Parte do time da Nord viajou recentemente para passar alguns dias em Chicago, na University of Chicago Booth School of Business, uma das escolas de negócios mais respeitadas do mundo e casa intelectual de boa parte do que hoje chamamos de finanças modernas.

A viagem foi a convite da Avenue, nossa parceira na parcela internacional das carteiras de muitos dos nossos clientes, para um programa sobre liderança e cultura em um mundo movido por inteligência artificial. 

E fica aqui, antes de qualquer coisa, o agradecimento público: poucas empresas levam tão a sério a ideia de que investir lá fora exige, antes de tudo, pensar como quem vive lá fora. A Avenue leva e convida os parceiros a pensarem juntos.

Grupo de consultores da Nord posados no campus gramado da University of Chicago, com prédio histórico ao fundo
 Parte do time Nord no campus da University of Chicago — Finders Take USA, edição Chicago, em parceria com a Avenue

Este artigo poderia falar de alocação internacional. Seria o caminho óbvio: viagem aos Estados Unidos, parceiro global, dólar, diversificação geográfica e ano de eleições aqui no Brasil. Tudo verdade, tudo importante, tudo já dito por nós em outras ocasiões.

Mas o que eu trouxe de mais valioso não tem a ver com isso.

O que é o Teste Hogan e como ele avalia personalidade

Antes da viagem, toda a equipe da Nord fez o Teste Hogan. Se você nunca ouviu falar, vale conhecer: é uma das avaliações de personalidade mais respeitadas do mundo corporativo, criada em 1987 pelo casal de psicólogos Robert e Joyce Hogan e construída sobre décadas de pesquisa com adultos em ambiente real de trabalho.

Robert Hogan defendia uma tese que, na época, era quase herética: a de que personalidade prevê desempenho profissional. 

Hoje, a metodologia dele é usada por grandes empresas, instituições financeiras e órgãos de governo em mais de 50 países.

O Hogan mede três dimensões. É aqui que a coisa fica interessante:

  • A primeira é o lado claro: como se comporta no seu melhor. Sua ambição, sua sociabilidade, sua prudência e sua curiosidade. É a versão de você que aparece na entrevista de emprego e na reunião com o cliente novo.
  • A segunda é o lado sombrio: como se comporta sob pressão, cansaço ou estresse. São os chamados derailers: forças que, em excesso, viram fraquezas. O confiante que vira arrogante; o detalhista que vira microgerente; o carismático que vira manipulador. Todo mundo tem os seus.
  • A terceira são os valores: o que te move quando ninguém está olhando. Poder, segurança, reconhecimento, tradição, ciência, altruísmo. É o que explica por que duas pessoas igualmente competentes prosperam em culturas completamente diferentes.
Diagrama com as três dimensões avaliadas pelo Teste Hogan: lado claro (comportamento no melhor momento), lado sombrio (reação sob pressão) e valores (o que motiva a pessoa)
 As três dimensões avaliadas pela metodologia Hogan. Fonte: Nord Wealth, com base em Hogan Assessments

Não é um teste de certo ou errado, e sim de autoconhecimento. E o mais legal de tudo: quando ele é feito por uma equipe inteira, existe algo ainda mais raro: conhecimento mútuo.

Somos todos diferentes. Ainda bem

Quando os resultados pessoais aqui da Nord foram colocados lado a lado, a primeira reação foi de riso. 

Perfis quase opostos convivendo na mesma sala, no mesmo comitê, atendendo os mesmos clientes. O sócio movido a dados sentado ao lado do sócio movido a relacionamento; o cauteloso que enxerga risco em tudo dividindo a mesa com o inquieto que enxerga oportunidade em tudo.

Gráfico radar comparando três perfis de personalidade dentro da mesma equipe, mostrando diferenças em sociabilidade, ambição, prudência e outras dimensões
 Perfis ilustrativos, inspirados na dinâmica da equipe — não correspondem a resultados individuais reais. Fonte: Nord Wealth

A segunda reação foi a que me fez escrever este artigo: é exatamente assim que deveria ser (e é em cases de sucesso).

Por que times vencedores não são formados por pessoas parecidas

Gregg Popovich, o técnico mais vencedor da era recente da NBA, nunca montou um time com cinco arremessadores. 

Os Spurs, que ganharam cinco títulos (uma marca para lá de expressiva em um esporte tão rotativo quanto o basquete), tinham o gênio silencioso (Duncan), o motor emocional (Ginóbili), o organizador (Parker) e os operários que ninguém celebrava, mas sem os quais nada funcionava.

O Moneyball de Billy Beane (um dos meus livros de cabeceira que com certeza vou citar mais vezes aqui rs) conta a mesma história pelo avesso: times vencedores não são coleções de estrelas parecidas, são sistemas de peças complementares, cada uma cobrindo o ponto cego da outra.

O mercado financeiro adora o mito do gênio solitário. O gestor iluminado, o consultor que acerta tudo. 

Minha experiência de quase 20 anos diz o contrário: decisão boa nasce de desconforto produtivo. Nasce quando o otimista precisa convencer o cético, quando o analítico precisa traduzir a planilha para o intuitivo, quando alguém na sala tem coragem para perguntar “e se estivermos errados?”.

Um comitê de investimentos em que todos pensam igual não é um comitê. É um espelho com várias molduras. E espelhos não questionam nada.

O que isso tem a ver com o seu patrimônio?

Tudo.

Quando você confia seu patrimônio a alguém, não está contratando um cérebro. Está contratando um sistema de cérebros. 

Mas, pensa comigo, ninguém faz a seguinte pergunta: esse sistema tem diversidade cognitiva de verdade, ou é um grupo de pessoas parecidas confirmando as opiniões umas das outras (e, por consequência, as minhas)?

Diversificação, afinal, não vale só para ativos. Vale para cabeças.

Uma carteira concentrada em um único papel é um risco conhecido. Uma decisão concentrada em um único jeito de pensar é um risco invisível, e os riscos invisíveis são justamente os que derrubam patrimônios construídos ao longo de gerações.

O Hogan nos deu um mapa dos nossos lados sombrios. Conhecer o próprio lado sombrio (o seu e o de quem senta ao seu lado) é o que permite que ele nunca decida sozinho. 

No fim das contas, isso tudo tem muito a ver com humildade intelectual: desenhar processos que assumem, de partida, que todo ser humano tem pontos cegos. Inclusive nós.

Construir algo que dure passa por isso. Times, patrimônios e reputações sobrevivem ao tempo pelo mesmo motivo: porque foram desenhados para os dias difíceis, não para os fáceis.

Antes de confiar seu patrimônio a alguém, vale a pergunta que fizemos aqui: esse "alguém" pensa sozinho ou tem um sistema de cabeças diferentes cuidando de cada decisão? 

Se você quer conhecer de perto essa equipe plural (os perfis, as discordâncias produtivas e o jeito Nord de cuidar de patrimônio), agende uma conversa com o time da Nord Wealth

A Nord Wealth é a consultoria de gestão de patrimônio independente da Nord Investimentos, fundada em 2020 e hoje com mais de R$ 12 bilhões sob consultoria. Diferente de assessorias ligadas a bancos ou corretoras, funciona no modelo fee-based: cobra diretamente do cliente e devolve as comissões geradas pelos produtos financeiros, sem conflito de interesse na recomendação. 

A melhor forma de entender como pensamos é sentar-se à mesa com a gente.