A produção industrial recuou 0,6% em agosto. O mercado esperava leve alta (mediana de +0,1%). A queda eliminou o avanço de julho, revisado de 0,2% para 0,1%. Com isso, a indústria acumula perda de 3,1% entre maio e agosto e devolve boa parte do ganho de 4,3% dos quatro primeiros meses do ano.

Fumo, farmacêuticos e minério puxam a queda

Na passagem do mês, o recuo foi disseminado: as quatro grandes categorias econômicas e 16 dos 25 ramos registraram queda. As principais influências negativas vieram de produtos do fumo (-23,4%), farmoquímicos e farmacêuticos (-5,5%) e indústrias extrativas (-0,7%). Os dois primeiros devolveram altas recentes: o fumo interrompeu quatro meses seguidos de expansão, em que acumulou ganho de 32,5%, e os farmacêuticos eliminaram o avanço de 3,0% de julho. Já as extrativas, de novo pressionadas pelo minério de ferro, somaram a quarta queda seguida, com perda acumulada de 4,7%.

A exceção foram os produtos alimentícios (+1%), principal influência positiva do mês. Foi a segunda alta seguida do setor, que acumula 2,2% no período, puxada por açúcar, derivados da soja, suco de laranja e carnes bovinas e de aves. Também se destacaram produtos diversos (+8,4%), químicos (+0,9%) e metalurgia (+0,8%).

Todas as categorias recuam em agosto

Entre as categorias, todas recuaram. Os bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%) e os duráveis (-1%) caíram depois das altas de julho. Os bens de capital (-0,6%) voltaram a cair, e sua alta em julho foi revisada de 2,4% para 1%. Os bens intermediários (-0,2%), categoria de maior peso na indústria, tiveram a quarta queda seguida e acumulam perda de 2,3% no período.

Na comparação anual, indústria cai 1,2%

Na leitura anual, o setor recuou 1,2%, abaixo de todas as projeções (-0,2%), sem efeito calendário, já que agosto teve o mesmo número de dias úteis nos dois anos. Desta vez, a queda foi disseminada e atingiu 17 dos 25 ramos e 54,2% dos produtos. Os bens de consumo semi e não duráveis recuaram 4,5%, a maior perda desde agosto de 2025. Os bens de capital, termômetro do investimento, caíram 4,1%, a quinta taxa negativa seguida, puxados pelos bens de capital agrícolas (-36,5%), e seguem como a única categoria no vermelho em 2026 (-5,3%).

Com o resultado, o acumulado do ano desacelerou de 1,2% para 0,8%, e o acumulado em 12 meses ficou estável em 0,6%.

O que a produção industrial indica para a Selic

No mês passado, ponderamos que a alta de julho era mais devolução do que retomada, e agosto confirmou essa leitura. Desta vez, a queda atingiu todas as categorias, continuando a tendência de desaceleração gradual.

Após a redução de 0,25 p.p. em setembro, que levou a Selic a 13,75%, o mercado precifica, para a próxima reunião do Copom, uma chance maior de manutenção da taxa de juros (57%) do que de um corte de 0,25 p.p. (43%).

Seguiremos acompanhando os dados de atividade e inflação para avaliar se ainda há espaço para o ciclo se estender ou se teremos uma manutenção da taxa na próxima reunião.