Produção industrial recua 0,2% em maio e fica abaixo das expectativas do mercado
A produção industrial caiu 0,2% em maio, abaixo das expectativas. Veja os setores que puxaram o resultado e os impactos para a Selic e a economia
A produção industrial recuou 0,2% em maio, abaixo do avanço projetado pelo mercado (+0,3%), interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de alta.
Produção industrial recua pela primeira vez em 2026
Esse foi o primeiro resultado negativo do ano. A queda da produção industrial em maio foi registrada em três das quatro grandes categorias econômicas, mas apenas em 8 dos 25 ramos analisados.
Petróleo e indústrias extrativas concentraram a queda
Os principais vetores do recuo se concentraram justamente nos setores de maior peso, que vinham puxando a indústria: coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-6,1%) e indústrias extrativas (-2,6%). Ambos interromperam cinco meses consecutivos de expansão, pressionados por álcool etílico e gasolina, no primeiro caso, e por minério de ferro, óleos brutos e gás natural, no segundo.
Setores que avançaram em maio
Já do lado positivo, destaque para produtos farmoquímicos e farmacêuticos (+13,1%), interrompendo quatro meses de queda. Em seguida, vieram veículos automotores, reboques e carrocerias (+4,1%), produtos químicos (+3,1%), confecção de artigos do vestuário (+4,7%), outros equipamentos de transporte (+4,7%) e metalurgia (+2,3%).
Resultado anual desacelera, mas fatores pontuais influenciaram o dado
Na leitura anual, o setor industrial cresceu apenas 0,2%, abaixo do 1,2% projetado pelo mercado e bem menos que os 2,7% registrados em abril.
Parte dessa desaceleração, porém, é explicada por fatores pontuais: maio deste ano teve um dia útil a menos que maio do ano passado, e a base de comparação era elevada, já que a indústria havia crescido 3,4% em maio de 2025.
Com o resultado fraco do mês, o acumulado do ano desacelerou, passando de 1,7% para 1,4%.
O que o desempenho da indústria sinaliza para a economia
Depois de uma sequência de surpresas positivas, tivemos o primeiro resultado abaixo do consenso do mercado, sinalizando que a atividade industrial começa a dar sinais de acomodação após um primeiro trimestre forte, com destaque para o recuo dos bens de capital (-6,7% na comparação anual), um importante termômetro dos investimentos.
Ainda assim, vale cautela antes de concluir que há uma inflexão na atividade industrial como um todo, pois a queda ficou concentrada em petróleo e indústrias extrativas, setores que vinham de cinco meses seguidos de forte alta. Além disso, o resultado anual foi levemente distorcido por um dia útil a menos no mês e pela base elevada de comparação.
Como o mercado passou a enxergar a trajetória da Selic
Mesmo com o dado mais fraco da indústria, o mercado segue precificando uma Selic acima de 14% no fim de 2026, com interrupção do ciclo de cortes e chegando a precificar possíveis elevações no fim do ano.

