O TRX Real Estate (TRXF11) comunicou ao mercado, em 31 de agosto, que não vai mais avançar na compra de um portfólio de imóveis da Cyrela, negócio avaliado em mais de R$ 2 bilhões e que havia sido anunciado por meio de um memorando de entendimentos (MOU) não vinculante em 5 de agosto. 

A notificação de encerramento foi formalizada à Cy.Capital, e o fundo fez questão de registrar que o distrato ocorre "sem qualquer ônus, penalidade ou obrigação adicional" para as partes. Não há multa nem indenização envolvida.

TRXF11 cancela dois negócios em uma semana 

Esse foi o segundo comunicado do tipo nos últimos dias. Poucos dias antes, em 27 de agosto, o TRXF11 já havia anunciado a desistência de outra transação relevante: a compra das lajes do Pátio Victor Malzoni, o "prédio do Google" na Faria Lima. 

As duas desistências em menos de uma semana acontecem no meio de um movimento mais amplo: o fundo está em pleno ciclo de expansão, com uma nova emissão de cotas bilionária em curso, e vem de um período de forte pressão sobre o preço de suas cotas em 2026.

Para o cotista, o recuo nos dois negócios pode ser lido de duas formas opostas: como um sinal de disciplina de capital, por parte da gestão, em um momento de cota descontada, ou como evidência de que a gestora se comprometeu com um ritmo de crescimento agressivo demais para as condições atuais de mercado. 

Por que o desconto da cota do TRXF11 pesou nas negociações 

O TRXF11 negocia hoje a R$ 78,31 por cota, contra um valor patrimonial de R$ 95,75 — um P/VP de 0,82, ou seja, desconto de 18% sobre o patrimônio contábil do fundo. 

É justamente esse desconto que está no centro do problema: nos dois negócios abandonados, o pagamento envolvia troca de imóveis por cotas do TRXF11, e, com o papel descontado, o vendedor passaria a receber menos valor de mercado do que o combinado no momento do anúncio. 

Faz sentido, sob essa ótica, que operações estruturadas quando a cota valia mais tenham perdido atratividade para quem venderia o ativo. Da mesma forma, perderia atratividade para quem compraria, caso houvesse um acordo de compensação devido à queda no preço da cota.

Por que o TRXF11 ainda pode ser atrativo 

Com a Selic a 14% ao ano, mesmo após o quarto corte consecutivo do Copom, e o Banco Central sinalizando novos cortes possíveis a partir de setembro, o diferencial do TRXF11 frente à renda fixa segue relevante: um yield de quase 14% ao ano, isento de Imposto de Renda para pessoa física, que supera com folga o CDI líquido de imposto. 

Mas esse prêmio só se sustenta se a carteira que respalda a distribuição mantiver a qualidade, a rentabilidade e a gestão ativa que geraram valor ao cotista.