O Tesouro Renda+ (NTN-B1) é um título público federal do Tesouro Direto criado em 2023 especificamente para o planejamento da aposentadoria. Ele combina correção pelo IPCA com uma taxa de juros fixa e paga uma renda mensal corrigida pela inflação por 20 anos a partir da data de conversão escolhida pelo investidor. 

O valor mínimo de aplicação corresponde a 1% do valor do título, o que torna o produto acessível a qualquer perfil de investidor. 

Em 2025, a linha Renda+ contou com R$ 10,4 bilhões investidos, segundo balanço oficial do Tesouro Nacional — reflexo da crescente demanda por alternativas de previdência complementar acessíveis e de baixo custo. 

Ao longo deste artigo, você vai entender como funciona o Tesouro Renda+, quais são as datas de conversão disponíveis, como é a tributação completa, os riscos envolvidos e quando ele faz mais sentido do que a previdência privada ou o Tesouro IPCA+.

Sumário

Como funciona o Tesouro Renda+

Confira suas principais características:

  • período de acumulação e rendimento: o investidor aplica seus recursos ao longo de um período (fase de acumulação) e, na data escolhida para começar a receber a renda (fase de usufruto), o título começa a pagar uma quantia fixa mensal por 20 anos;
  • correção pela inflação: o valor investido e os pagamentos futuros são corrigidos pelo IPCA, garantindo que a renda esteja protegida contra a perda de poder de compra devido à inflação;
  • flexibilidade: o investidor pode escolher tanto a data de início dos pagamentos quanto o valor estimado que deseja receber mensalmente com base em seus aportes, o que permite um planejamento financeiro de longo prazo bem ajustado às suas necessidades.

Por que o Tesouro Renda+ foi criado?

O Tesouro Renda+ foi criado como uma forma de complemento ao plano de previdência dos investidores, fornecendo uma alternativa simplificada, acessível e segura para o planejamento financeiro da aposentadoria.

Qual é o rendimento do Tesouro RendA+?

O rendimento do Tesouro Renda+ é formado por duas partes principais:

  • taxa de juros prefixada: ao comprar o título, você garante uma taxa fixa, que será aplicada durante todo o período até o início do recebimento da renda;
  • correção pela inflação (IPCA): além da taxa fixa, o Tesouro Renda+ é ajustado pelo IPCA, o que garante que tanto o valor acumulado quanto a renda futura estarão protegidos contra a inflação. Isso mantém o poder de compra ao longo do tempo.

Qual o prazo e as datas de conversão do Tesouro Renda+?

O Tesouro Renda+ está disponível em 8 datas de conversão, com intervalos de 5 anos entre elas:

2030 · 2035 · 2040 · 2045 · 2050 · 2055 · 2060 · 2065

Lista completa dos títulos do Renda+ disponíveis para compra, bem como seus preços e rentabilidades. Captura de tela feita em 27 de maio de 2026
Lista completa dos títulos do Renda+ disponíveis para compra, bem como seus preços e rentabilidades. Captura de tela feita em 27 de maio de 2026. Fonte: Tesouro Direto

A data de conversão é o ano em que o título passa a pagar a renda mensal, ou seja, é a "data de aposentadoria" escolhida pelo investidor. A partir desse momento, os pagamentos mensais se estendem por 20 anos. Por exemplo, quem escolhe o Tesouro Renda+ 2040 começa a receber em 2040 e recebe até 2060.

Durante a fase de acumulação, é possível vender o título antes da data de conversão — mas apenas após um período de carência de 60 dias. Nesse caso, o valor resgatado estará sujeito à marcação a mercado, o que significa que o preço pode ser maior ou menor do que o investido, dependendo das condições do mercado no momento do resgate.

Para garantir a renda planejada, o ideal é manter o investimento até a data de conversão escolhida.

Qual a diferença entre Tesouro Renda+ e previdência privada?

A diferença entre o Tesouro Renda+ e a previdência privada está principalmente nos custos, controle e flexibilidade. 

O Tesouro Renda+ costuma ter custos mais baixos, pois não há cobrança de taxas de administração e carregamento, que são comuns nos planos de previdência privada e podem reduzir a rentabilidade ao longo do tempo.

Além disso, o Tesouro Renda+ oferece maior controle ao investidor, permitindo que ele escolha o título e saiba antecipadamente o valor da renda futura. Na previdência privada, o controle é mais limitado, já que os recursos são geridos pela instituição financeira.

Em termos de tributação, ambos podem possuir a tabela regressiva do Imposto de Renda, que reduz a alíquota conforme o tempo de aplicação. No entanto, no regime regressivo da previdência privada, é possível chegar a uma alíquota mínima de 10%, sendo menor do que a alíquota mínima de 15% do Tesouro Direto. 

