Nord Asset: carta do gestor (dezembro/2025)
Cautela e dependência de dados guiam as decisões no Brasil e nos Estados Unidos
Dezembro reforçou a centralidade da política monetária no debate econômico. No Brasil, o Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano e adotou uma comunicação mais firme, deixando claro que o combate à inflação ainda exige uma postura contracionista por um período prolongado.
A inflação encerrou o ano em trajetória mais benigna, mas a reaceleração dos serviços funciona como um lembrete de que o processo de convergência ainda demanda acompanhamento cuidadoso. Ao mesmo tempo, os dados de atividade apontam para uma desaceleração gradual, especialmente nos setores mais sensíveis ao crédito, refletindo os efeitos cumulativos de uma política monetária restritiva.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve seguiu ajustando a política monetária com um novo corte de juros, em um contexto de desaceleração controlada da atividade. O consumo segue sustentando o crescimento, enquanto o mercado de trabalho mostra sinais graduais de perda de fôlego. Assim, o Fed mantém uma postura dependente dos dados, em um estágio em que a taxa de juros se aproxima do nível neutro.
Nos mercados, o mês refletiu esse equilíbrio: maior volatilidade doméstica, movimentos seletivos nos ativos de risco e ajustes moderados no exterior.
O encerramento do ano sugere um ambiente mais exigente para 2026, no qual disciplina, seletividade e leitura atenta do cenário macro serão determinantes.

