A parcela internacional de uma carteira não deveria mudar toda vez que o câmbio se move. Ela existe para cumprir um papel estrutural — proteção fiscal, institucional e de jurisdição — que não desaparece porque o dólar caiu ou o CDI está pagando bem.

É dentro dessa estrutura que cabem posições táticas: apostas pontuais, aprovadas quando o mercado abre uma assimetria clara. A mais recente delas nasceu de uma queda abrupta.

Oportunidade no exterior recomendada pela Nord

Nas últimas semanas, uma pergunta se repetiu nas reuniões com clientes: “Com o CDI pagando mais de 14% e o dólar caindo, ainda faz sentido ter patrimônio lá fora?

É uma pergunta legítima, ainda mais agora. Como a própria Nord já mostrou: o dólar recuou 7% em 2026, mas o risco que ele protege só aumentou. A dívida bruta saiu de 78,7% para 81,1% do PIB em poucos meses (e segue em trajetória para chegar aos 100% em 2030), o FMI voltou a pedir um aperto de três pontos do PIB para ajustar a rota da dívida, e estamos em ano eleitoral, com o Banco Central cortando juros e a inflação ainda longe da meta.

Ou seja: o seguro ficou mais barato justamente no ano em que o risco segurado cresceu.

Gráfico de barras comparando a queda do dólar à vista, de R$ 5,46 em dezembro de 2025 para R$ 5,06 em julho de 2026, com o aumento da dívida bruta do governo geral, de 78,7% do PIB em dezembro de 2025 para 81,1% em maio de 2026

Como baseamos as alocações internacionais na Nord

Na Nord Wealth, a parcela internacional das carteiras não nasce de uma opinião sobre onde o dólar estará em dezembro, afinal, nem nós nem ninguém sabe. Ela nasce de três perguntas que fazemos em todo planejamento:

Quanto do seu patrimônio depende de uma única moeda, uma única jurisdição e um único risco fiscal darem certo ao mesmo tempo?

Onde a sua vida acontece? Onde você vai gastar, educar filhos, se aposentar e transmitir patrimônio?

A estrutura tributária e sucessória está desenhada desde o primeiro dólar, ou vai custar caro arrumar depois?

Respondidas essas perguntas, define-se o percentual estrutural em moeda forte. Ele não muda porque o câmbio caiu 7% ou subiu 15%. 

Essa camada existe para cumprir um papel que vai muito além de retorno: é hedge fiscal, hedge político e hedge institucional. É a parte da carteira contratada para pagar no cenário em que todo o resto deixa de pagar.

Costumamos dizer que, hoje, dado o contexto local, todos os perfis deveriam considerar ao menos 15% do patrimônio em moeda forte. E, em geral, à medida que o patrimônio aumenta e passa a ser suficiente para garantir a liberdade financeira local apenas com os valores em R$, o montante internacionalizado deveria ser ainda maior.

A entrada é sempre escalonada, porque ninguém sabe se R$ 5,06 é “bom” ou “ruim”. O que sabemos é que a maioria das carteiras que revisamos chega aqui com quase tudo (ativos financeiros, imóveis, empresa e renda) concentrado no Brasil.

Semicondutores: a nova posição tática aprovada pelo comitê

É aqui que o comitê de investimentos da Nord faz a diferença. Com a estrutura definida, ganhamos liberdade para agir quando o mercado oferece assimetrias.

No último comitê, aprovamos uma nova posição tática dentro da parcela internacional: semicondutores.

Em 22 de junho, o setor de semicondutores marcou máxima histórica após subir mais de 130% em doze meses. 

Cinco semanas depois, o filme rodou ao contrário em velocidade acelerada: a Coreia, epicentro do movimento, caiu quase 39%; o SOXX recuou 25%; e o SMH, 21%, quedas bem superiores às da Nasdaq e do S&P 500 no mesmo período.

Gráfico de linhas mostrando o desempenho acumulado do S&P 500, Nasdaq, Japão, Semicondutores (SMH e SOXX) e Coreia entre 22 de junho e 30 de julho de 2026, com a Coreia caindo quase 39% e os ETFs de semicondutores recuando entre 21% e 25%, quedas bem maiores do que as do S&P 500 e da Nasdaq no mesmo período.
 

O que explica a queda dos semicondutores em 2026

No comitê, a pergunta central foi direta: essa queda reflete um problema real do setor, ou foi apenas um ajuste de posicionamento do mercado?

Avaliamos que o segundo cenário explica a maior parte do movimento — e identificamos três fatores que se combinaram para isso:

  • A guinada do Fed. Em junho, o banco central americano endureceu o discurso sobre inflação e sinalizou que ainda pode subir os juros neste ano. Quando a taxa de desconto sobe, ativos com fluxo de caixa mais distante no tempo — como é o caso típico de empresas de tecnologia — sofrem de forma desproporcional.
  • A narrativa de escassez começou a rachar. A Meta anunciou planos de revender capacidade computacional excedente. Um dos maiores compradores da cadeia de chips admitindo que tem sobra mudou completamente o tom da conversa: de "não existem chips suficientes" para "talvez exista excesso de capacidade".
  • Um posicionamento excessivamente concentrado se desfez. A fatia de fundos globais alocada em semicondutores saltou de 10% no início do ano para 24% em junho — o maior nível já registrado. Quando o mercado inverteu a direção, essa posição precisou ser reduzida de uma vez, muito mais por limites de mandato dos gestores do que por qualquer mudança de convicção sobre o setor.

