Payroll: Mercado de trabalho dos EUA surpreende negativamente. Risco para a economia?
Queda de -92 mil vagas acende alerta, mas cenário ainda não inspira grandes preocupações
O payroll dos EUA em fevereiro mostrou que o mercado de trabalho norte-americano perdeu 92 mil vagas, número muito pior que a expectativa de alta de 55 mil vagas. Os dados foram publicados no relatório payroll nesta sexta-feira, 6, pelo U.S Bureau Labor Statistics.
Esse foi o menor resultado desde outubro (-140 mil) e um dos menores dos últimos anos.
A queda ocorreu em praticamente todos os segmentos, com destaque negativo para educação (-34 mil) e lazer e hospitalidade (-27 mil).


Além disso, a taxa de desemprego subiu de 4,3% para 4,4%, ante expectativa de manutenção em 4,3%.
Apesar da leve alta, o nível segue baixo quando comparado ao histórico.
Vale lembrar que o pleno emprego nos EUA (ou seja, a taxa de desemprego que não acelera nem desacelera a inflação) está em torno de 4,0%. Ou seja, o desemprego segue baixo.

Um contraponto a esse dado mais fraco foram os salários por hora trabalhada, que subiram +0,40%, acima das expectativas de +0,30%.
Os salários continuam benignos, mas vale a pena seguirmos acompanhando.

Trata-se de um dado realmente mais fraco, especialmente no número de vagas.
Contudo, como comentado acima, os EUA seguem próximos do pleno emprego, em meio à combinação de menor demanda e oferta de mão de obra. Os salários mais fortes chamam atenção e destoam dos demais dados.
Ainda é muito cedo para determinar um cenário de preocupação com o mercado de trabalho americano. Os EUA seguem com uma economia resiliente, em processo de desaceleração gradual.
Assim, o mais importante, antes de tirar alguma conclusão precipitada sobre esse dado, é aguardar as próximas divulgações e ter uma leitura mais bem fundamentada. Estaremos de olho.
O que é Payroll?
O Payroll é o principal indicador sobre o mercado de trabalho formal dos Estados Unidos.
Quando é o Payroll?
Na primeira sexta-feira de cada mês, sempre às 10h30 do horário de Brasília.
Quem divulga o Payroll?
A agência governamental U.S. Bureau of Labor Statistics.
Do que o Payroll é composto?
O Payroll é calculado a partir de uma pesquisa com 119 mil empresas, representando aproximadamente 629 mil locais de trabalho nos EUA.
A partir dessa amostra, calculam-se números como empregos criados, taxa de desemprego, horas de trabalho, salários por hora trabalhada e taxa de participação na força de trabalho.
Vale ressaltar que as estimativas consideram empregos formais e exclui os trabalhadores agrícolas, autônomos e empregos domiciliares.
Como o Payroll afeta a economia?
O Payroll reflete a dinâmica do mercado de trabalho americano, estando relacionado ao nível de aquecimento da atividade econômica local.
Em cenários de aquecimento da economia, o número de criação de vagas e os ganhos salariais tendem a ser maiores, assim como a taxa de desemprego tende a ser mais baixa.
Quanto mais forte o Payroll, maiores os seus efeitos sobre a inflação, diante das maiores pressões salariais que levam a um maior consumo.
Como analisar o Payroll?
Diversos números devem ser levados em consideração ao analisar o Payroll, sendo os principais deles: empregos formais criados, taxa de desemprego e salários.
Uma análise bem feita demanda um olhar para dentro desses números, como os setores que mais criaram vagas. Além disso, é possível investigar outros detalhes como empregos de período integral vs empregos de meio período.
São detalhes como esses que tornam a análise mais completa para ser possível interpretar os efeitos do Payroll sobre a inflação e, consequentemente, sobre a política monetária a ser adotada pelo Federal Reserve.

