Ouro ultrapassa US$ 4,6 mil e renova máxima histórica
Ouro atinge recorde histórico e levanta dúvidas: é hora de comprar, vender ou esperar? Entenda como isso impacta sua estratégia de investimentos
O ouro cravou uma nova máxima histórica, próximo de US$ 4.600 por onça, em mais um marco de um rali que deixou de ser pontual para se tornar uma tendência estrutural.
Contratos futuros de ouro batem US$ 4.600 com temor sobre Fed
Os contratos futuros de ouro iniciaram a semana em forte alta e ultrapassaram, pela primeira vez, a marca de US$ 4.600 por onça-troy. O avanço reflete a crescente aversão a ativos americanos e preocupações sobre a independência do Federal Reserve (Fed), após declarações graves feitas por seu presidente, Jerome Powell.
No último domingo, 11, Powell afirmou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos emitiu uma intimação com ameaça de acusação criminal. A declaração gerou forte reação no mercado, levantando dúvidas sobre a autonomia do Fed e seu papel na condução da política monetária americana.

Warren Buffett, um dos maiores investidores da história, costuma chamar o ouro de “ativo do medo” e diz que ele não produz nada. No entanto, o metal precioso tende a brilhar quando o mundo fica mais imprevisível.
O ouro como ativo de proteção em tempos incertos
“Ouro é uma forma de estar comprado em medo e vem sendo uma ótima forma de apostar no medo de tempos em tempos. Mas você realmente precisa esperar que as pessoas fiquem com mais medo em um ou dois anos do que elas estão atualmente. Se elas ficam com mais medo, você ganha dinheiro, se elas ficam com menos medo, você perde dinheiro, mas o ouro em si não produz nada.” — Warren Buffett
O ouro começou como moeda, virou lastro de sistemas monetários e hoje é, sobretudo, um instrumento de proteção — funciona como um “seguro” contra três fatores que costumam aparecer em períodos de estresse:
- inflação e juros reais;
- conflitos e rupturas geopolíticas;
- fragilidade institucional.
Por isso, é considerado uma reserva de valor, buscada tanto por investidores quanto por países. Essa característica ganha força especialmente quando os bancos centrais e os governos mundiais estão desvalorizando suas moedas.
Isso ocorre, por exemplo, quando os bancos centrais mundiais reduzem os juros e os governos elevam suas dívidas, cenário em que o ativo preserva o poder de compra diante da deterioração monetária global.
Além do fator monetário, o ouro também é impulsionado pelo medo associado à dinâmica geopolítica.
Por que o ouro está batendo recordes históricos?
Além da política monetária, o medo geopolítico tem sido um grande impulsionador da demanda por ouro nos últimos anos.
A guerra comercial entre China e EUA, intensificada durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump, deu início a um novo ciclo de valorização do ouro.
Os efeitos da pandemia na economia mundial agravaram as incertezas econômicas globais, acelerando ainda mais esse movimento.
A guerra entre Rússia e Ucrânia elevou o preço da commodity a novos recordes — e o atual contexto, com tarifas e tensões renovadas no segundo mandato de Trump, só reforça essa tendência.
O movimento dos bancos centrais
A corrida do ouro no século XXI é mais silenciosa e institucional. Segundo o World Gold Council, até novembro de 2025, os bancos centrais compraram cerca de 297 toneladas de ouro. Destaque para a Polônia, o Cazaquistão, o Brasil e, especialmente, a China.

O recado é direto: em um mundo mais fragmentado, o ouro voltou a ser um “ativo de Estado”.
Nos últimos quatro a cinco anos, o Banco Popular da China (PBoC) tem liderado esse movimento. Desde o início da guerra na Ucrânia, suas compras acumularam mais de 2,3 mil toneladas. As reservas de ouro chinesas saltaram de menos de 3% em 2022 para mais de 8% da composição total das reservas internacionais.

Mas os bancos centrais ao redor do mundo não estão sozinhos nessa corrida.
Investidores institucionais e o crescimento dos ETFs de ouro
O forte desempenho do ouro e a maior percepção de risco também atraíram investidores institucionais e pessoas físicas.
Em 2025, os ETFs de ouro tiveram o maior ano de entradas da história, impulsionados, principalmente, pelos fundos norte-americanos.
De acordo com dados do World Gold Council, o fluxo de entrada atingiu US$ 89 bilhões no ano passado. Os ativos sob gestão (AUM) dos ETFs de ouro dobraram, atingindo um recorde histórico de US$ 559 bilhões no período.
O rali do ouro tem sido impressionante. Mas até quando?
O ouro ainda vale a pena?
O ouro continua sendo um dos instrumentos mais seguros de proteção patrimonial. Mas, como qualquer ativo, não é previsível — e quanto mais alto for o preço, menor é a assimetria.
As mesmas variáveis que o impulsionam podem, eventualmente, provocar correções. Em certos períodos, ele oferece proteção incomparável. Em outros, pode passar anos andando de lado.
O próprio Buffett deu o recado: o ouro é uma maneira de comprar medo. Se o medo cresce, ele valoriza. Se diminui, você pode perder. Afinal, o metal precioso não produz nada.

