OPA do Santander: banco prevê concluir operação em 2027
Santander prepara OPA de permuta de ações da unidade brasileira, com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2027. Entenda a operação
O Santander Brasil informou que seu controlador, o Banco Santander, avança nos preparativos para realizar uma oferta de permuta envolvendo as ações da subsidiária brasileira que permanecem nas mãos de investidores minoritários.
A operação será realizada por meio de uma oferta pública de aquisição (OPA) voluntária de permuta no Brasil, acompanhada de uma oferta simultânea nos Estados Unidos. Segundo o cronograma divulgado pelo controlador, a expectativa é concluir o processo no primeiro semestre de 2027.
Santander OPA deve ser concluída no primeiro semestre de 2027
O Banco Santander está preparando a documentação necessária para protocolar as ofertas de permuta no Brasil e nos Estados Unidos. Os pedidos devem ser apresentados nas próximas semanas.
O processo também envolve o registro do banco espanhol como emissor estrangeiro no Brasil e a listagem de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) do Santander na B3.
A conclusão da operação, no entanto, ainda depende das aprovações regulatórias necessárias e do aval dos acionistas do Banco Santander para o aumento de capital relacionado à oferta.
Os procedimentos, condições definitivas e prazos para que os investidores possam aderir à operação serão divulgados posteriormente.
Como vai funcionar a OPA do Santander Brasil?
A proposta prevê que acionistas minoritários do Santander Brasil possam trocar seus papéis por ativos vinculados às ações do Banco Santander, controlador espanhol da instituição.
Diferentemente de uma aquisição tradicional paga em dinheiro, a operação será estruturada como uma permuta. Dessa forma, os investidores que aceitarem a proposta passarão a ter exposição à matriz espanhola.
A relação de troca e as demais condições aplicáveis aos acionistas serão estabelecidas na documentação definitiva da operação.
Por que o Santander quer aumentar sua participação no Brasil?
A oferta faz parte da estratégia do Banco Santander de ampliar sua participação na subsidiária brasileira, adquirindo os papéis que ainda permanecem com investidores minoritários.
Quando anunciou a operação, o controlador informou que buscava adquirir aproximadamente 10% do capital do Santander Brasil que ainda estava nas mãos de outros acionistas.
Com a permuta, a matriz espanhola poderá aumentar sua participação no negócio brasileiro, ao mesmo tempo em que os investidores que aderirem à oferta passam a ter exposição ao conglomerado internacional.
O que acontece com as ações do Santander Brasil na B3?
Um dos principais pontos para os investidores é o possível impacto da operação sobre a quantidade de ações do Santander Brasil disponíveis para negociação no mercado.
Caso a adesão dos acionistas minoritários seja elevada, o número de papéis em circulação poderá diminuir. Com um free float menor, as ações e units do banco brasileiro podem apresentar redução de liquidez na B3.
Isso significa que poderá haver uma quantidade menor de papéis disponíveis para compra e venda no mercado.
Santander Brasil pode sair da Bolsa?
A realização da oferta não significa automaticamente que o Santander Brasil deixará de ter ações negociadas na B3.
O banco indicou que a operação atual não tem como objetivo imediato fechar o capital da subsidiária brasileira. No entanto, uma eventual redução expressiva do número de ações em circulação pode influenciar decisões futuras relacionadas à permanência dos papéis na Bolsa.
O resultado dependerá, entre outros fatores, do nível de adesão dos acionistas à oferta e das etapas posteriores adotadas pelo controlador.
O que muda para os acionistas do Santander Brasil?
Os investidores deverão avaliar as condições definitivas da oferta antes de decidir se participarão da permuta.
Quem aderir deixará de ter a mesma exposição direta ao Santander Brasil e receberá, conforme os termos da operação, ativos relacionados às ações do Banco Santander negociadas no exterior.
A mudança amplia a exposição do investidor ao grupo global, que possui negócios em diferentes mercados. Por outro lado, características como liquidez, estrutura do investimento e exposição geográfica serão diferentes das atuais.
Para quem optar por não aderir, um dos pontos de atenção será justamente a liquidez dos papéis do Santander Brasil após a conclusão da oferta.
Santander já realizou operação semelhante no Brasil
O movimento tem precedente. Em 2014, o Santander realizou uma operação de troca de ações envolvendo sua subsidiária brasileira e BDRs representativos de ações da matriz espanhola.
Na ocasião, a operação aumentou a participação do controlador e esteve relacionada à saída do Santander Brasil do Nível 2 de Governança Corporativa da então BM&FBovespa.
A nova oferta volta a colocar a relação entre a matriz espanhola e os acionistas minoritários brasileiros no centro das atenções do mercado.
Agora, os investidores aguardam a divulgação da documentação definitiva, das condições de adesão e das aprovações necessárias para que a operação avance.

