Novas ações AZUL53 e GOLL54: tudo que você precisa saber antes de investir
Azul e Gol mudaram tickers e modelo de negociação. Entenda a volatilidade das ações AZUL53 e GOLL54 e o que considerar antes de investir
Em 2025, as companhias aéreas Azul e Gol, ambas em reestruturação de capital, adotaram novos tickers (códigos de negociação). Em junho, as ações ordinárias GOLL3 passaram a ser negociadas sob o código GOLL53, enquanto os papéis AZUL4 deram lugar ao AZUL54, em dezembro. Mas não foi só o nome que mudou: o modelo como os papéis operam também foi alterado.
Os ativos passaram a ser negociados em um novo lote padrão de 10 mil ações. Com isso, o preço exibido na tela deixa de ser unitário e passa a representar uma cesta de papéis.
Na prática, isso representa maior volatilidade do que o lote padrão tradicional de 100 ações na B3 por alguns motivos estruturais, como menor liquidez (volume de negociação).
Por que AZUL53 e GOLL54 estão mais voláteis?
A volatilidade dessas ações é explicada por três fatores principais: o novo lote padrão, a reestruturação das empresas e o perfil dos atuais detentores dos papéis. Como agora são negociados em lotes de 10 mil ações, qualquer variação de centavos no preço representa uma oscilação relevante no valor total da cesta.
Além disso, essas companhias passam por processos intensos de reestruturação financeira, com grande parte das ações indo para credores e investidores estratégicos — perfis que não operam no mercado com frequência. Isso reduz a liquidez e torna o book de ofertas mais raso, amplificando a volatilidade.
Por fim, o mercado também reage a cada fato relevante, como novas OPA, cronogramas de conversão ou mudanças de governança, o que torna o comportamento desses ativos altamente binário.
Para quem essas ações fazem sentido?
Para o investidor fundamentalista, que busca previsibilidade e foco em longo prazo, o risco ainda supera o potencial de retorno. No entanto, esses ativos podem fazer sentido para três perfis específicos: o trader de curto prazo que entende a mecânica desses papéis, o investidor de crédito especializado em reestruturações e o "event-driven trader", que atua focado em eventos corporativos específicos.
Quais os gatilhos positivos no horizonte?
Embora o cenário geral seja de risco elevado, alguns gatilhos podem reduzir a percepção de risco no curto ou médio prazo, como melhora operacional, redução da dívida, aumento da ocupação dos voos, melhoria da margem, queda no custo de combustível e maior clareza na governança.
Além disso, aportes relevantes, novos planos de negócios e execução eficiente também podem ser bem vistos pelo mercado.
Cuidado: volatilidade não é recuperação
A nova estrutura dos papéis dificulta análises técnicas e fundamentalistas. Movimentos bruscos de preço, especialmente em papéis que valem centavos, podem passar uma falsa impressão de recuperação.
O investidor médio, ao visualizar ganhos ou aumento na quantidade de ações na custódia, pode interpretar isso como um sinal positivo, quando muitas vezes se trata apenas de ajustes técnicos ou arbitragem.
A mensagem central é: cuidado para não confundir volatilidade com recuperação real.

