Ações da Petrobras (PETR4) seguem pressionadas mesmo com recorde operacional
Com produção recorde, queda no caixa e eleições à vista, o futuro da Petrobras em 2026 está nas mãos dos investidores
A Petrobras (PETR3; PETR4) vive um daqueles paradoxos que só a Bolsa consegue criar.
De um lado, a petroleira fechou 2025 com recordes operacionais, superando as metas de produção. Ainda assim, o mercado não reagiu como se fosse uma boa notícia — as ações seguem no “limbo”.
Apesar do desempenho negativo dos papéis no ano passado, podemos ter esperanças de um ano melhor para a Petrobras em 2026?

Brent mais fraco pesou no desempenho de 2025
O pano de fundo de 2025 foi um Brent mais fraco e volátil. Entre dúvidas sobre crescimento global, ruídos de oferta e tensões geopolíticas, o petróleo passou o ano oscilando, com tendência de baixa.
O resultado prático: o Brent encerrou o ano próximo de US$ 63, com uma queda de aproximadamente -15%.

E, no caso da Petrobras, isso não é um detalhe. O petróleo não é só uma variável macro distante: é um dos principais determinantes de sua geração de caixa e, consequentemente, do pagamento de dividendos.
Se o barril cede, o fluxo de caixa tende a perder força — mesmo com a produção crescendo. Mas não foi só o Brent que contribuiu para as ações ficarem no limbo.
Produção do pré-sal surpreende, mas não alivia o mercado
O petróleo não ajudou, mas a Petrobras fez o que estava sob seu controle.
Em 2025, a empresa reportou produção de óleo de 2,4 milhões de barris por dia (bpd), acima do teto do guidance e cerca de 11% acima do que foi produzido em 2024.
O pré-sal representou cerca de 82% da produção total, reforçando a excelência da companhia em exploração e produção em águas profundas e ultraprofundas.
Até aqui, o diagnóstico é positivo — mas o mercado não vive de diagnósticos; vive de resultados e expectativas.
Fluxo de caixa em queda limita dividendos
O mercado se acostumou a olhar a Petrobras como uma máquina de dividendos.
E, por algum tempo, a conta foi “fácil”: petróleo alto + disciplina nos investimentos + controle de custos e despesas = caixa sobrando = dividendo gordo.
O problema é que essa conta perdeu parte da atratividade. O fluxo de caixa livre caiu cerca de 40% nos últimos 12 meses (até o 3T25), pressionando sua capacidade de remunerar os acionistas.
Esse dado é especialmente relevante, pois o fluxo de caixa livre é a base da política de remuneração, que prevê a distribuição de 45% desse indicador.
Além do menor preço do petróleo, observamos aumento dos investimentos e piora da alavancagem operacional.
Ou seja: a Petrobras está produzindo mais, mas também está gastando mais — e ainda sofre com a pressão dos preços internacionais mais baixos.
O novo Plano Estratégico 2026–2030 decepciona
No final de novembro, a Petrobras aprovou seu Plano 2026–2030 e deu um banho de água fria no mercado.
A empresa anunciou US$ 109 bilhões em investimentos, uma redução marginal frente ao plano anterior, mas ainda um Capex elevado.
O ponto central não é só quanto será investido, mas o que isso significa para os acionistas. A companhia projeta distribuir entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões em dividendos, uma leve redução em relação ao plano anterior.
Mas a principal mudança foi a ausência de menção aos dividendos extraordinários.
Outro ponto de atenção foram as premissas do Brent: o plano utiliza US$ 70 entre 2027 e 2030 — uma visão otimista, considerando a atual curva do petróleo.
As sinalizações sobre alavancagem operacional também foram tímidas.
O que esperar das ações da Petrobras em 2026?
O pano de fundo não parece confortável, quando consideramos alguns dos principais fatores para este ano:
- um mercado ainda pessimista com o preço do petróleo;
- capex alto e poucas sinalizações de um maior conservadorismo;
- aumento dos riscos e da volatilidade das ações com o ciclo eleitoral de 2026.
Para 2026, a projeção para os resultados da estatal continua tímida, com expectativa de um recuo de cerca de -5% para a receita, -8% para o Ebitda e de -15% para o lucro líquido.
O investidor pode ver um valuation atrativo: ações negociando a 4x lucro e 3x Ebitda. Mas, diante da pressão nos resultados e dos riscos, a assimetria parece pouco favorável.

Por isso, mantemos um tom mais cauteloso com a tese de Petrobras neste momento.
Produção recorde não representa paz para o acionista
A Petrobras entregou em 2025 bons resultados operacionais, mas o mercado não está premiando a execução.
O foco central do mercado é a sustentabilidade da geração de caixa e a previsibilidade da remuneração aos acionistas, principalmente em um cenário desfavorável para a commodity.
2026 deve ser um ano de grandes emoções para quem investe na Petrobras. Além da volatilidade do petróleo e da pressão nos resultados, outro tema decisivo será a eleição.

