Fundos Imobiliários (FIIs): a sabedoria que pode enriquecer você
Descubra como os ensinamentos de Salomão, Arkad, Marco Aurélio e Confúcio podem ajudar você a investir melhor em Fundos Imobiliários (FIIs) e construir patrimônio no longo prazo
Investir em Fundos Imobiliários (FIIs) vai muito além de escolher bons ativos ou acompanhar relatórios mensais. O que realmente diferencia os investidores que constroem patrimônio ao longo do tempo é a capacidade de tomar boas decisões, especialmente nos momentos de incerteza e volatilidade.
Curiosamente, essa não é uma lição nova. Muito antes da existência da Bolsa de Valores, pensadores como Salomão, Arkad, Marco Aurélio e Confúcio já ensinavam princípios que continuam atuais para quem busca investir melhor.
Conhecimento e sabedoria: qual a diferença para o investidor?
O conhecimento nada mais é do que o acúmulo de informações. Fazemos isso ao longo de nossas vidas: acumulamos conhecimento. Ele é muito importante para achar soluções técnicas para assuntos que precisam de uma.
Já a sabedoria é saber como e quando usar o conhecimento adquirido. Você já viu gente muito inteligente perdendo a oportunidade de ficar calado quando fala uma besteira sem tamanho? Pois é…
O mundo político é recheado de pessoas que deixam “pérolas” para a eternidade.
Deixe-me dar um exemplo mais simples e divertido, que distingue informação de sabedoria:
Conhecimento é saber que o bife à parmegiana só existe no Brasil. Se você pedir uma “parmigiana” na Itália, vai receber um prato de berinjela com queijo.
Isso mesmo. Berinjela com queijo, nada de carne. Isso é conhecimento.
Sabedoria é não usar o precioso queijo em um prato que leva berinjela.
Você pode discordar. Mas prefiro um belo bife embaixo do queijo!
O que Salomão ensina sobre construir riqueza
Quando o assunto é sabedoria, algumas figuras históricas se destacam por essa virtude. Para mim, uma das figuras históricas que mais representa essa qualidade é o Rei Salomão.
Salomão poderia ter pedido exércitos maiores, terras mais extensas ou simplesmente uma vida mais longa. Pediu sabedoria e discernimento. O que aconteceu depois? As riquezas vieram como consequência.
Não como objetivo, mas como resultado natural de decisões bem tomadas. Está em negrito. Guarde isso.
O episódio mais conhecido da sabedoria do jovem rei é o julgamento das duas mulheres que disputavam a maternidade de um bebê. Qualquer um com “conhecimento jurídico” da época teria pedido testemunhas e provas antes de julgar.
Salomão resolveu de forma mais rápida, com uma proposta aparentemente absurda: dividir a criança ao meio entre as mães que disputavam a sua guarda, sabendo, de antemão, que a reação emocional de cada mulher revelaria a verdade.
Enquanto uma das mulheres concordou com a proposta, a outra discordou desesperada, desistiu do pleito e pediu para que o rei desse a criança inteira e viva à rival. Essa era a mãe de verdade, que acabou reavendo o bebê.
No livro de Provérbios, atribuído em grande parte a Salomão, encontramos passagens que, se retiradas do contexto e colocadas em qualquer manual de finanças moderno, passariam despercebidas como citações de Warren Buffett ou Benjamin Graham.
O vocabulário pode ser diferente, mas a sabedoria é a mesma.
"O que tem pressa de enriquecer não ficará impune." — Provérbios 28:20-
Esse provérbio, para além do lado espiritual, nos fala sobre probabilidade. Quem tenta enriquecer rápido assume riscos que não consegue medir — e quem não consegue medir o risco é controlado por ele.
Salomão sabia isso antes mesmo de o mercado financeiro existir.
Munger e Buffett tiveram um sócio que tinha pressa de enriquecer. Chamava-se Rick Guerin. Hoje ninguém conhece o nome dele, pois ficou pelo caminho, após usar alavancagem para tentar enriquecer mais rápido.
Sobre isso, Buffett comentou: "Charlie e eu sempre soubemos que ficaríamos ricos. Mas não estávamos com pressa. Rick era tão inteligente quanto nós. Mas ele estava com pressa."
Arkad e a importância de fazer o dinheiro trabalhar
Continuando com a nossa saga em busca da sabedoria, vamos agora falar sobre um personagem de um livro.
Cerca de quinhentos anos depois de Salomão, às margens do rio Eufrates, florescia a cidade da Babilônia.
Com uma riqueza comercial impressionante, jardins suspensos que figuravam entre as maravilhas do mundo e uma sofisticada rede de trocas e crédito, a Babilônia era, naquele tempo, o que havia de mais rico e belo.
É de lá que Clason tirou a história de Arkad, o homem mais rico da Babilônia. Arkad não nasceu rico. Era talhador de tábuas de argila, nas quais os documentos financeiros da época eram escritos!
