PCE: Inflação nos EUA traz boas notícias, mas cortes de juros ainda são incertos
Núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, considerados mais voláteis, foi de +0,16%, em linha com o esperado e com bons sinais no qualitativo
O índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE), considerado a principal medida de inflação pelo Federal Reserve (Fed), apresentou uma alta de +0,21% em novembro, em linha com as expectativas, ante +0,16% no mês anterior e +0,12% em novembro de 2024. No acumulado em 12 meses, o PCE foi de +2,80%.
O núcleo do PCE, leitura mais importante por excluir itens mais voláteis (alimentos e energia), apresentou uma alta de +0,16%, também em linha com o esperado, ante +0,21% em outubro e +0,11% em novembro de 2024.


No mês, a inflação de serviços desacelerou de +0,32% para +0,24%, contando com desaceleração em serviços de saúde (de +0,46% para +0,22%) e serviços financeiros (+0,87% para +0,54%).

Outra boa notícia foi a inflação de moradia, que se manteve em +0,12%, o menor patamar desde novembro de 2020 (+0,05%).

Assim, a inflação de moradia acumula alta de +3,26% em 12 meses, o menor patamar desde outubro de 2021 (+3,06%).

Enquanto isso, bens não-duráveis registraram deflação de -0,13%, como no mês anterior. Bens duráveis apresentaram inflação de +0,11%, ante +0,15% no mês anterior.


A última leitura do PCE dos EUA monstra um dado bom no número cheio e no qualitativo, especialmente pelo comportamento benigno da inflação de moradia em outubro e novembro.
Contudo, vale a pena ressaltar que o dado está com maior defasagem que o CPI, outra leitura de inflação ao consumidor, que registrou maiores pressões na inflação de moradia em dezembro.
Apesar do bom PCE, acredito que Jerome Powell, presidente do Fed, não realizará cortes de juros no restante do seu mandato, que acaba em maio. O juro permanecerá na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano até lá, em razão da atividade econômica resiliente.

