A escalada dos conflitos no Oriente Médio elevou a aversão ao risco e reacendeu discussões sobre possíveis impactos inflacionários no curto prazo. Ainda assim, a leitura predominante é de que esses choques têm natureza mais transitória, ligados a gargalos logísticos e não a mudanças estruturais no mercado de energia.

Nos Estados Unidos, os dados econômicos continuaram apontando para um processo de desaceleração gradual.

O PIB do quarto trimestre veio abaixo das expectativas, mas refletiu em grande parte os efeitos temporários do shutdown do governo, enquanto consumo e investimento permanecem saudáveis. O mercado de trabalho americano também se mostrou mais fraco, mas com uma taxa de desemprego ainda baixa.

Nesse contexto, o mercado segue projetando cortes de juros ao longo do segundo semestre, ainda que em ritmo mais moderado.

No Brasil, os ativos domésticos mantiveram um desempenho positivo, com destaque novamente para a Bolsa, impulsionada pela continuidade do fluxo estrangeiro em direção a mercados emergentes. O movimento ocorre em meio a uma recomposição global de portfólios, com redução relativa da exposição aos Estados Unidos. 

Ao mesmo tempo, os dados de atividade mostram moderação gradual da economia, enquanto a inflação voltou a surpreender para cima, reforçando a necessidade de cautela no início do ciclo de flexibilização monetária.

Assim, temos visto um cenário mais volátil nos últimos dias em razão da guerra. Por outro lado, o pano de fundo segue sendo de desaceleração econômica gradual e ajustes nas expectativas de política monetária, em um contexto que continua exigindo acompanhamento dos desdobramentos globais.

Ruídos que exigem monitoramento, mas fundamentos que continuam a guiar nossas decisões.