Essa distinção importa porque tem consequências diferentes: vendas motivadas por gestão de risco tendem a se esgotar; vendas motivadas por piora de fundamento, não. E boa parte do excesso de posicionamento de junho já foi corrigida — o que sugere que a pressão vendedora mais intensa ficou para trás.

Lucros de semicondutores sobem mesmo com a queda das ações

Enquanto os preços cediam, as projeções de lucro para os próximos doze meses seguiram sendo revisadas para cima em todos os mercados atingidos.

Gráfico de linhas mostrando a revisão para cima das projeções de lucro por ação para os próximos doze meses em Coreia, Japão, Nasdaq e S&P 500 ao longo de 2026, com a Coreia liderando a alta nas estimativas apesar da forte queda no preço das ações do setor de semicondutores
 

O preço caiu. O lucro esperado subiu. É essa divergência que abre a janela.

Ações de semicondutores negociam com desconto histórico

A consequência aritmética dessa combinação é uma compressão relevante de múltiplos. 

O Nasdaq negocia hoje a 20,9 vezes o lucro projetado para doze meses, contra média de 23 vezes nos últimos dez anos, abaixo de um desvio-padrão da média histórica. 

No caso extremo, a Coreia negocia a 4,7 vezes, ante média de 10,1 vezes: um território que a própria série histórica não registrava.

Gráfico de linhas mostrando a evolução do múltiplo Preço/Lucro (P/E) projetado para os próximos 12 meses do Nasdaq entre julho de 2016 e julho de 2026, atualmente em 20,9 vezes, abaixo da média histórica de 23 vezes e próximo da banda inferior de um desvio-padrão, indicando desconto em relação ao histórico.
 

Vale a ressalva de sempre: parte desse desconto reflete o ceticismo do mercado com projeções que subiram muito rápido. Ainda assim, mesmo aplicando um corte generoso nas estimativas, o desconto permanece expressivo.

Como sempre, a oportunidade vem com planejamento:

Para quem: clientes de perfil arrojado, com tolerância à volatilidade. Oscilações diárias de 4% a 6% são normais nesse setor.

Quanto: exposição controlada, entre 3% e 5% da parcela de renda variável internacional.

Como: via SOXX, ETF que entrega o setor de forma mais ampla e menos concentrada em uma única companhia.

Repare no detalhe: a posição tática só é possível porque a estrutura existe antes. Quem tem conta internacional aberta, estrutura tributária desenhada e uma alocação entre equities e fixed income já bem distribuída, pode aproveitar oportunidades “satélites” de uma alocação estrutural.

Como o comitê da Nord já acertou antes

Esse mesmo processo já gerou frutos concretos para os clientes da casa:

CNXT (tecnologia chinesa): posição tática montada em momento de estresse do setor, hoje encerrada com lucros superiores a 40–50%.

ARGT (Argentina): tese contracíclica em um mercado que quase ninguém queria olhar, ainda em maturação e caminhando dentro do roteiro econômico que desenhamos.

Semicondutores (SOXX): a mais recente adição, aprovada no comitê de agosto.

Todas essas oportunidades passaram pelo mesmo filtro: dados, debate em comitê, leitura de assimetria e dimensionamento claro

Da mesma maneira que fizemos com essa, todas foram oferecidas apenas aos clientes cujo perfil e cujos objetivos comportavam o risco. Afinal, a carteira precisa mesmo é de uma exposição estrutural. As posições “satélite”, cuja volatilidade costuma ser bem maior, só cabem para perfis específicos.

Vale o registro de sempre: resultado passado não é garantia de resultado futuro, e posições táticas podem, e vão, oscilar. O que se repete não é o retorno de cada tese, e sim o processo que as origina.

O custo de esperar clareza total

O erro mais comum que vemos não é errar o câmbio nem escolher o ETF “errado”. É esperar o momento perfeito para começar: esperar o dólar “voltar”, esperar a eleição passar, esperar o cenário ficar claro. 

Essa clareza raramente vem e, quando vem, costuma chegar acompanhada de preços piores e menos alternativas.

Enquanto isso, as janelas passam. A de semicondutores está aberta agora, para quem tem estrutura para aproveitá-la.

Se você leu até aqui e não sabe de cabeça qual é o percentual do seu patrimônio em moeda forte — ou se a sua carteira não tem hoje a estrutura para capturar oportunidades como essa —, esse já é o sinal. 

Agende uma conversa com a nossa equipe: revisamos a alocação, o enquadramento de risco e desenhamos a estrutura internacional adequada aos seus objetivos.