A Microsoft (MSFT; MSFT34) divulgou resultados do 4T26 fiscal acima das expectativas, com crescimento forte em receita, lucro, cloud e inteligência artificial.

O resultado foi muito bom. A companhia encerrou o ano fiscal com aceleração em Azure, forte crescimento em Microsoft Cloud, expansão relevante em backlog e sinais cada vez mais concretos de monetização em IA, especialmente com Copilot.

Diferente de alguns trimestres anteriores, em que o mercado ainda discutia se o crescimento em cloud estava limitado por capacidade, o 4T26 trouxe uma mensagem mais positiva. A demanda segue acima da oferta, mas a Microsoft conseguiu colocar mais capacidade em operação e transformar isso em crescimento mais forte de receita.

Resultados da Microsoft no 4T26

Tabela de resultados da Microsoft no 4T26 fiscal: receita de US$ 90 bilhões, lucro operacional de US$ 40,6 bilhões, lucro líquido de US$ 35,8 bilhões e LPA de US$ 4,81
 Resultados da Microsoft no quarto trimestre do ano fiscal de 2026, em US$ bilhões, com crescimento anual reportado e em moeda constante. Fonte: Microsoft

A Microsoft reportou receita de US$ 90,0 bilhões no 4T26, crescimento de +18% na comparação anual, ou +17% em moeda constante. O número ficou acima do consenso, que esperava algo próximo de US$ 87,6 bilhões.

O lucro operacional foi de US$ 40,6 bilhões, alta de +18% na comparação anual. O lucro líquido GAAP chegou a US$ 35,8 bilhões, crescimento de +31%, enquanto o lucro líquido non-GAAP foi de US$ 35,3 bilhões, avanço de +22%.

O lucro por ação GAAP foi de US$ 4,81, crescimento de +32%. Em base ajustada, o EPS foi de US$ 4,74, alta de +23% e acima da expectativa de mercado, que estava próxima de US$ 4,25.

O trimestre teve alguns itens não recorrentes relevantes. A Microsoft destacou um ganho de US$ 3,2 bilhões relacionado ao investimento na Anthropic, além de despesas menores do que o esperado no programa de aposentadoria voluntária. Esses efeitos foram parcialmente compensados por despesas de severance e impairment em Xbox. No total, os itens geraram benefício de US$ 0,27 por ação.

Mesmo ajustando esses efeitos, a companhia teria superado as expectativas em receita, lucro operacional e EPS. Ou seja, o resultado teve ajuda de itens não recorrentes, mas a operação também veio forte.

Destaques por segmento

Productivity and Business Processes: Microsoft 365 e LinkedIn

Receita e lucro operacional do segmento Productivity and Business Processes da Microsoft por trimestre, chegando a US$ 37,8 bilhões de receita e US$ 21,9 bilhões de lucro no 4T26
 Receita e lucro operacional do segmento Productivity and Business Processes, em US$ bilhões, do 4T25 ao 4T26 fiscal. Fonte: Microsoft

O segmento de Productivity and Business Processes reportou receita de US$ 37,8 bilhões, crescimento de +14% na comparação anual.

Dentro da divisão, Microsoft 365 Commercial Cloud cresceu +16% quando ajustado por uma base de comparação do ano anterior que havia se beneficiado de reconhecimento de receita no próprio período. Em base reportada, o crescimento foi de +14%.

Microsoft 365 Consumer Cloud cresceu +24%, LinkedIn avançou +12% e Dynamics 365 cresceu +13%.

O segmento segue sendo uma das principais fontes de lucro da Microsoft. O lucro operacional foi de US$ 21,9 bilhões, crescimento de +15% na comparação anual. A margem operacional ficou próxima de 58%, um patamar muito elevado.

A leitura segue positiva. Microsoft 365 continua crescendo, Copilot adiciona uma nova avenida de ARPU, LinkedIn permanece resiliente e Dynamics segue se beneficiando da digitalização de processos corporativos.

Intelligent Cloud

Receita e lucro operacional do segmento Intelligent Cloud da Microsoft por trimestre, chegando a US$ 39,3 bilhões de receita e US$ 16,0 bilhões de lucro no 4T26
 Receita e lucro operacional do segmento Intelligent Cloud, em US$ bilhões, do 4T25 ao 4T26 fiscal. Fonte: Microsoft

O Intelligent Cloud foi o principal motor do trimestre.

A receita foi de US$ 39,3 bilhões, crescimento de +32%. O lucro operacional chegou a US$ 16 bilhões, avanço de +31%.

O grande destaque foi Azure, com crescimento de +43%. Esse número veio acima do que o mercado esperava e reforçou a leitura de que a demanda por infraestrutura de IA segue muito forte.

A margem operacional do segmento ficou em torno de 40,6%, praticamente estável em relação ao ano anterior. Isso é relevante porque a Microsoft está investindo muito em infraestrutura, mas ainda consegue preservar uma rentabilidade elevada no segmento.

