A liquidação extrajudicial é um processo que costuma gerar dúvidas e insegurança quando aparece no noticiário. A medida é usada para encerrar as atividades de uma instituição financeira em crise e foi aplicada recentemente em casos como o da Will Financeira e do Banco Master. 

Entenda o que significa a liquidação extrajudicial, por que ela acontece e o que muda, na prática, para quem é cliente.

Sumário

O que é liquidação extrajudicial

A liquidação extrajudicial é um regime administrativo que interrompe o funcionamento de uma instituição financeira e promove sua retirada organizada do sistema financeiro nacional.

De acordo com o Banco Central (BC), a medida é adotada quando a situação econômico-financeira da instituição está comprometida a ponto de não permitir sua continuidade, com o objetivo de proteger depositantes, credores e a estabilidade do sistema financeiro.

Quem pode decretar a liquidação extrajudicial

A liquidação extrajudicial pode ser decretada exclusivamente pelo Banco Central. A decisão pode ocorrer por iniciativa do próprio órgão ou a partir de pedido dos administradores da instituição, quando o estatuto permite.

Segundo a legislação, a medida é aplicada em casos de:

  • insolvência irreversível da instituição (não conseguir pagar suas obrigações);
  • infração grave às normas bancárias;
  • risco à estabilidade do sistema financeiro nacional;
  • desrespeito a normas operacionais como falhas em pagamentos ou fraudes contábeis;
  • Má gestão administrativa que comprometa a saúde financeira da instituição.

Casos recentes de liquidação extrajudicial

A liquidação extrajudicial voltou ao centro do noticiário em 2025 e 2026, com decisões envolvendo instituições ligadas ao mesmo conglomerado financeiro.

No caso mais recente, em janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, conhecida como Will Bank. A instituição era controlada pelo Banco Master, que já havia entrado em liquidação em novembro de 2025.

Segundo o Banco Central, a decisão foi motivada pela insolvência da Will Financeira, pelo vínculo direto com o Banco Master e pelo descumprimento de compromissos no arranjo de pagamentos da Mastercard Brasil, o que levou ao bloqueio do uso dos cartões do banco digital.

Antes da liquidação, a Will Financeira operava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET), enquanto negociações para venda da instituição eram conduzidas. Com o insucesso da transação e o agravamento da situação financeira, a liquidação extrajudicial foi considerada inevitável.

O que acontece com o banco após a liquidação

Após a decretação da liquidação extrajudicial, o funcionamento da instituição é interrompido. Contas, transferências, cartões e novos contratos deixam de operar normalmente.

O Banco Central nomeia um liquidante, responsável por apurar ativos e passivos, verificar créditos, vender bens e organizar o pagamento dos credores conforme a ordem prevista em lei.

O que acontece com quem tinha conta no banco

Com a liquidação extrajudicial, os clientes deixam de ter acesso às contas e serviços. O saldo em conta passa a integrar o passivo da instituição, e o cliente se torna credor no processo.

Os valores serão pagos conforme as garantias existentes e a ordem legal de preferência, seguindo os procedimentos conduzidos pelo liquidante.

Quem tinha dinheiro em conta ou investimentos está protegido?

De acordo com o Fundo Garantidor de Créditos, depositantes e investidores contam com proteção para determinados produtos financeiros. A cobertura é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, considerando o conjunto de produtos elegíveis.

Estão incluídos nessa garantia conta corrente, poupança, CDB, RDB, LCI e LCA, respeitados os limites do fundo.

O que acontece com quem investiu em CDB do banco liquidado

Os CDBs emitidos por bancos também estão cobertos pelo FGC, dentro do limite de R$ 250 mil por pessoa e por instituição emissora.

No caso da Will Financeira e do Banco Master, a cobertura depende da data de emissão dos títulos. Para papéis mais antigos (até 30/08/2024), as instituições eram consideradas separadas para fins de garantia. Já para emissões a partir de 02/09/2024, o limite passou a ser compartilhado, o que pode reduzir o valor efetivamente protegido.

Bens dos administradores ficam bloqueados

A legislação determina que os bens dos controladores e ex-administradores da instituição liquidada fiquem indisponíveis. A medida impede a venda ou transferência de patrimônio até a apuração das responsabilidades.

De acordo com o Banco Central, essa restrição busca evitar a dilapidação de bens e proteger os credores durante o processo de liquidação.

Perguntas frequentes

Ainda preciso pagar dívidas com o banco?

Sim. A liquidação extrajudicial não extingue as dívidas dos clientes. Empréstimos, financiamentos e faturas continuam válidos.

O que muda é a forma de administração desses contratos, que passa a ser definida pelo liquidante ou por eventual instituição que venha a assumir parte das operações.

O que fazer se meu banco entrou em liquidação extrajudicial?

Quem tem conta ou investimentos em um banco liquidado deve reunir documentos como extratos e contratos e acompanhar apenas os comunicados oficiais do Banco Central, do liquidante e do Fundo Garantidor de Créditos.

O FGC não cobra taxas para efetuar pagamentos, e o próprio fundo recomenda atenção a tentativas de golpe durante esse período.

Liquidação extrajudicial é a mesma coisa que falência?

Não. A liquidação extrajudicial é o regime inicial aplicado a instituições financeiras e substitui, em um primeiro momento, a falência comum.

Em situações específicas, o Banco Central pode determinar a conversão da liquidação em falência, caso os ativos sejam insuficientes ou haja indícios de crimes, mas o processo sempre começa sob supervisão administrativa.