Um dia, percebeu algo que seus contemporâneos ignoravam: o dinheiro que saía de suas mãos sempre era maior do que o que entrava. A solução era cirúrgica em sua simplicidade: guardar um décimo de tudo o que recebia, antes de qualquer gasto.
Entre os pensamentos de Arkad estavam: controlar os gastos, colocar o dinheiro para trabalhar por ele, proteger seu patrimônio de perdas e investir em conhecimento antes de colocar dinheiro em algo.
Esse último ponto merece atenção especial. Arkad tinha um conselho muito atual, em tempos de Banco Master: "Não confie tua riqueza a homens mais espertos que você, a menos que você entenda o que eles fazem com ela."
Traduzindo para o século XXI: antes de comprar qualquer FII, entenda o que está dentro dele. Conheça seus ativos, sua gestão, sua vacância e seu endividamento. A falta de conhecimento é o caminho mais rápido para a pobreza.
"Faça seu ouro trabalhar para você. Cada moeda que você economiza é um servo que trabalha para criar mais." — Arkad-
Essa frase acima é a essência do que chamamos hoje de renda passiva. O FII que você compra hoje não é apenas uma cota na Bolsa.
É um servo que acorda cedo, abre as portas do shopping, recebe o aluguel da laje corporativa, entrega o produto no galpão logístico e deposita os rendimentos na sua conta todo mês, enquanto você dorme.
Arkad entendia esse conceito antes mesmo de ele ter um nome.
Marco Aurélio e o investidor de longo prazo
Avancemos alguns séculos. Estamos em Roma, no século II d.C. O imperador se chama Marco Aurélio, considerado por muitos historiadores o maior líder que o Império Romano já teve.
Filósofo estoico, autor das famosas Meditações, ele governava o maior e mais complexo organismo político do mundo antigo, com uma disciplina mental que poucos conseguiram replicar.
O estoicismo, filosofia que Marco Aurélio praticava, tem um princípio central muito usado por investidores experientes: "Foca apenas no que está sob o teu controle."
A taxa de juros não está sob o seu controle. O IPCA não está. A decisão do Copom não está. O resultado do trimestre de um determinado FII não está. As próximas eleições também não.
O que está sob o seu controle? O quanto você poupa, a regularidade dos seus aportes, a qualidade dos ativos que escolhe, a diversificação da sua carteira e a decisão de não vender no pânico.
O investidor que age assim, comprando nos momentos de crise com serenidade, ignorando o ruído do noticiário e mantendo o plano, está praticando estoicismo financeiro.
Confúcio e o poder dos aportes consistentes
Ainda no século V a.C., mas do outro lado do mundo, na China, outro sábio nos deixou ensinamentos que atravessam milênios com elegância. Confúcio não era um investidor, mas entendia de acumulação como poucos.
Sua frase mais conhecida no campo do aprendizado é devastadoramente simples: "O homem que move montanhas começa carregando pedras pequenas." Não há estratégia mais poderosa para o investidor comum do que essa: aportes pequenos, constantes e disciplinados.
Mês após mês, sem esperar pelo "momento ideal", sem aguardar a queda que "vai acontecer".
Confúcio também dizia: "Aprenda com o ontem, viva o hoje, tenha esperança no amanhã. O importante é não parar de questionar."
No universo dos fundos imobiliários, isso se traduz em algo muito concreto: estudar os ciclos passados sem ser prisioneiro deles, agir no presente com base em fundamentos reais, não em narrativas de mercado, e manter a convicção de longo prazo mesmo quando o curto prazo assusta.
"Nossa maior glória não está em nunca cair, mas em nos levantarmos toda vez que caímos." — Confúcio-
O que essas lições têm em comum para quem investe em FIIs
Salomão pediu sabedoria e recebeu riqueza. Arkad guardou um décimo e fez o dinheiro trabalhar enquanto dormia. Confúcio carregou pedras pequenas até mover montanhas. Marco Aurélio ignorou o que não controlava e governou com serenidade.
Quatro homens, quatro épocas, quatro cantos do mundo e uma única equação.
A conclusão é simples, embora não seja fácil de praticar: o investidor sábio não é o que mais sabe. É o que melhor aplica o que sabe, no momento certo, com a cabeça fria e o plano na mão.
Sabedoria é o que você mais precisa hoje, para conseguir navegar no mar da intranquilidade e volatilidade que estamos vivendo.
Na próxima vez que abrir o home broker e o seu coração disparar, lembre-se: Salomão já sabia que a pressa destrói. Marco Aurélio já sabia que o pânico é uma escolha. Confúcio já sabia que o que importa é se levantar após a queda. Arkad já sabia que o servo mais fiel que você jamais terá é o dinheiro bem investido.
Não desista, sempre persista!

