Liquidação extrajudicial: o que é e o que muda para clientes
Entenda o que significa liquidação extrajudicial, quem decreta a medida e o que acontece com contas, dívidas e investimentos dos clientes
A liquidação extrajudicial é um processo que costuma gerar dúvidas e insegurança quando aparece no noticiário. A medida é usada para encerrar as atividades de uma instituição financeira em crise e foi aplicada recentemente em casos como o da Will Financeira e do Banco Master.
Entenda o que significa a liquidação extrajudicial, por que ela acontece e o que muda, na prática, para quem é cliente.
Sumário
- O que é liquidação extrajudicial
- Quem pode decretar a liquidação extrajudicial
- Casos recentes de liquidação extrajudicial
- O que acontece com o banco após a liquidação
- O que acontece com quem tinha conta no banco
- Quem tinha dinheiro em conta ou investimentos está protegido?
- O que acontece com quem investiu em CDB do banco liquidado
- Bens dos administradores ficam bloqueados
- Perguntas frequentes
O que é liquidação extrajudicial
A liquidação extrajudicial é um regime administrativo que interrompe o funcionamento de uma instituição financeira e promove sua retirada organizada do sistema financeiro nacional.
De acordo com o Banco Central (BC), a medida é adotada quando a situação econômico-financeira da instituição está comprometida a ponto de não permitir sua continuidade, com o objetivo de proteger depositantes, credores e a estabilidade do sistema financeiro.
Quem pode decretar a liquidação extrajudicial
A liquidação extrajudicial pode ser decretada exclusivamente pelo Banco Central. A decisão pode ocorrer por iniciativa do próprio órgão ou a partir de pedido dos administradores da instituição, quando o estatuto permite.
Segundo a legislação, a medida é aplicada em casos de:
- insolvência irreversível da instituição (não conseguir pagar suas obrigações);
- infração grave às normas bancárias;
- risco à estabilidade do sistema financeiro nacional;
- desrespeito a normas operacionais como falhas em pagamentos ou fraudes contábeis;
- Má gestão administrativa que comprometa a saúde financeira da instituição.
Casos recentes de liquidação extrajudicial
A liquidação extrajudicial voltou ao centro do noticiário em 2025 e 2026, com decisões envolvendo instituições ligadas ao mesmo conglomerado financeiro.
No caso mais recente, em janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, conhecida como Will Bank. A instituição era controlada pelo Banco Master, que já havia entrado em liquidação em novembro de 2025.
Segundo o Banco Central, a decisão foi motivada pela insolvência da Will Financeira, pelo vínculo direto com o Banco Master e pelo descumprimento de compromissos no arranjo de pagamentos da Mastercard Brasil, o que levou ao bloqueio do uso dos cartões do banco digital.
Antes da liquidação, a Will Financeira operava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET), enquanto negociações para venda da instituição eram conduzidas. Com o insucesso da transação e o agravamento da situação financeira, a liquidação extrajudicial foi considerada inevitável.
O que acontece com o banco após a liquidação
Após a decretação da liquidação extrajudicial, o funcionamento da instituição é interrompido. Contas, transferências, cartões e novos contratos deixam de operar normalmente.
O Banco Central nomeia um liquidante, responsável por apurar ativos e passivos, verificar créditos, vender bens e organizar o pagamento dos credores conforme a ordem prevista em lei.
O que acontece com quem tinha conta no banco
Com a liquidação extrajudicial, os clientes deixam de ter acesso às contas e serviços. O saldo em conta passa a integrar o passivo da instituição, e o cliente se torna credor no processo.
Os valores serão pagos conforme as garantias existentes e a ordem legal de preferência, seguindo os procedimentos conduzidos pelo liquidante.
Quem tinha dinheiro em conta ou investimentos está protegido?
De acordo com o Fundo Garantidor de Créditos, depositantes e investidores contam com proteção para determinados produtos financeiros. A cobertura é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, considerando o conjunto de produtos elegíveis.
Estão incluídos nessa garantia conta corrente, poupança, CDB, RDB, LCI e LCA, respeitados os limites do fundo.
O que acontece com quem investiu em CDB do banco liquidado
Os CDBs emitidos por bancos também estão cobertos pelo FGC, dentro do limite de R$ 250 mil por pessoa e por instituição emissora.
No caso da Will Financeira e do Banco Master, a cobertura depende da data de emissão dos títulos. Para papéis mais antigos (até 30/08/2024), as instituições eram consideradas separadas para fins de garantia. Já para emissões a partir de 02/09/2024, o limite passou a ser compartilhado, o que pode reduzir o valor efetivamente protegido.
Bens dos administradores ficam bloqueados
A legislação determina que os bens dos controladores e ex-administradores da instituição liquidada fiquem indisponíveis. A medida impede a venda ou transferência de patrimônio até a apuração das responsabilidades.
De acordo com o Banco Central, essa restrição busca evitar a dilapidação de bens e proteger os credores durante o processo de liquidação.
Perguntas frequentes
Ainda preciso pagar dívidas com o banco?
Sim. A liquidação extrajudicial não extingue as dívidas dos clientes. Empréstimos, financiamentos e faturas continuam válidos.
O que muda é a forma de administração desses contratos, que passa a ser definida pelo liquidante ou por eventual instituição que venha a assumir parte das operações.
O que fazer se meu banco entrou em liquidação extrajudicial?
Quem tem conta ou investimentos em um banco liquidado deve reunir documentos como extratos e contratos e acompanhar apenas os comunicados oficiais do Banco Central, do liquidante e do Fundo Garantidor de Créditos.
O FGC não cobra taxas para efetuar pagamentos, e o próprio fundo recomenda atenção a tentativas de golpe durante esse período.
Liquidação extrajudicial é a mesma coisa que falência?
Não. A liquidação extrajudicial é o regime inicial aplicado a instituições financeiras e substitui, em um primeiro momento, a falência comum.
Em situações específicas, o Banco Central pode determinar a conversão da liquidação em falência, caso os ativos sejam insuficientes ou haja indícios de crimes, mas o processo sempre começa sob supervisão administrativa.

