Vou perder dinheiro com os títulos públicos brasileiros?
A dívida pública brasileira foi de 71,7% para 81,1% do PIB em três anos. Entenda qual é o risco real dos títulos públicos e como proteger seu patrimônio
Nas últimas semanas, a pergunta “Vou tomar calote nos títulos públicos?” foi a que mais escutamos dos nossos clientes. Esse medo faz sentido, pois os números do Brasil assustam mesmo.
A dívida do governo saiu de 71,7% do PIB em 2022 para 81,1% hoje (mais de R$ 10 trilhões). Quase dez pontos de piora em pouco mais de três anos, algo visto só durante o governo Dilma.

Repare nas duas linhas tracejadas do gráfico.
A amarela não é projeção de pessimista, e sim a conta do próprio Tesouro Nacional, que admite que a dívida segue subindo até 88,6% do PIB em 2032. Seis anos seguidos de piora no cenário oficial.
A vermelha é o que o mercado enxerga: o Boletim Focus projeta 94% do PIB já em 2030; mais dívida, mais cedo.
Ou seja: o cenário “bom” é a dívida piorar por seis anos seguidos. Quem empresta o dinheiro acha que nem isso o governo entrega. Nem o devedor, nem os credores acreditam em melhora tão cedo.
E o custo dessa dívida já apareceu. Só de juros, o país paga R$ 1,1 trilhão por ano. Para dar escala: é quatro vezes o orçamento de toda a educação federal.

E o ajuste? Precisa vir do corte de gastos, afinal, imposto já subiu tudo o que podia subir. O problema é que 92% do orçamento é despesa obrigatória: Previdência, salários, pisos de saúde e educação. Mexer nisso exige reformas duras, impopulares e de alto custo político. Ninguém faz reforma dura em ano de eleição.
Ou seja: a conta é grande, o ajuste é difícil e ficou para depois. Daí a pergunta do título.
O Brasil pode dar calote nos títulos públicos?
Resposta direta: o calote clássico (o não pagamento dos títulos do Tesouro Selic) é muito improvável. Mais de 95% da dívida é emitida em reais, e o governo emite a própria moeda em que deve. Na prática, ele sempre consegue pagar.
O risco de verdade é outro, e é mais silencioso: o governo paga, mas o dinheiro que você recebe vale menos.
Inflação acima da meta, dólar mais caro e mais imposto sobre os seus investimentos. Foi assim em todos os países que deixaram a dívida sair do controle e foi assim no próprio Brasil, mais de uma vez. Quem investiu nos anos 80 e 90 sabe: o título foi pago. O que ele comprava no vencimento é outra história.
Quem entende essa diferença já sabe o que fazer. Quem não entende costuma cometer o erro que mais vemos por aqui.
Por que concentrar tudo em CDI não protege do risco Brasil
Diante do medo, a reação mais comum é vender tudo e concentrar 100% do patrimônio em CDI e títulos públicos.

O quadro acima resume o paradoxo: se o risco que te assusta é o risco Brasil, a carteira 100% CDI é a mais exposta possível a ele. Não há diversificação nenhuma ali.
Há, ainda, um segundo problema, que pouca gente para para pensar.
O CDI é o ativo livre de risco da nossa economia. Se o ativo livre de risco ganha de empresas, de imóveis e de todos os ativos de risco, TODOS os anos, há algo muito errado.
Pense no que isso significa: ninguém que produz consegue competir com o dinheiro parado. Isso não é sinal de que o Brasil é o paraíso do investidor, mas sim uma bandeira vermelha. Significa que o país paga um juro que sufoca quem produz e que as próprias contas do governo não sustentam.
Uma situação assim é insustentável por definição e se resolve de um jeito ou de outro: ou o país faz o ajuste e os juros caem (e o CDI deixa de ser imbatível), ou não faz o ajuste e a conta chega via inflação e câmbio (e o CDI não protege).
Nos dois cenários, quem está 100% no CDI descobre, tarde demais, que estava do lado errado da mesa.
Já escrevemos sobre isso em detalhe no blog da Nord, no texto “Ativos de risco ou CDI?”. A conclusão é simples: CDI é parte essencial da carteira, mas é uma posição, não estratégia absoluta. Estratégia é o que vem a seguir.
Como proteger o patrimônio: internacionalização como saída
Se o risco é o Brasil (fiscal, tributário, cambial), a resposta não é escolher o “melhor ativo brasileiro”, mas reduzir a dependência do Brasil. Por isso, batemos nessa tecla há anos, edição após edição: internacionalização de patrimônio é proteção básica.
Uma carteira global bem construída funciona como um seguro triplo:
1. hedge fiscal, onde você não depende de um único sistema tributário, justamente quando o Brasil implementa o maior IVA do mundo;
2. hedge cambial, afinal, parte da sua vida já é dolarizada, mesmo que você não perceba: viagens, eletrônicos, saúde, educação dos filhos;
3. hedge institucional (as regras do jogo não mudam todas ao mesmo tempo para todo o seu patrimônio).
Não precisa ser complicado nem caro. Hoje existem estruturas eficientes para investir lá fora sem armadilhas tributárias e com excelentes retornos.
O próximo passo é seu
Se você se identificou com a pergunta do título, faça um teste simples: olhe a sua carteira e responda: quanto do seu patrimônio depende de um único devedor chamado governo brasileiro?
Se a resposta te incomodar, o time da Nord Wealth pode te ajudar: vamos medir a sua exposição real ao risco Brasil, revisar a qualidade dos seus títulos e emissores, dimensionar quanto do patrimônio deveria estar protegido em outras moedas e jurisdições e montar, com você, um plano concreto de proteção, com alinhamento total de interesses, como sempre.
Proteger o patrimônio antes de o problema aparecer é o que mantém qualquer investidor no jogo.