A empresa segue enfrentando demanda maior do que a capacidade disponível, mas o trimestre mostra melhora na execução. A capacidade adicionada está sendo monetizada rapidamente.

More Personal Computing: Windows e Xbox em queda

O segmento de More Personal Computing foi o ponto mais fraco.

A receita foi de US$ 12,9 bilhões, queda de -4% na comparação anual, ou -5% em moeda constante. Windows OEM e Devices caíram -7%, enquanto Xbox Content and Services recuou -10%.

A principal linha positiva foi Search Advertising ex-TAC, que cresceu +10%. Mesmo assim, o segmento segue menos relevante para a tese de investimento atual.

O lucro operacional de More Personal Computing foi de US$ 2,7 bilhões, queda de -14% contra o 4T25. A divisão ainda gera lucro, mas deixou de ser o centro de gravidade da Microsoft.

Hoje, a tese da companhia está muito mais ligada a cloud, Microsoft 365, IA, Copilot, segurança e aplicações corporativas do que a Windows, devices ou gaming.

Margens, capex e geração de caixa

A Microsoft segue operando com margens muito altas, mesmo em um ciclo de investimento muito pesado.

A margem bruta foi de 67,2% no trimestre. A margem operacional ficou em 45,1%. Esses números mostram a qualidade do modelo de negócios. Mesmo investindo dezenas de bilhões em infraestrutura, a companhia continua entregando rentabilidade elevada.

As despesas operacionais cresceram para US$ 19,9 bilhões, alta de aproximadamente +10% na comparação anual. O aumento reflete principalmente investimentos em engenharia, infraestrutura, IA, cloud, segurança e produtos corporativos.

O capex continua sendo o principal ponto de atenção. A Microsoft investiu US$ 35,8 bilhões em adições de propriedades e equipamentos no trimestre. No ano fiscal de 2026, esse número chegou a US$ 115,9 bilhões.

É um valor enorme. A Microsoft está entre as empresas que mais investem no mundo em infraestrutura de inteligência artificial. A diferença é que o mercado está começando a enxergar retorno direto desse investimento, principalmente em Azure.

A geração de caixa também foi forte. O caixa operacional foi de US$ 55,4 bilhões no trimestre. Mesmo com capex elevado, o fluxo de caixa livre ficou em aproximadamente US$ 19,6 bilhões.

No ano fiscal de 2026, a Microsoft gerou US$ 182,9 bilhões de caixa operacional e cerca de US$ 67,0 bilhões de free cash flow. Ou seja, mesmo em um ciclo agressivo de investimento, a companhia continua gerando caixa em escala muito relevante.

Resultados do ano fiscal de 2026

O fechamento do ano fiscal também foi muito forte.

A receita anual foi de US$ 331,8 bilhões, crescimento de +18%. O lucro operacional foi de US$ 155,2 bilhões, alta de +21%. O lucro líquido GAAP chegou a US$ 133,7 bilhões, crescimento de +31%.

Em base non-GAAP, excluindo o impacto dos investimentos em OpenAI, o lucro líquido foi de US$ 128,8 bilhões, alta de +22%. O EPS non-GAAP foi de US$ 17,28, também crescimento de +22%.

A Microsoft encerrou 2026 como uma empresa ainda maior, mais lucrativa e mais exposta à inteligência artificial do que no ano anterior.

O ponto mais relevante é que o crescimento anual de lucro operacional, de +21%, superou o crescimento de receita, de +18%. Mesmo com todos os investimentos em infraestrutura, a empresa ainda conseguiu expandir resultado acima da receita.

Perspectivas para a Microsoft

A demanda por cloud e inteligência artificial segue muito forte, e o resultado do 4T26 reforçou essa mensagem.

O crescimento de Azure acelerou para +43%, o Microsoft Cloud cresceu +27%, o RPO comercial avançou +84% e o Copilot passou de 30 milhões de seats pagos. Esses números mostram que a IA está cada vez mais presente na receita da companhia.

Ao mesmo tempo, a discussão de capex continua relevante. A Microsoft está investindo muito para sustentar essa demanda. O mercado tende a aceitar esse investimento quando a receita acelera, como aconteceu neste trimestre. Mas, se em algum momento o crescimento de Azure desacelerar sem uma queda proporcional no capex, a cobrança será maior.

Por enquanto, a conta parece boa. A empresa está adicionando capacidade, a demanda continua acima da oferta, Azure acelera e Copilot começa a ganhar escala. Isso melhora a percepção de retorno sobre os investimentos.

A Microsoft segue sendo uma das empresas mais bem posicionadas na corrida de IA. A combinação de infraestrutura, software corporativo, produtividade, dados empresariais, segurança, GitHub, OpenAI, Copilot e Azure é muito difícil de replicar.