Raízen (RAIZ4) detalha reestruturação financeira bilionária
Raízen apresenta plano de reestruturação financeira com conversão de dívida em ações, novos prazos e divisão de negócios. Entenda
A Raízen (RAIZ4) apresentou nesta quarta-feira, 28, os detalhes preliminares de sua proposta de reestruturação financeira, em um movimento que pode redefinir a relação da companhia com credores, acionistas e o mercado.
A operação prevê conversão de dívida em ações, alongamento de passivos e aporte de capital, mas ainda depende de negociações e contratos definitivos.
O que é a reestruturação da Raízen
A proposta da Raízen busca reorganizar o passivo financeiro da companhia, reforçar o caixa e separar os negócios em duas empresas distintas após a conclusão da operação.
A iniciativa ocorre em meio ao elevado nível de endividamento da companhia e ao desafio de preservar liquidez em um cenário de juros elevados.
Qual é o tamanho da dívida da Raízen
De acordo com os dados apresentados pela empresa, a dívida total somava R$ 75,3 bilhões em março de 2026. Desse montante, cerca de R$ 65 bilhões estão incluídos no processo de recuperação extrajudicial.
Os bonds em dólar representam a maior parte do endividamento, com R$ 27,2 bilhões. Em seguida aparecem os financiamentos de pré-pagamento de exportação, que somam R$ 11,9 bilhões.
O que está em jogo para os credores
Para os credores, o ponto central da negociação é definir as condições de pagamento, prazos e eventual conversão de parte da dívida em participação acionária.
Como ainda não há contratos definitivos assinados, os termos finais podem mudar ao longo das negociações.
Entenda as opções para credores e acionistas
A companhia apresentou três alternativas de reestruturação financeira aos credores.
Na avaliação da Nord, a Opção A parece ser a alternativa mais equilibrada, ao preservar parte relevante do crédito e ainda oferecer participação em uma eventual recuperação da empresa.
Como funciona a Opção A da reestruturação
Na Opção A, o credor converte 45% do crédito em participação acionária da companhia, a um preço de conversão de R$ 0,25 por ação. Em vez de receber essa parcela em dinheiro ou em nova dívida, o credor passa a ser acionista, recebendo Units compostas por uma ação ordinária e uma ação preferencial.
Os outros 55% do crédito são transformados em novos instrumentos de dívida, divididos entre Raízen Energia e Raízen Combustíveis. Dessa forma, o credor continua com valores a receber, mas dentro de uma nova estrutura financeira e com novas condições.
A dívida da Raízen Energia terá vencimento em duas parcelas, sendo 50% em 31 de março de 2033 e 50% em 31 de março de 2035. Já a dívida da Raízen Combustíveis vencerá em 31 de março de 2032 e 31 de março de 2034, também dividida igualmente.
A nova dívida contará com garantias. No caso da Raízen Energia, haverá alienação fiduciária sobre ações de determinadas SPEs. Já na Raízen Combustíveis, as garantias envolvem ações da entidade que detém a planta brasileira de lubrificantes e determinados tanques de combustíveis.
As garantias, porém, permanecem sujeitas a diligências, limitações regulatórias, contratuais e operacionais, além de acordos tributários. Também existe previsão de liberação automática das garantias em caso de venda dos ativos.
Os credores ainda terão garantia de primeiro grau sobre os ativos vinculados à operação, enquanto os demais ativos ficarão sujeitos à cláusula conhecida como negative pledge, que limita a utilização de ativos livres como garantia para novas dívidas sem determinadas condições.
Outro ponto previsto é a possibilidade de uso de recebíveis para garantir linhas de capital de giro, preservando parte da flexibilidade operacional da companhia. Também não haverá garantias cruzadas entre as dívidas, salvo algumas exceções relacionadas, por exemplo, a acordos tributários.
Além disso, a Opção A prevê covenants típicos de emissões high yield, com restrições relacionadas a endividamento, pagamentos, garantias e venda de ativos. Existe ainda possibilidade de pré-pagamento opcional a qualquer momento, sem prêmio, além de hipóteses de pré-pagamento obrigatório em casos como venda de ativos e excesso de geração de caixa.
Como funciona a Opção B da reestruturação
Na Opção B, o credor permanece como credor, mas aceita um desconto de 80% sobre o valor total do crédito.
Primeiro, esse desconto reduz juros vencidos e não pagos. Depois, se necessário, reduz o principal da dívida. Na prática, o credor mantém o direito de receber apenas uma parcela do valor originalmente devido.
O novo título terá vencimento em 31 de março de 2047. Para créditos em reais, haverá atualização pela TR até o vencimento. Já os créditos em dólar e euro não terão atualização monetária.
Também existe possibilidade de pré-pagamento, mas essa decisão ficará exclusivamente a critério da companhia.
Como funciona a Opção C da reestruturação
Na Opção C, o credor recebe o menor valor entre 75% do crédito ou R$ 9.750. A alternativa parece voltada principalmente para credores com valores menores a receber, devido ao limite reduzido de pagamento individual.
Além disso, existe um limite agregado de R$ 150 milhões em desembolso de caixa. Caso a procura pela opção ultrapasse esse valor, a companhia dará prioridade aos menores créditos, em ordem crescente, até atingir o limite disponível.
Os credores que não forem contemplados na Opção C serão direcionados para a alternativa escolhida como opção secundária. Se a demanda pela Opção C ficar abaixo do limite estipulado, o caixa remanescente permanecerá com a companhia para capital de giro.
O que esperar da reestruturação da Raízen
A proposta representa uma tentativa de reorganização financeira em larga escala e pode redefinir a estrutura de capital da companhia nos próximos anos.
O sucesso da operação dependerá principalmente da adesão dos credores e da capacidade da empresa de recuperar geração de caixa após a reestruturação.

