Nvidia 2T27: acima da expectativa, mas não o suficiente
Novamente a Nvidia superou as expectativas do mercado. Mas parece que superar já não é suficiente para uma empresa precificada à perfeição
A Nvidia tem sido um termômetro do mercado ao longo dos últimos anos e trimestres. À medida que seus resultados são divulgados, eles definem o humor dos investidores com teses ligadas à inteligência artificial. Quando a empresa apresenta números acima, o sentimento tende a ser positivo nos dias seguintes à divulgação; quando decepciona, o efeito geralmente ocorre na direção oposta.
Destaques dos resultados da Nvidia no 2T27

A Nvidia divulgou os resultados do 2T27, segundo trimestre de seu ano fiscal encerrado em julho de 2026, acima das expectativas do mercado, com crescimento acelerado na receita, lucro, margens e geração de caixa.
A receita total foi de US$ 96,2 bilhões, crescimento de 106% na comparação anual e acima do consenso, que estava próximo de US$ 92 bilhões.
O EPS ajustado foi de US$ 2,22, alta de 120% a.a., também acima das estimativas (exp. US$ 2,10). O lucro operacional ajustado atingiu US$ 64 bilhões, avanço de 124%, enquanto o lucro líquido ajustado foi de US$ 54 bilhões, crescimento de 118%.
O trimestre reforça que a Nvidia segue surfando uma onda muito rara: aumento de 100% em receita, margem bruta de 75% e forte conversão de caixa.
A companhia entregou free cash flow de US$ 22,4 bilhões no trimestre e devolveu aproximadamente US$ 26 bilhões aos acionistas via recompras e dividendos.
O ponto mais importante, e o principal foco do mercado, foi o guidance para o próximo trimestre. Para o 3T27, a Nvidia espera receita de US$ 108 bilhões, com variação de 2% para cima ou para baixo. O número ficou acima do consenso do sell-side, de US$ 104,2 bilhões.
A empresa também indicou margem bruta ajustada de 74%, com variação de 50 pontos-base. Talvez o único ponto aquém do que o mercado gostaria de ver.
Para o 3T27, o buy-side tinha números mais próximos de 74,8%. A diferença é insignificante para quem tem um horizonte mais longo de investimento. No entanto, para muitos fundos que focam no curtíssimo prazo, essas pequenas diferenças podem fazer muito efeito.
Assim como tem sido nos últimos trimestres, o guidance não considera qualquer receita de Data Center Compute proveniente da China. Ou seja, mesmo desconsiderando um mercado que poderia representar uma fonte relevante de crescimento, a companhia está projetando números melhores do que o esperado pelo mercado.
Data Center responde por 92% da receita
Assim como vimos desde o 1T27 da Nvidia, a empresa adotou uma forma diferente na divulgação dos dados operacionais.
No novo modelo, a companhia divide os resultados em duas grandes categorias: Data Center e Edge Computing.
Dentro de Data Center, a Nvidia separou esse segmento em duas categorias: Hyperscale e outra que reúne AI Clouds, Industrial & Enterprise (ACIE). Já em Edge Computing, a empresa consolidou todos os demais segmentos que não envolvem Data Centers.

O principal motor continua sendo Data Center, que atingiu receita de US$ 89 bilhões, crescimento de 117% na comparação anual e de 18% frente ao trimestre anterior.
Essa linha de negócio já representa mais de 92% da receita consolidada da Nvidia e continua sendo impulsionada pela aceleração de seus chips, pela demanda por treinamento e inferência e pela expansão de infraestrutura de IA em hyperscalers, IA clouds, empresas, governos e clientes industriais.

Hyperscalers e ACIE: 55% contra 45%
As receitas com Hyperscalers foram de US$ 48,7 bilhões, crescimento de 102% na comparação anual. Já a receita do segmento ACIE foi de 138%.
Hoje, as receitas estão bem divididas entre ambos. Hyperscalers representam 55% das receitas com Data Center, enquanto ACIE representa 45%. Ou seja, 55% das receitas seguem concentradas nas grandes empresas de tecnologia, enquanto 45% já vêm de clientes mais diversificados, incluindo nuvens especializadas, empresas industriais e clientes corporativos.
Edge computing gerou receitas de US$ 7,2 bilhões, crescimento de +28% na comparação anual. Apesar de ser um bom crescimento, acaba sendo ofuscado pela linha de Data Centers.
Mesmo assim, esse segmento deve ter um importante papel à medida que a IA se propague para além de clusters de computadores e passe a rodar dentro de dispositivos móveis, carros etc.
A Nvidia continua crescendo como se fosse uma empresa pequena. Mas está longe de ser. Isso, por si só, impressiona. E a companhia segue superando as expectativas.
Guidance da Nvidia no 3T27: US$ 108 bilhões e margem de 74%

Como em todo trimestre, o Guidance era o ponto de maior atenção do mercado e o que costuma determinar a direção da ação pós-resultado.
A empresa superou os números em receitas, trazendo uma projeção de US$ 108 bilhões. Isso representa um crescimento de +89,5% na comparação anual. Enquanto isso, o mercado esperava algo próximo a US$ 104 bilhões.
Contudo, a margem bruta de 74% ficou levemente atrás dos números esperados. O mercado, especialmente o buy-side, projetava algo próximo de 74,8%, mais perto do patamar entregue neste 2T27.
Apesar dos esforços de Jensen Huang, presidente da Nvidia, para tentar remediar acordos entre China e EUA para possibilitar a venda de chips, a companhia não coloca receitas vindas da China nas projeções por ainda não ter um acordo e uma liberação das vendas.
O que pensamos sobre a Nvidia hoje
Mais um trimestre muito forte em termos de resultados.
A companhia superou novamente as expectativas de receita, lucro, margens e guidance. O crescimento de data centers segue justificando o tamanho da empresa.
A qualidade das margens continua excelente. Estamos falando de uma companhia com mais de US$ 200 bilhões em receitas anuais e margens brutas acima de 70%.
A empresa é precificada para entregar “perfeição”. E, até aqui, continua correspondendo a essa expectativa. Gostamos muito da Nvidia.
Apesar disso, o nível de exigência já é muito alto. O crescimento, por enquanto, justifica isso. Ainda assim, nossa preocupação segue sendo pagar caro demais por um potencial que pode não se materializar da forma esperada.

