Ibovespa em maio: fluxo de capital estrangeiro derruba a Bolsa
IBOV fecha maio em forte queda, recuando -7,22%. No mês, Usiminas lidera as altas, enquanto Magalu, as baixas
O Ibovespa encerrou maio com uma forte queda de -7,2%, pressionado pela saída de mais de R$ 14 bilhões em capital estrangeiro. No cenário doméstico, a deterioração das expectativas inflacionárias (IPCA) forçou o mercado a precificar juros (Selic) mais altos por mais tempo.
Desempenho dos principais índices em maio
Com os juros futuros em alta, o Ibovespa encerrou o mês caindo -7,2%, enquanto o IDIV recuou -7,6% e o SMLL, -3,7%.

Das 79 ações que compõem o IBOV, 15 registraram alta no período, enquanto as outras 64 fecharam em baixa.
O principal destaque positivo do mês foi a Usiminas (USIM5), com alta de +33,7%, enquanto a maior queda foi para as ações da Magazine Luiza (MGLU3), que caíram -27,3%.
As 5 ações que mais subiram em maio
Veja a lista das cinco maiores altas do mês.
| Empresa | Ticker | Var. (%) |
| Usiminas | USIM5 | +33,7 |
| Braskem | BRKM5 | +14,3 |
| Ambev | ABEV3 | +12,5 |
| Lojas Renner | LREN3 | +9,6 |
| CSN | CSNA3 | +7,7 |
Maiores altas do Ibovespa em maio. Fonte: Bloomberg
1. Usiminas (USIM5) — +33,7%
A siderúrgica liderou os ganhos do mês impulsionada por uma forte virada estrutural em seus resultados operacionais e revisões positivas de analistas. A melhora na eficiência de suas usinas e o reaquecimento na demanda setorial atraíram um forte fluxo para suas ações, consolidando seu papel como o maior destaque do ano.
Nossa recomendação: neutra.
2. Braskem (BRKM5) — +14,3%
O desempenho positivo da petroquímica foi sustentado por avanços em negociações estratégicas envolvendo sua estrutura societária e por uma recuperação global nos spreads de petroquímicos. Assim, o otimismo está relacionado à melhora das projeções operacionais e à redução de incertezas de curto prazo.
Nossa recomendação: evitar.
3. Ambev (ABEV3) — +12,5%
A gigante das bebidas se valorizou ao reportar dados operacionais robustos (principalmente a operação de cervejas) e ao se beneficiar do seu perfil defensivo em um mês marcado por forte aversão ao risco no mercado geral. A consistência na geração de caixa e as estratégias eficientes de repasse de preços agradaram ao mercado.
Nossa recomendação: neutra.
4. Lojas Renner (LREN3) — +9,6%
A Renner destacou-se no varejo de moda graças a uma execução operacional considerada superior à de seus concorrentes, com melhora nas margens financeiras e bom controle de estoques. O mercado premiou a resiliência da companhia, que conseguiu crescer mesmo sob condições macroeconômicas desafiadoras.
Nossa recomendação: compra.
5. CSN (CSNA3) — +7,7%
Acompanhando o bom momento do setor siderúrgico nacional, a CSN pegou carona no otimismo gerado pelos preços de commodities e por expectativas de reestruturação de suas divisões de negócios. A perspectiva de desalavancagem financeira ajudou a impulsionar o papel no período.
Nossa recomendação: neutra.
As 5 ações que mais caíram em maio
Veja a lista das cinco maiores quedas do mês.
| Empresa | Ticker | Var. (%) |
| Magazine Luiza | MGLU3 | -27,3 |
| Cosan | CSAN3 | -24,6 |
| Vamos | VAMO3 | -22,7 |
| Axia | AXIA6 | -17,1 |
| Sabesp | SBSP3 | -15,7 |
Maiores baixas do Ibovespa em maio. Fonte: Bloomberg
1. Magazine Luiza (MGLU3) — -27,3%
A Magazine Luiza liderou as perdas no mês, pressionada pela manutenção dos juros em patamares elevados no cenário doméstico e pela persistente cautela macroeconômica. Por ser uma empresa de crescimento muito atrelada ao consumo de bens duráveis e ao crédito, as indefinições econômicas penalizaram fortemente o papel.
Nossa recomendação: neutra.
2. Cosan (CSAN3) — -24,6%
A holding sofreu com o aumento das preocupações do mercado em relação ao endividamento do grupo e os impactos de suas recentes transações e aumentos de capital. Além disso, a volatilidade nos preços internacionais das commodities energéticas e agrícolas afetou diretamente as expectativas para suas controladas.
Nossa recomendação: neutra.
3. Vamos (VAMO3) — -22,7%
A empresa de locação de caminhões e máquinas foi severamente impactada pelas perspectivas de desaceleração nos investimentos em bens de capital e no agronegócio. Os custos financeiros elevados decorrentes do cenário de juros continuam pesando sobre a rentabilidade de modelos de negócios intensivos em capital.
Nossa recomendação: neutra.
4. Axia (AXIA6) — -17,1%
O papel sofreu uma forte correção ao longo do mês devido a movimentos de realização de lucros por parte dos investidores e a ajustes nas projeções de resultados futuros. A falta de novos catalisadores operacionais de curto prazo abriu espaço para a pressão vendedora.
Nossa recomendação: neutra.
5. Sabesp (SBSP3) — -15,7%
A companhia de saneamento registrou perdas significativas, motivadas por ruídos políticos e regulatórios em torno do seu processo de desestatização e repactuação de contratos. O mercado adotou uma postura de maior cautela, preferindo aguardar definições jurídicas e institucionais mais claras sobre o futuro da empresa.
Nossa recomendação: neutra.

