma: o mundo precisa de cada vez mais computação. Mais computação exige semicondutores mais avançados. E, nos chips mais avançados, a TSMC continua ocupando uma posição difícil de replicar.

Guidance ficou ainda mais forte

O guidance para o 4T26 foi provavelmente o ponto mais impressionante do resultado.

A empresa espera receitas entre US$ 52,3 bilhões e US$ 54,3 bilhões. Considerando o ponto médio da faixa, isso representaria crescimento próximo de +58% na comparação anual.

É um número impressionante para uma companhia do tamanho da TSMC.

E talvez o dado mais interessante seja observar como as expectativas mudaram ao longo do ano. Em janeiro, o mercado esperava crescimento de receitas de aproximadamente +25,4% para 2026.

Considerando o ponto médio do guidance para o 4T26, a TSMC deve terminar o ano com receitas superiores a US$ 176 bilhões, o que representaria crescimento próximo de +44%.

Em menos de um ano, a expectativa de crescimento praticamente dobrou.

Isso ajuda a explicar boa parte da valorização das ações ao longo do período. O preço subiu, mas os resultados também foram sendo revisados continuamente para cima.

Capex continua elevado

No trimestre, a TSMC investiu aproximadamente US$ 13,9 bilhões em capex. Nos primeiros nove meses de 2026, o investimento acumulado chegou a cerca de US$ 40,4 bilhões.

É muito dinheiro, mas a geração de caixa continua acompanhando.

O free cash flow do trimestre foi de aproximadamente US$ 20,4 bilhões, levando a geração acumulada no ano para cerca de US$ 40,8 bilhões.

Ou seja, mesmo em um dos maiores ciclos de investimento da história da companhia, a TSMC continua gerando caixa em escala suficiente para financiar boa parte dessa expansão.

Esse é um ponto importante para a tese. Capex alto, por si só, não é necessariamente positivo. Se a empresa construir capacidade que depois fique ociosa, os retornos podem cair rapidamente.

Até agora, porém, a dinâmica tem sido exatamente a oposta. A demanda continua maior do que a capacidade.

A demanda continua maior que a oferta

Os comentários da administração durante a conferência foram bastante diretos.

A TSMC não enxerga uma desaceleração da demanda e continua trabalhando para aumentar capacidade o mais rápido possível. A empresa sabe que, enquanto existe um gap relevante entre oferta e demanda, também existe espaço para concorrentes tentarem capturar parte desse mercado.

A companhia não quer deixar “comida no prato” para a competição.

Isso ajuda a explicar a agressividade dos investimentos. O objetivo não é apenas acompanhar o crescimento do mercado, mas absorver a maior parte possível dessa demanda incremental.

É uma estratégia que exige muito capital, mas que também pode reforçar a posição competitiva da TSMC. Quanto mais escala, tecnologia e capacidade a empresa possui, mais difícil fica para clientes migrarem produção crítica para concorrentes.

Margens continuam impressionantes

Evolução das margens bruta, EBIT e líquida da TSMC por trimestre, de 2021 ao 3T26, com margem bruta em 66,4% e líquida acima de 51%
Margens bruta, EBIT e líquida da TSMC por trimestre, do 2T21 ao 3T26. Fonte: TSMC; elaboração Nord

Mesmo com o início do ramp-up de 2 nm e o nível elevado de investimentos, a TSMC entregou margem bruta de 66,4%, margem operacional próxima de 59% e margem líquida acima de 51%.

São números extraordinários para uma fabricante.

A margem bruta ficou abaixo dos 69,9% registrados no trimestre anterior, algo esperado diante do crescimento do 2 nm e dos custos associados à expansão de capacidade. Ainda assim, o nível absoluto continua extremamente elevado.

A TSMC consegue sustentar essas margens porque ocupa uma posição muito específica dentro da indústria. Produzir os chips mais avançados do mundo exige tecnologia, escala, know-how, capital e anos de execução.

Não basta construir uma fábrica.

Essa combinação cria poder de preço e permite que a companhia capture uma parcela muito relevante do valor criado por toda a cadeia de semicondutores.

Vale a pena investir na TSMC?

Sim. Mantemos nossa recomendação de compra.

A TSMC continua sendo nossa principal posição e maior convicção dentro do Nord Global, a carteira de ações internacionais da Nord Investimentos. 

O resultado do 3T26 reforça novamente a tese. A empresa entregou crescimento de receita acima de 40%, lucro crescendo quase 60%, margens acima de 50%, forte geração de caixa e um ramp-up muito rápido de 2 nm.

Além disso, o guidance aponta para uma aceleração ainda maior no 4T26, com crescimento esperado de receita próximo de 60%.

Os riscos continuam existindo. Geopolítica segue sendo o principal deles. O capex é enorme, novas fábricas fora de Taiwan podem pressionar rentabilidade e qualquer ciclo de investimento dessa magnitude precisa ser acompanhado com atenção.

Mas, por enquanto, a execução segue excepcional.

Curiosamente, assim como ocorreu no trimestre anterior, o resultado teve pouco impacto sobre o preço das ações. O mercado já esperava números fortes e boa parte da aceleração vem sendo incorporada gradualmente ao longo do ano.

Isso não diminui a qualidade do trimestre.

A TSMC começou 2026 com o mercado esperando crescimento próximo de 25% e deve terminar o ano crescendo perto de 44%. Enquanto isso, a nova geração de 2 nm já representa 7% das vendas e a demanda continua acima da oferta.

Diante disso, a TSMC segue como “Compra” e principal posição do Nord Global: é a empresa que melhor combina crescimento acelerado, rentabilidade excepcional e uma vantagem competitiva difícil de replicar.