A Visa divulgou resultados fortes no 3T26 fiscal, com receita e lucro acima das expectativas do mercado, crescimento saudável em volumes e mais um trimestre de alta geração de caixa.

A companhia reportou receita líquida de US$ 11,6 bilhões, crescimento de +14% na comparação anual, acima da expectativa de US$ 11,4 bilhões. O lucro por ação foi de US$ 3,32, alta de +11% contra o 3T25 e também acima do consenso, que esperava US$ 3,23.

O resultado reforça a mesma mensagem dos últimos trimestres: a Visa segue crescendo em ritmo de dois dígitos, com margens elevadas, baixo consumo de capital e um retorno aos acionistas muito interessante. 

Não é o tipo de empresa que costuma entregar surpresas explosivas. Mas é uma das companhias mais previsíveis e rentáveis do mundo.

Destaques dos resultados da Visa do 3T26

Tabela com resultados financeiros da Visa no 3T26: receita líquida, lucro e EPS GAAP e non-GAAP
 Destaques dos resultados de Visa. Fonte: Visa

A receita líquida da Visa foi de US$ 11,6 bilhões, alta de +14% na comparação anual. O crescimento foi sustentado pelo avanço dos volumes de pagamentos, das transações processadas e dos volumes internacionais. O lucro líquido foi de US$ 6,3 bilhões, avanço de +8%, e o EPS ajustado chegou a US$ 3,32, alta de +11%.

O ponto mais importante é que a Visa continua crescendo com altíssima rentabilidade. A margem líquida ajustada ficou próxima de 54%, um nível excepcional para qualquer empresa. A cada US$ 1 de receita, mais de US$ 0,54 viraram lucro líquido ajustado.

Destaques operacionais

Volumes seguem crescendo bem

Tabela com indicadores operacionais da Visa no 3T26: volume de pagamentos, cross-border e transações processadas
 Destaques operacionais. Fonte: Visa
Gráfico de barras do crescimento do volume de pagamentos da Visa por segmento, crédito e débito, 3T26
 Crescimento do volume de pagamentos por segmento. Fonte: Visa

Do ponto de vista operacional, os números seguem saudáveis.

O volume de pagamentos cresceu +10% na comparação anual. O volume cross-border total avançou +13%, enquanto o cross-border excluindo transações intra-Europa cresceu +12%. As transações processadas chegaram a 71,7 bilhões no trimestre, alta de +10% contra o 3T25.

Esses três indicadores são os mais importantes para entender o negócio da Visa. Ela ganha dinheiro conforme mais pagamentos acontecem, mais transações passam por sua rede e mais consumidores e empresas usam cartões e soluções digitais, especialmente em compras internacionais.

O crescimento de cross-border continua sendo relevante — linha que costuma ter maior monetização. Viagens internacionais, e-commerce global e pagamentos entre países ajudam a sustentar uma receita por transação mais alta. Mesmo com uma base já muito grande, a Visa segue crescendo em todos os principais vetores operacionais.

O número também reforça a resiliência do consumo global. Não estamos em um cenário de aceleração, mas também não estamos vendo uma desaceleração preocupante. O consumidor segue gastando, as transações seguem crescendo e a migração estrutural do dinheiro físico para meios digitais continua avançando.

Resultado da Visa no 3T26 por linha de negócio

Gráfico de barras da receita da Visa por linha de negócio no 3T26: serviços, data processing e transações internacionais
Crescimento por linha de negócio. Fonte: Visa

O crescimento de receita foi bastante disseminado. A receita de serviços foi de US$ 4,9 bilhões, alta de +14% na comparação anual. Essa linha é reconhecida com base no volume de pagamentos do trimestre anterior, o que dá alguma previsibilidade ao negócio.

A receita de data processing chegou a US$ 6 bilhões, avanço de +17%. Essa é uma das linhas mais importantes da Visa, pois reflete a quantidade de transações processadas pela rede. O crescimento acima da receita consolidada mostra que a empresa continua capturando a expansão do volume de transações digitais.

