A Raízen (RAIZ4), uma das maiores exportadoras de açúcar do mundo, anunciou a entrada em um processo de recuperação extrajudicial na noite de terça-feira, 10, para reorganizar sua estrutura de dívidas. 

Nesta quarta-feira, 10, a companhia protocolou o plano na Justiça de São Paulo após chegar a um entendimento com credores financeiros.

O movimento faz parte de uma estratégia para renegociar aproximadamente R$ 65 bilhões em obrigações financeiras. 

Recuperação extrajudicial da Raízen

A empresa protocolou no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) um pedido de homologação do plano de recuperação extrajudicial. Esse mecanismo permite que companhias renegociem dívidas diretamente com credores, sem a necessidade de recorrer a uma recuperação judicial tradicional.

Segundo a Raízen, o plano envolve a reestruturação de aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívida financeira sem garantia. A companhia também solicitou à Justiça a suspensão dos vencimentos dessas obrigações por 90 dias, período que deverá ser utilizado para finalizar as negociações e consolidar o acordo.

O plano foi negociado de forma consensual com os principais credores financeiros, que já representam mais de 47% da dívida afetada. Esse percentual supera o mínimo exigido pela legislação para que o processo de recuperação extrajudicial possa seguir adiante.

A empresa destacou ainda que o processo tem caráter estritamente financeiro. Dessa forma, as operações da companhia não devem ser afetadas e as obrigações com clientes, fornecedores e parceiros comerciais continuarão sendo cumpridas normalmente.

Ação cai abaixo dos R$ 0,50

O anúncio da recuperação extrajudicial gerou forte repercussão no mercado financeiro nesta quarta-feira, 11. As ações da companhia registraram queda expressiva logo após a divulgação do plano de reestruturação.

Por volta das 10h23 (horário de Brasília), os papéis RAIZ4 recuavam -7,69%, sendo negociados a R$ 0,48 na bolsa brasileira. A movimentação reflete a reação imediata de investidores ao processo de reorganização financeira da companhia.

Como a Raízen chegou a uma dívida bilionária

Além do forte prejuízo contábil no trimestre, a Raízen também enfrenta uma deterioração relevante na sua estrutura financeira — marcada por queima de caixa, aumento da dívida líquida e elevada alavancagem.

No terceiro trimestre da safra 2025/2026, a companhia reportou dívida bruta de R$ 70 bilhões e caixa de R$ 17 bilhões, o que resulta em uma dívida líquida de R$ 55,3 bilhões. Esse valor representa um aumento de 3,5% em relação ao trimestre anterior.

Esse avanço da dívida ocorre em um contexto de geração de caixa ainda pressionada. No acumulado dos nove primeiros meses da safra 2025/2026, a Raízen registrou fluxo de caixa operacional negativo de R$ 11,3 bilhões. Ou seja, as operações da empresa consumiram recursos em vez de gerá-los.

Mesmo com medidas de ajuste — como redução de 22% no capex e maior disciplina na gestão de custos — a companhia ainda registra uma queima de caixa próxima de R$ 5 bilhões no período.

Essa dinâmica ajuda a explicar o aumento da alavancagem da companhia. Com a dívida líquida crescendo e o Ebitda pressionado, a relação dívida líquida/Ebitda subiu para 5,3 vezes, acima das 5,1 vezes registradas no trimestre anterior.

Na prática, isso significa que a empresa carrega hoje um nível de endividamento elevado para sua capacidade atual de geração de caixa — fator que tem pressionado o resultado financeiro, que segue negativo em R$ 2,3 bilhões no trimestre, refletindo principalmente o peso dos juros sobre essa dívida.

Esse cenário é resultado de uma combinação de fatores: forte ciclo de expansão nos últimos anos, condições climáticas adversas que afetaram a produção e um ambiente de juros elevados. Juntos, esses elementos reduziram a geração operacional de caixa ao mesmo tempo em que a empresa carregava uma estrutura de capital mais pesada.

O que fazer com as ações da Raízen (RAIZ4) agora?

Devido à alta volatilidade e ao processo de reestruturação, recomendamos evitar.