No Tesouro Renda+, a renda mensal é fixa por 20 anos e corrigida pela inflação (IPCA), enquanto a previdência privada oferece diferentes formas de recebimento, como renda vitalícia, temporária ou resgate único.

Outra diferença importante está na segurança. O Tesouro Renda+ é um título público emitido pelo governo, considerado de baixo risco. Já a previdência privada depende do desempenho dos investimentos e da solidez da instituição financeira. 

Em resumo, o Tesouro Renda+ oferece menor custo e maior previsibilidade, enquanto a previdência privada proporciona mais flexibilidade tributária e opções de renda, mas com maiores taxas de administração.

Diferença entre o Tesouro IPCA+ e Renda+

A principal diferença entre o Tesouro IPCA+ e o Tesouro Renda+ está no objetivo de cada título e na forma como os rendimentos são pagos.

O Tesouro IPCA+ é indicado para investidores que buscam proteger seu capital contra a inflação e garantir um rendimento real ao longo do tempo.

Ele paga uma taxa de juros fixa mais a variação do IPCA (inflação) e é possível escolher resgatar o valor investido com os rendimentos acumulados ao final do prazo ou, no caso do Tesouro IPCA+ com juros semestrais, receber uma parte dos juros semestralmente.

Já o Tesouro Renda+, como explicamos, é voltado para quem deseja uma renda complementar futura, como na aposentadoria.

Ao investir nele, o objetivo é acumular capital e, a partir de uma data escolhida, começar a receber uma renda mensal por 20 anos, ajustada pela inflação. Diferente do Tesouro IPCA+, ele não permite o resgate do valor total de uma vez, mas sim pagamentos mensais a partir do início do período de recebimento.

Diferenciais do Renda+

Entenda os principais diferenciais e características do Renda+.

Valor mínimo para investir no Renda+

Assim como outros títulos do Tesouro Direto, a aplicação mínima do Renda+ gira em torno de R$ 30.

Período de carência

Diferente de outros títulos de renda fixa, como o IPCA+, ao comprar títulos do Renda+ existe um período de carência de 60 dias. Assim, durante esse período, não é possível vender esse título neste período.

Tributação do Tesouro Renda+ 

O Tesouro Renda+ tem três componentes tributários: IOF, Imposto de Renda e taxa de custódia.

IOF 

Incide apenas sobre resgates realizados em menos de 30 dias após a aplicação. A alíquota é regressiva e chega a zero no 31º dia. Ou seja, quem mantém o título por mais de 30 dias está isento de IOF. Na prática, como o Tesouro Renda+ tem carência de 60 dias para resgate, o IOF só seria relevante em situações excepcionais autorizadas pelo Tesouro.

Imposto de Renda

Incide apenas sobre o rendimento, não sobre o valor total investido, e segue a tabela regressiva:

Prazo de aplicaçãoAlíquota de IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

Como o Tesouro Renda+ é um investimento de longo prazo, a alíquota de 15% será a mais comum para a maioria dos investidores.

Taxa de custódia

A taxa de custódia incide apenas em caso de resgate antecipado — não há cobrança semestral sobre o saldo, diferentemente do que ocorre em outros títulos do Tesouro Direto. A tabela é regressiva:

Prazo até o resgateTaxa de custódia (a.a.)
De 0 a 10 anos0,50%
De 10 a 20 anos0,20%
Acima de 20 anos0,10%
No vencimento0%

Após a data de conversão, durante o período de recebimento da renda mensal, a taxa de custódia é de 0,10% ao ano sobre o valor que exceder 6 salários mínimos. Investidores com renda mensal de até 6 salários mínimos são isentos.

Posso usar o Tesouro RendA+ para a reserva de emergência?

Não. A reserva de emergência deve ser investida em títulos com liquidez diária e que não sofram impacto da marcação a mercado. O Tesouro Renda+ não é adequado para esse propósito, pois possui um prazo de carência de 60 dias para resgate e está sujeito à marcação a mercado. 

Para uma reserva de emergência, a opção mais indicada no Tesouro Direto é o Tesouro Selic, que oferece liquidez diária sem oscilações significativas no valor. O lançamento do Tesouro Reserva também criou uma nova alternativa.

Como calcular a aposentadoria com o Renda+

Para calcular sua aposentadoria com o Renda+, o Tesouro disponibiliza um site para uma simulação. Assim, é possível ver uma estimativa sobre o valor do aporte mensal necessário e o valor que você deve receber.

Confira o passo a passo:

  • acesse o
  • na parte superior, clique em “Produtos” e em seguida em “Renda+”;
  • logo no início da página, você pode fazer uma simulação;
  • preencha as informações solicitadas, como sua idade, com quantos anos pretende se aposentar, valor da renda extra que deseja e valor do aporte inicial;
  • clique em “Simular” e veja o título recomendado para seus objetivos;
  • se desejar fazer o investimento, clique em “Investir Agora” ou selecione “Ver outras opções” para conferir todas as opções disponíveis.