A receita de transações internacionais foi de US$ 3,9 bilhões, alta de +6%. O crescimento foi mais baixo do que o avanço do cross-border total, mas a linha ainda se beneficia da recuperação de viagens, pagamentos internacionais e comércio global.

A linha de outras receitas foi o destaque em crescimento, com alta de +45%, para US$ 1,5 bilhão. Essa categoria inclui receitas de soluções adicionais, produtos de valor agregado e outros serviços oferecidos ao ecossistema. É uma linha menor, mas importante, porque mostra que a Visa está aumentando sua capacidade de monetizar além da rede tradicional de cartões.

Por outro lado, os incentivos a clientes cresceram +18%, para US$ 4,7 bilhões negativos. Essa linha reduz a receita líquida e reflete os pagamentos feitos a emissores, adquirentes e parceiros. O crescimento dos incentivos acima da receita bruta é um ponto negativo, mas faz parte da dinâmica competitiva do setor. Para manter e expandir relacionamentos com grandes clientes, a Visa precisa compartilhar parte da economia do ecossistema.

Margens e geração de caixa

A Visa continua sendo uma máquina de geração de caixa. No trimestre, a companhia gerou US$ 6,6 bilhões de caixa operacional e US$ 6,1 bilhões de fluxo de caixa livre. No acumulado do ano fiscal, o free cash flow já soma US$ 15,2 bilhões.

Esses números mostram a qualidade do modelo de negócios. A Visa não precisa investir em fábricas, estoques ou infraestrutura física pesada para crescer. O principal ativo é a rede, a aceitação global, a marca, a tecnologia de processamento e os relacionamentos com bancos, fintechs, adquirentes, varejistas e empresas.

As despesas operacionais GAAP avançaram +19%, para US$ 4,8 bilhões. Em base ajustada, as despesas tiveram alta de +17%, principalmente por maiores gastos com pessoal e marketing. O crescimento de despesas acima da receita não é ideal, mas não muda a leitura central: a estrutura de margem segue extremamente elevada.

A companhia encerrou o trimestre com US$ 13,9 bilhões em caixa, equivalentes e investimentos. O balanço segue sólido e a geração de caixa continua suficiente para financiar crescimento, aquisições, dividendos e recompras.

Guidance da Visa para 2026

Tabela com o guidance da Visa para o 4T26 e para o ano fiscal de 2026
 Guidance para o 4T26 e para o ano de 2026. Fonte: Visa 

Para o 4T26 fiscal, a Visa espera crescimento de receita líquida no high-end de low-double-digit, em base ajustada e moeda constante. As despesas operacionais devem crescer em low-double-digit, enquanto o EPS deve avançar no low-end de mid-teens.

Para o ano fiscal de 2026, a companhia projeta crescimento de receita no low-end de low-teens. As despesas também devem crescer no low-end de low-teens, enquanto o EPS deve avançar no low-end de mid-teens.

A mensagem é consistente com o histórico da empresa. A Visa não está prometendo uma aceleração agressiva, mas segue indicando crescimento de dois dígitos em receita e lucro, com margens elevadas e geração de caixa robusta.

Em um mercado no qual várias empresas dependem de grandes ciclos de investimento para crescer, a Visa continua mostrando a vantagem de um modelo asset-light, global e altamente escalável.

Vale a pena investir em Visa após o 3T26?

Sim. Seguimos gostando bastante da tese. 

A Visa não é uma empresa barata olhando apenas para múltiplos, pois companhias dessa qualidade raramente ficam baratas. No entanto, ela continua entregando uma combinação muito difícil de encontrar: crescimento de dois dígitos, margem líquida acima de 50%, alta geração de caixa, balanço sólido, recompra relevante de ações e uma posição competitiva extremamente forte.

O 3T26 reforçou essa leitura. A receita veio acima do esperado, o EPS ajustado superou o consenso, os volumes seguem crescendo, cross-border continua saudável e a companhia devolveu mais de US$ 6 bilhões aos acionistas no trimestre.

Para uma carteira global de longo prazo, seguimos vendo a Visa como uma das melhores formas de exposição ao crescimento estrutural dos pagamentos digitais.