A Movida (MOVI3) voltou a surpreender o mercado. No 1T26, a companhia registrou o maior lucro trimestral dos últimos quatro anos, com alta de +59% na comparação anual. 

A prévia operacional do 2T26 veio ainda melhor: o lucro cresceu +101% frente ao mesmo período do ano passado, superando o teto do próprio guidance da empresa.

Ainda assim, MOVI3 acumula queda de -17% em 2026. Enquanto o mercado insiste em enxergar a companhia como mais uma refém de juros altos e alavancagem elevada, a Movida segue entregando, trimestre após trimestre, resultados recordes — uma desconexão que vale a pena entender.

Gráfico de barras comparando Receita Líquida, EBITDA, EBIT e Lucro Líquido da Movida no 1T25 e no 1T26, mostrando crescimento em todas as métricas.
 Receita Líquida, EBITDA, EBIT e Lucro Líquido (1T25 x 1T26). Fonte: Movida

A empresa encerrou o último trimestre com uma frota total de 267 mil veículos, alta de +4% na comparação com o 1T25 da Movida, com a frota de Gestão e Terceirização de Frotas (GTF) totalizando 142 mil carros (-1%) e a frota de Aluguel de Veículos (RAC) alcançando 125 mil carros (+11%).

No entanto, sua receita cresceu +6% e o Ebitda subiu +17%, com a receita e o Ebitda de locação (RAC + GTF) avançando +17%, e margem Ebitda estável em 70%. 

Com a alta de +14% na depreciação, de +15% no resultado financeiro (negativo) e a queda na alíquota efetiva de impostos, o lucro da Movida cresceu +59%.

Considerando os R$ 750 milhões do aumento de capital (operação já confirmada, mas cujos recursos entraram efetivamente apenas no começo do 2T26), a alavancagem pro forma da companhia é de apenas 2,5x Ebitda, menor patamar dos últimos cinco anos.

ROIC da Movida avança e mostra ganho de rentabilidade

Com os avanços na operação e no uso do capital, o Retorno sobre o Capital Investido (ROIC) alcançou 16,4% (também beneficiado pela redução na alíquota efetiva com a distribuição de JCP), e o spread em relação ao custo da dívida foi de 5,3 p.p., apesar da Selic mais alta na comparação anual.

Gráfico de linhas comparando a evolução do ROIC e do custo médio da dívida após impostos da Movida entre 2023 e o 1T26 LTM, com o spread entre as duas linhas aumentando ao longo do período até 5,3 pontos percentuais.
 ROIC x Custo médio da dívida após impostos (2023 a 1T26 LTM). Fonte: Movida

A Movida segue entregando um forte avanço em sua rentabilidade, com destaque para o aumento de tarifas e volumes ocorrendo simultaneamente e para os ganhos de eficiência operacional (principalmente pela maior taxa de ocupação no RAC). 

A empresa tinha como meta entregar um ROIC spread entre 4 e 6 p.p., mas, com os patamares já alcançados (acima de 5 p.p.) e as novas alavancas mapeadas para melhorias de rentabilidade, está olhando para uma meta de entregar entre 5 e 7 p.p. de ROIC acima do custo da dívida.

Como a companhia (acertadamente) não enxerga sentido em voltar a investir no crescimento da frota ainda, segue utilizando toda sua geração de caixa para redução da alavancagem, que já está no menor patamar dos últimos anos.

Os pilares estratégicos da empresa para 2026 continuam sendo: (i) a recomposição de preços em todos os segmentos; (ii) o contínuo processo de redução de custos (principalmente com a internalização da manutenção dos veículos); (iii) a manutenção de margens e volumes em Seminovos; e (iv) a continuidade do aumento da geração de caixa e a utilização dos recursos adicionais para redução da alavancagem. 

Prévia do 2T26: guidance de lucro líquido é superado

Gráfico de barras comparando o guidance de lucro líquido da Movida: 2T25 realizado (R$68 milhões), 2T26 realizado (R$136 milhões) e consenso de mercado para o 2T26 (R$118 milhões), mostrando o resultado acima do topo do guidance e da projeção do mercado.
 Guidance de Lucro Líquido (2T25 Realizado x 2T26 Realizado x 2T26 Consensus). Fonte: Movida

Após entregar um lucro +59% maior no 1T26 (resultado que superou em +83% as projeções do mercado para o trimestre), a empresa divulgou sua prévia de resultados do 2T26. O lucro alcançou R$ 136 milhões, um crescimento de +101% em relação ao 2T25.

Trata-se do maior resultado trimestral dos últimos quatro anos, mesmo em um período de alta da Selic. O número também superou o topo do guidance da companhia (entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões), ficou 15% acima das estimativas do mercado e marcou a primeira vez em cinco anos que o lucro do segundo trimestre superou o do primeiro

A receita total cresceu +3%, com a receita de locação (RAC + GTF) alcançando o patamar recorde de R$ 2,6 bilhões (+21%), mesmo com a receita de Seminovos caindo -18% (em função do volume de vendas de carros -25% menor). 

O Ebitda teve uma alta de +22% e o Ebit (resultado operacional após a depreciação) avançou +29%, superando o patamar de R$ 1 bilhão pela primeira vez na história da companhia. 

Os excelentes resultados refletem, mais uma vez, o acerto na estratégia e na execução do plano de aumento da eficiência operacional e redução da alavancagem.

Por que o mercado ainda não precifica os resultados da Movida

O mercado simplesmente está colocando a empresa na caixinha de “capital intensivo, com alavancagem alta, em um cenário de juros altos”. Com o cenário macro negativo, as ações estão caindo -17% neste ano (após se multiplicarem por 3x em 2025).

Negociando a apenas 3,6x Ebitda, entregando excelentes resultados e com perspectivas de continuar entregando um forte crescimento de lucros, a Nord continua enxergando o ativo como uma grande oportunidade

No momento, pelo aspecto de gestão de risco da carteira, recomendamos uma alocação limitada a 5% no papel — mas certamente é uma ação na qual poderemos ter uma alocação mais alta quando o mercado começar a deixar de estar tão irracional.

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