Vale a pena investir no Tesouro Renda+?

Sim, para aqueles que desejam ter uma renda mensal complementar na aposentadoria, vale a pena investir no Tesouro Renda+. 

Com esse investimento, é possível ter uma renda extra no futuro, sendo uma opção interessante para quem deseja planejar a aposentadoria. O Renda+ é atrelado à variação do IPCA, garantindo proteção contra a inflação ao longo do tempo.

Ainda, por ser emitido pelo governo, é uma opção de investimento de alta segurança e confiabilidade.

Por outro lado, existem outras opções de investimentos, como os fundos de previdência, que também são boas opções para quem está pensando em garantir a aposentadoria.

Quais são os riscos do Tesouro Renda+?

O Tesouro Renda+ é considerado de baixo risco, mas isso não significa ausência de riscos. Conhecê-los é essencial para tomar uma decisão bem fundamentada.

Risco de crédito

É o risco de o emissor não honrar o pagamento. No caso do Tesouro Renda+, o emissor é o governo federal brasileiro, considerado o menor risco de crédito entre todos os emissores do país. Na prática, um calote do governo federal implicaria uma crise sistêmica de proporções muito maiores do que a perda do investimento em si.

Risco de mercado

É o risco de oscilação no preço do título antes da data de conversão. Como o Tesouro Renda+ é indexado ao IPCA acrescido de taxa prefixada, seu preço varia conforme as expectativas de juros e inflação mudam no mercado. Quando as taxas sobem, o preço do título cai — e vice-versa. Quem precisar vender antes da data de conversão pode resgatar um valor menor do que o investido.

Por isso, o Tesouro Renda+ só faz sentido para quem tem horizonte de longo prazo e condições de manter o título até a data de conversão escolhida.

Risco de liquidez

É o risco de não conseguir vender o título rapidamente a um preço justo. Para títulos do governo federal, esse risco é consideravelmente baixo — o Tesouro Direto garante a recompra diária dos títulos em dias úteis. No entanto, há o período de carência de 60 dias após a compra, durante o qual o resgate antecipado não é permitido.

Entender como o Tesouro Renda+ funciona é o primeiro passo. O segundo é saber quando ele faz sentido dentro da sua carteira e quais outros títulos de renda fixa complementam a estratégia de aposentadoria com melhor relação risco-retorno no cenário atual.

O Tesouro Renda+ é uma peça. A carteira completa vai além

Com o Renda Fixa PRO, você descobre quais títulos comprar agora — Tesouro Direto, CDB, LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures — com a mesma estratégia dos gestores profissionais, sem cair nas armadilhas dos bancos tradicionais.

Perguntas frequentes

O que acontece com o Tesouro Renda+ se eu falecer antes de começar a receber?

Os títulos são transferidos aos herdeiros, que podem optar por mantê-los até a data de conversão ou vendê-los antecipadamente. No caso de venda antecipada pelos herdeiros, as regras normais de marcação a mercado e taxa de custódia se aplicam. O processo de transferência segue as regras gerais de inventário.

O Tesouro Renda+ é melhor que o PGBL ou VGBL? 

Depende do perfil. O Tesouro Renda+ tem custo menor, sem taxa de administração, e maior previsibilidade, pois a renda futura é conhecida no momento da compra. Já o PGBL oferece dedução de até 12% da renda bruta tributável no IR, o que é vantajoso para quem faz declaração completa. A estratégia mais eficiente para muitos investidores é combinar os dois: PGBL para aproveitar o benefício fiscal e Renda+ para complementar com baixo custo.

A mudança na tributação de investimentos em 2026 afeta o Tesouro Renda+? 

Não. A reforma tributária que unifica a alíquota de IR em 17,5% para investimentos de renda fixa a partir de 2026 não se aplica ao Tesouro Renda+ nem ao Tesouro Educa+. Esses títulos continuam seguindo a tabela regressiva de IR, de 22,5% até 15%, conforme as regras originais do produto.

Posso comprar Tesouro Renda+ de datas diferentes ao mesmo tempo? 

Sim, e essa é inclusive uma estratégia recomendada. Comprar títulos com datas de conversão escalonadas — por exemplo, 2035, 2040 e 2045 — permite criar um fluxo contínuo de renda mensal ao longo de diferentes fases da aposentadoria, em vez de receber tudo concentrado em um único período de 20 anos.

O Tesouro Renda+ é indicado para quem já tem previdência pelo INSS?

Sim — e foi criado justamente para esse propósito. O teto do INSS em 2026 é de aproximadamente R$ 7.500 mensais, valor insuficiente para manter o padrão de vida de muitos aposentados. O Renda+ funciona como complemento à previdência pública, não como substituto, combinando a segurança de um título soberano com proteção contra a inflação por 20 anos.