PIB dos EUA acelera para +3,4% no 3º trimestre, acima das expectativas, com forte impulso do capex em IA
Demanda doméstica segue aquecida, mas a inflação no trimestre desacelera. Fed deve subir juros em dezembro
A primeira leitura do PIB anualizado dos EUA no 3º trimestre mostrou crescimento de +3,4%, acima das expectativas de +3,2% e acelerando frente aos +2,2% do trimestre anterior. É o ritmo mais forte do ano.
O destaque ficou com os investimentos, que cresceram +19,4%. O investimento em equipamentos avançou +20,9%, liderado por equipamentos de processamento de informação, principalmente computadores e periféricos, ligados à infraestrutura de data centers. Também vale mencionar a recuperação das estruturas não residenciais (+5,4%), com o setor de petróleo e mineração investindo mais diante dos preços elevados de energia, e a recomposição de estoques, puxada por atacado e indústria.
O consumo das famílias manteve o ritmo forte (+3,8%), com serviços acelerando para +4,1%, liderados por saúde e alimentação fora de casa.
Assim, os maiores impactos positivos para o resultado de +3,4% foram o consumo das famílias (+2,52 p.p.), o investimento fixo (+1,66 p.p.), os estoques (+1,61 p.p.) e os gastos do governo (+0,90 p.p.).

O setor externo, por outro lado, teve contribuição negativa de -3,32 p.p., a terceira maior subtração da série histórica iniciada em 1947. As importações saltaram +19,7%, lideradas por bens de capital; ou seja, boa parte do boom de investimento em IA foi atendida por equipamentos importados. As exportações caíram -5,7%, puxadas por petróleo e derivados.

O núcleo da demanda segue muito forte: as vendas finais a compradores domésticos privados cresceram +4,9%, acima dos +4,6% do 2º trimestre.
A boa notícia veio dos preços. O núcleo do PCE desacelerou de +3,3% para +2,5% anualizado no trimestre, e o PCE cheio caiu de +5,0% para +2,1%.

O que esperar do Fed
A economia americana segue mostrando resiliência, o que sustenta as precificações de continuidade de alta de juros. Em dezembro, o Fed deve elevar o juro em 0,25 p.p. para a faixa de 4% a 4,25%.

